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Brasileiro bi da Liga Europa lembra flerte com Palmeiras na era Mattos

Marcello De Vico

Do UOL, em Santos (SP)

26/09/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Fernando Reges, ex-City e hoje no Sevilla, já recebeu ligação pra jogar no Palmeiras
  • Volante que trabalhou com Guardiola teve contato com o diretor Alexandre Mattos
  • Jogador recusou a oferta, uma vez que tinha propostas de alguns times europeus
  • "O problema do Brasil é que você não tem a segurança que tem na Europa", disse
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Fernando Reges com a camisa do Palmeiras? No que dependesse do clube alviverde, isso já teria virado realidade, mas anos atrás. Bicampeão da Liga Europa por Porto e Sevilla (seu atual time), o volante que deixou o Vila Nova em 2007 e nunca mais voltou ao Brasil revelou em entrevista exclusiva ao UOL Esporte que chegou a ser procurado pelo Alviverde na época em que o clube tinha Alexandre Mattos - hoje no Atlético-MG - como diretor de futebol.

Na ocasião, Fernando Reges tinha outras propostas do futebol europeu e, por isso, preferiu seguir no Velho Continente. Segundo ele, foi o único clube brasileiro que o procurou nestes últimos 13 anos - veja a declaração no vídeo acima, a partir dos 10m25s.

"Depois que eu saí do Brasil, chance quase zero de voltar. Em todos clubes que passei, sempre tive possibilidade de ir pra outro clube na Europa. A única ligação que eu tive foi do Alexandre Mattos, quando estava no Palmeiras... Ele me perguntou se eu queria regressar ao Brasil, disse que naquele momento não queria, porque eu tinha outras opções, e nunca mais tive algum tipo de contato pra poder regressar ao Brasil", recorda o jogador de 33 anos, que ainda explica os motivos que o fazem continuar, ao menos por enquanto, atuando em solo europeu.

Fernando Reges, do Sevilla, levanta a taça da Liga Europa 2019/20 - Mattia Ozbot/Soccrates/Getty Images - Mattia Ozbot/Soccrates/Getty Images
Imagem: Mattia Ozbot/Soccrates/Getty Images

"Já vamos pra 13 anos [de Europa], e agora a gente quer ficar sempre aqui. Pra mim o Brasil é o melhor país do mundo, em termos de tudo. O problema do Brasil é que você não tem a segurança que tem na Europa, e a segurança é o mais importante, ainda mais quando você tem mais filhos. Então essas coisas você pensa duas vezes... E você fala: 'melhor eu ficar aqui porque tenho meus filhos, posso ter um problema'... Claro que não acontece em todos os lugares, mas pode acontecer. Aqui na Europa também pode acontecer, mas é muito mais difícil", diz.

"Fora a instabilidade que o país gera. É muita confusão política, coisas que a gente não queria passar, e minha família sente muito com isso. A gente tem estabilidade aqui, mas às vezes pensa 'vou voltar, quero estar perto da minha família', o Brasil é um país espetacular, eu posso comer bem, tem um clima espetacular, praias espetaculares, o povo é muito bom, não tem povo melhor, mas a gente pensa em segurança e acaba falando 'não, vou ficar aqui mesmo'", acrescenta o volante, que ganhou o apelido de Polvo na Europa.

Ida muito cedo para a Europa...

Fernando Reges (no chão), do Porto, desarma Cristiano Ronaldo, à época no Manchester United, em jogo da Liga dos Campeões de 2009 - Matthew Peters/Manchester United via Getty Images - Matthew Peters/Manchester United via Getty Images
Imagem: Matthew Peters/Manchester United via Getty Images

Fernando Reges deixou o Brasil com 19 anos, depois de uma rápida passagem pelo Vila Nova. Segundo ele, sua carreira 'sempre foi regada de coisa sobrenatural'.

"Foi muito difícil [sair cedo do Brasil]. Um menino que saiu de Alto Paraíso (GO), que não tem clube, uma cidade que vive do turismo, não tem nada a ver com futebol, e saí aos 15 anos pra conseguir fazer teste, fiquei seis meses no Gama, depois fui para o Vila Nova, fiz um teste e acabei ficando, em 2004. Eu joguei no juvenil e, no final de 2004, já me profissionalizei", conta.

"Foi uma carreira totalmente diferente, porque eu não esperava chegar tão rápido no profissional, e não tive base. Foi por teste, e cheguei ao profissional muito rápido, apenas dez meses no juvenil, diretamente ao profissional. Fiquei apenas dois anos no Vila Nova e, em 2007, já fui vendido para o Porto. Então minha carreira sempre foi muito regada de coisa sobrenatural. Sempre digo que é Jesus na minha vida. Claro que a gente tem que trabalhar, fazer nossa parte, mas também precisamos daquela ajuda de Deus", acrescenta.

... teve apoio decisivo do irmão

04.08.2013 - Fernando Reges, volante do Porto - KERIM OKTEN / EFE - KERIM OKTEN / EFE
Imagem: KERIM OKTEN / EFE

Fernando sofreu com a adaptação à Europa. E diz que a história poderia ter sido totalmente diferente - até com um retorno precoce ao Brasil - se não fosse o apoio de seu irmão.

"Eu tive muitas dificuldades. Primeiro por ter saído muito rápido de Alto Paraíso, e em quatro anos já estava na Europa. Aí você chega numa cidade com 19 anos, sem conhecer ninguém, vivendo sozinho, e de repente você pega o inverno europeu... Em Goiânia não tem inverno nenhum, é calor o tempo todo [risos]. E foi uma diferença muito grande. Apesar da língua ser igual, quando você chega em Portugal não entende os portugueses. Foi uma adaptação muito complicada. Meu irmão teve uma parcela muito grande em poder me ajudar. Jogador brasileiro sofre muito, quando chega na Europa você tem que passar por essa etapa, que é muito complicada, até porque, quando você tem 19 anos, quer estar com os amigos, sair, fazer algo diferente, então tive que abdicar disso e pensar só em futebol", lembra.

"Primeiro eu fui, e depois de três meses ele chegou. Só que em dez dias ele já queria ir embora, 'aqui eu não fico' [risos]. E ele é só dois anos mais velho do que eu. E minha mãe falando com ele no telefone acabou o convencendo de ficar, e passados seis meses eu falei: 'ó, vamos voltar para o Brasil, tem outros clubes que eu posso ir lá', porque eu estava emprestado, e ele: 'não, nós ficamos, agora vamos até o final', então ele me ajudou bastante. Talvez se ele não tivesse comigo nessa época eu tivesse desistido. Foi uma mão direita que me deu força pra seguir".

Pep Guardiola x técnicos portugueses

Fernando conversa com Pep Guardiola após vitória do Manchester City sobre o Manchester United pela Premier League, em 2016 - Clive Brunskill/Getty Images - Clive Brunskill/Getty Images
Imagem: Clive Brunskill/Getty Images

Fernando Reges jogou seis temporadas pelo Porto até chegar ao Manchester City, na metade de 2015. Primeiro, trabalhou com Manuel Pellegrini. Depois, foi a vez de ser comandado pelo técnico que hoje é considerado por muitos o melhor do mundo: Pep Guardiola. Mas se com o chileno Fernando era titular, o mesmo não aconteceu com o ainda treinador dos Citizens.

"Eu tinha mais um ano de contrato [quando Guardiola chegou ao City]. Só que joguei pouco com ele, tive poucas possibilidades, e aí cheguei nas pessoas que trabalhavam comigo e disse: 'sei que tenho mais um ano de contrato, mas preciso jogar mais', e foi quando surgiu a Turquia, porque todos os outros clubes que me queriam, na Itália, na Espanha, queriam por empréstimo. Só que como eu só tinha mais um ano de contrato, o City não queria deixar. Mas eu queria sair pra jogar. E foi quando surgiu a possibilidade de o Galatasaray me comprar", conta Fernando.

O brasileiro reconhece as qualidades de Pep, mas também faz uma ressalva: "É um treinador diferenciado. Quando você vê um treinador e todo mundo fala dele, é porque algo diferente ele tem. E quando a gente via o Barcelona jogar, a gente falava 'o que esse cara tem que os outros não têm?'. Aí comecei a trabalhar com ele e comecei a prestar atenção, né? Estou trabalhando com o melhor treinador do mundo, então vou ver o que ele faz diferença. Ele tem muitas coisas boas, só que não tem tanta coisa diferente do que os técnicos portugueses tinham".

"O único detalhe é que ele trabalha no detalhe, ele preza pelos mínimos detalhes possíveis. Mesmo no treinamento, ele quer que você faça um passe muito bem feito, quer cobrar tudo que você vai fazer, e essas coisas fazem muita diferença. Então o time dele está sempre por cima em relação aos outros", acrescenta.

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