PUBLICIDADE
Topo

Futebol

Lugano "temia" cavadinha de Loco Abreu, que nem bateria último pênalti

Loco Abreu cobra pênalti de cavadinha para classificar o Uruguai para a semifinal da Copa de 2010 - Cameron Spencer/Getty Images
Loco Abreu cobra pênalti de cavadinha para classificar o Uruguai para a semifinal da Copa de 2010 Imagem: Cameron Spencer/Getty Images

José Edgar de Matos e José Eduardo Martins

Do UOL, em São Paulo (SP)

02/07/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Em 2 de julho de 2010, Loco Abreu classificava o Uruguai para a semifinal da Copa do Mundo com uma "cavadinha".
  • O lance, um dos mais icônicos dos últimos Mundiais, era um "temor" de Diego Lugano, capitão e zagueiro uruguaio na época.
  • Em depoimento ao UOL, Lugano contou sobre as memórias da histórica vitória nos pênaltis sobre Gana.
  • "Não queríamos acreditar que ele fosse jogar todo o prestígio da vida dele, da história, e o nosso, arriscando uma cavadinha, né?", disse.
  • Lugano ainda contou que guarda em seu quarto no Uruguai um registro daquela partida e se recorda do choro de Luis Suárez.
  • O hoje atacante do Barça foi expulso ao fazer um pênalti no último minuto da prorrogação, salvando o Uruguai de levar o possível gol do adeus à Copa.

Há exatos dez anos, Loco Abreu entrava para a história da Copa do Mundo ao classificar o Uruguai para a semifinal do Mundial de 2010 com uma "cavadinha" na disputa por pênaltis contra Gana. A memória afetiva de hoje, na realidade, precedeu um momento de grande tensão. O time uruguaio sabia que o então atacante do Botafogo iria "aprontar", mesmo diante do palco e do peso da partida na África do Sul.

A ciência sobre a loucura de Loco Abreu foi relatada por Diego Lugano, que, em depoimento ao UOL Esporte, relembrou o histórico duelo para o futebol uruguaio e sul-americano. Então zagueiro e capitão da equipe na época, o superintendente de relações institucionais do São Paulo admite que temia pela ousadia do companheiro de equipe.

"Quando o [Oscar] Tabárez tinha dado para ele o terceiro pênalti e ele pediu o quinto, conhecendo ele [Loco Abreu], estava na cara que faria algo diferente para ficar na história. É a personalidade dele, mas era tanta a atenção e a vontade naquele jogo que não queríamos acreditar que ele fosse jogar todo o prestígio da vida dele, da história, e o nosso, arriscando uma cavadinha, né?", contou o uruguaio.

"Quando ele foi andando para a bola, com aquela tranquilidade e confiança, sabia que vinha o desejo de glória, porque o Loco é assim. Imediatamente veio na cabeça que o filho da mãe preferiria arriscar tudo, mas fazer o diferente e passar para a história. Ele fez a cavadinha porque sabia que entraria para história. Ele fala que é porque viu o goleiro, mas é mentira [risos]", relembra Lugano.

Todo o elenco uruguaio sabia da predileção de Loco Abreu "aprontar" no momento mais decisivo da Copa para a equipe até então. O pedido para encerrar a disputa e a caminhada tranquila ligou o alerta em Lugano, que tem um abraço no atacante como uma das imagens eternizadas pelas câmeras dos fotógrafos presentes no Soccer City, em Joanesburgo.

Lugano Loco Abreu - Jeff Mitchell - FIFA/Getty Images - Jeff Mitchell - FIFA/Getty Images
Lugano abraça Loco Abreu. Então zagueiro do time, dirigente do São Paulo temia por uma surpresa nos pênaltis
Imagem: Jeff Mitchell - FIFA/Getty Images

"Era para ser um gol diferente, um momento diferente, e para passar para a história. Tanto é assim que, dez anos depois, a pergunta é sobre a cavadinha do Abreu, sendo que a gente fez uma baita Copa do Mundo, não sofremos gol na primeira fase, Suárez foi monstruoso, Forlán, o melhor jogador da Copa...e a pergunta é da cavadinha!", diverte-se.

"Imagina se ele não sabia daquilo naquele momento? [risos]. Ele fez, e por isso tem ainda mais o meu respeito, porque é um buscador de glórias", sentencia o capitão e líder daquele histórico time uruguaio, que terminou com a quarta posição no Mundial da África do Sul.

Grande líder dentro de campo daquele Uruguai de 2010, Lugano viveu esta emoção, classificada como uma das maiores da carreira pelo próprio, do banco de reservas. Ainda aos 38min do primeiro tempo, as dores venceram Diego, um mero espectador dos momentos mais marcantes da partida contra os africanos.

Foto eternizada em casa

Antes de Abreu dar a eternizada "cavadinha", Luis Suárez teve um arco de herói em um espaço de poucos segundos. O atacante, um dos destaques da campanha histórica, impediu que Gana tomasse a frente no marcador no último minuto da prorrogação. Um detalhe, contudo, quase transformou o hoje 9 do Barcelona em vilão: o lance foi com a mão.

Suárez acabou expulso e assistiu do túnel a cobrança de Asamoah Gyan, que acertou o travessão e recolocou o Uruguai na disputa pela vaga na semifinal. Na verdade, o erro do ganês no último lance da partida serviu para aproximar o time sul-americano da classificação, na visão de Lugano.

"A gente sentia muita confiança, porque futebol acima de tudo é emocional. Aquilo que aconteceu com o pênalti desperdiçado no último minuto da prorrogação mexeu muito com o emocional da gente e também com o deles. Estávamos muito confiantes", recorda-se.

Godin, Scotti, Lugano, Suárez e Eguren comemoram a histórica vitória uruguaia sobre Gana - Shaun Botterill - FIFA/Getty Images - Shaun Botterill - FIFA/Getty Images
Godin, Scotti, Lugano, Suárez e Eguren comemoram a histórica vitória uruguaia sobre Gana
Imagem: Shaun Botterill - FIFA/Getty Images

Depois da vitória nos pênaltis, abraçar Suárez era uma consequência. Até hoje, Lugano guarda uma imagem ao lado do atacante para simbolizar aquele dia 2 de julho de 2010, um dos mais "intensos" vividos pelo ex-zagueiro.

"Temos uma foto que é a única foto que conservo na minha casa, tenho no meu quarto no Uruguai, que é subindo o túnel do estádio, imenso, longo. Na foto, estou abraçado com Suárez, Godín, Eguren e Scotti, nós éramos muito próximos. Ver a satisfação, a alegria e as lágrimas de Luis [Suárez] por ter ajudado a gente, por a gente ter dado o triunfo para ele, foi um dos momentos mais intensos e lindos, espontâneos, que vivi na minha vida dentro do futebol", encerra.

Futebol