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Dupla Gre-Nal aumenta tom e volta a pressionar Governo do RS por futebol

Pedro H. Tesch/AGIF
Imagem: Pedro H. Tesch/AGIF

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre

02/07/2020 04h00

Grêmio e Internacional voltaram a pressionar autoridades pela retomada do futebol, mas agora com acréscimo de declarações na imprensa e uso da opinião pública em seu favor. A ida do elenco gremista para Santa Catarina e a possibilidade por parte colorada de algo semelhante são as novas jogadas em um tabuleiro onde Prefeitura de Porto Alegre e Palácio Piratini seguem sem ceder nenhum espaço. No meio, existe até discurso sobre a iminente desistência do Gauchão.

O Gauchão não tem previsão de retorno e os clubes reclamam a falta de autorização para treinos com bola e contato entre jogadores.

Na segunda-feira (29), Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, declarou que "o futebol não é prioridade" e, horas depois, o Grêmio montou a ideia de se mudar para Criciúma-SC — onde deve ficar pelo menos sete dias.

A viagem é sustentada com o argumento de preparação para o Campeonato Brasileiro, projetado pela CBF para começar no fim de semana de 8 ou 9 de agosto. O Campeonato Gaúcho é visto como competição alijada do calendário, por conta dos protocolos estaduais e restrições adotadas nas últimas semanas — período em que aumentaram casos confirmados do novo coronavírus em nove regiões do Rio Grande do Sul.

"O Grêmio já pensa no Brasileirão", resumiu uma fonte ligada à direção gremista.

O clube, aliás, cogita mandar partidas do Campeonato Brasileiro fora do Rio Grande do Sul, em cidades catarinenses e do Paraná.

Do outro lado da cidade, o Internacional não ficou quieto após nova declaração do governador. Ao ouvir que não existe perspectiva para liberação de treinos, a alta cúpula colorada partiu ao ataque. Afirmou, em entrevistas, que vê preciosismo por parte das autoridades.

O Inter já cogita repetir a estratégia do Grêmio e levar elenco para treinar fora do Rio Grande do Sul. Amanhã (3), o Palácio Piratini vai atualizar sistema de distanciamento controlado e deve confirmar manutenção de restrições.

"Nós entendemos que o Grêmio está fazendo uma pressão no governo. Eu, se fosse governador, teria muita vergonha se os clubes saíssem do Estado para fazer treinamentos", disse João Patrício Hermann, vice-presidente do Inter, à Rádio Bandeirantes.

Em recente encontro com o secretário de Esporte e Lazer do Estado e o prefeito de Porto Alegre, Grêmio e Inter pediram aval para treinos com bola e contato. E afirmaram que caso a chancela não viesse, haveria pressão pública. Dito e feito.

Na mais recente atualização, o Rio Grande do Sul registrou 636 mortes por Covid-19. Aumento de 22 óbitos, na comparação com o balanço anterior. A taxa de ocupação em leitos de UTI é de 71,9% e liga alerta nas autoridades com risco de colapso na rede pública de saúde.

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