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Torcedor do Corinthians perde emprego após protesto e fala em perseguição

Emerson Márcio Vitalino, membro da Gaviões da Fiel, em ato na Paulista - Annelize Tozetto / Divulgação
Emerson Márcio Vitalino, membro da Gaviões da Fiel, em ato na Paulista Imagem: Annelize Tozetto / Divulgação

Adriano Wilkson

Do UOL, em São Paulo

07/06/2020 04h00

Emerson Osasco ganhou notoriedade ao participar de protesto contra o fascismo em São Paulo no último domingo (31). Mas a repercussão pode ter tido um impacto negativo em sua carreira. Desenvolvedor de software, ele teve seu contrato de trabalho rescindido um dia depois do protesto.

Emerson, que é diretor e conselheiro da torcida Gaviões da Fiel, além de lutador de muay thai, afirma que o motivo da rescisão foi sua participação no ato.

O torcedor de 35 anos confirmou presença na manifestação antifascista e pró-democracia marcada para hoje (7) no Largo da Batata, em São Paulo.

Emerson - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Na semana passada, ele foi uma das figuras mais comentadas do protesto ao erguer o punho no meio da Avenida Paulista e repetir o gesto do grupo antirracista Panteras Negras. Ao mesmo tempo, foi xingado por manifestantes pró-governo que também estavam na avenida.

"Após toda a repercussão, as imagens chegaram no meu serviço", afirmou o torcedor, que era contratado como pessoa jurídica da multinacional Softtek, empresa de tecnologia fundada em 1982 no México, com filial em Barueri (SP).

Procurada, a Softtek negou que tenha rescindido o contrato de Emerson por razões políticas, mas disse que não comenta casos específicos. "Nossas políticas de RH cumprem os regulamentos e estão alinhadas ao nosso código de ética", diz breve nota enviada à reportagem.

"Há um tempo atrás eu trabalhava como quarteirizado para a empresa. No mês passado, fui absorvido para ser terceiro direto. Meu contrato era de seis meses, e eu só recebia elogios pelo meu trabalho", conta Emerson. Ele diz que estava de home office na tarde seguinte ao protesto quando um gerente da Softtek ligou para informar que ele estava dispensado.

Torcedoras - Acervo pessoal/Dada Ganam - Acervo pessoal/Dada Ganam
Imagem: Acervo pessoal/Dada Ganam

Emerson afirma que no meio da conversa o gerente mencionou sua participação no ato como o motivo da rescisão. "Ele acabou falando que foi porque eu estava na Paulista e mencionou um vídeo que eu tenho com o Lula. Vou entrar com uma ação na Justiça porque foi uma perseguição política. Ficou evidente para mim que foi por causa disso", declarou.

Emerson foi candidato a vereador nas eleições municipais de 2016 pelo partido Solidariedade.

A manifestação pró-democracia de hoje foi convocada por um coletivo de torcedores, alguns ligados a torcidas uniformizadas.

O ato estava marcado para a Avenida Paulista, mas acabou indo ao Largo da Batata após decisão judicial impedir que militantes pró e contra o governo federal ser reúnam no mesmo local.

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