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Confederação ameaça banir lutador que fizer "baderna" em protesto

Luis Carlos de Souza, presidente da confederação de esportes de contato, afirma banir lutador arruaceiro - Divulgação
Luis Carlos de Souza, presidente da confederação de esportes de contato, afirma banir lutador arruaceiro Imagem: Divulgação

Adriano Wilkson

Do UOL, em São Paulo

06/06/2020 17h52

A Federação Paulista de Esportes de Contato (Fepau) e a Confederação Brasileira de Esportes de Contato (Confbec), entidades que congregam esportes de luta, ameaçam desfiliar e cassar os títulos de lutadores que se envolverem em "confronto, baderna ou briga" em protestos de rua marcados para amanhã (7) nas principais capitais do país.

A nota foi lançada depois que uma reportagem do UOL mostrou que a Polícia Civil identificou um plano de lutadores para fazer uma "guerra" na Avenida Paulista, em São Paulo, para onde estava marcado um protesto contra o presidente Jair Bolsonaro. Na manhã de hoje, após uma decisão judicial, os manifestantes antifascismo mudaram o local de seu ato para o Largo da Batata, na zona oeste da cidade.

"Todo e qualquer atleta que venha participar e ser identificado ou denunciado por baderna, brigas ou confrontos será imediatamente excluído dos quadros e será retirado do Ranking Nacional", afirma nota das entidades.

Manifestantes - Jardiel Carvalho/Folhapress - Jardiel Carvalho/Folhapress
Manifestantes a favor do golpe de 1964 na Paulista
Imagem: Jardiel Carvalho/Folhapress

Em entrevista ao UOL Esporte, o professor Luis Carlos Alves de Souza, presidente da Confbec, disse que a entidade não compactua com atos de violência e que "o tempo dos pitboys acabou".

"Nosso repúdio é para qualquer tipo de enfrentamento e violência por motivo político. A arte marcial não é isso. Não adianta professor e dono de academia convocar lutador para enfrentar baderneiro", disse o dirigente, em referência a diversos posts e vídeos transmitidos por redes sociais.

Ao longo da semana, atletas do Rio de Janeiro e de São Paulo fizeram circular convocatórias para o enfrentamento contra torcedores de futebol e grupos antifascistas, chamados pelos lutadores de terroristas. Grupos de Whatsapp foram formados para combinar as ações.

"Dia 7 estaremos na Paulista. Nós não vamos abaixar cabeça para antifa, comunista, STF, Alexandre Frota. Nós não somos covardes, vamos sim para Paulista. Já estamos convocando lutadores de jiu-jitsu, muay thai, policiais da reserva e intervencionistas", diz um homem no vídeo mais compartilhado.

Carlos Maiolino, presidente da Fepau, rebateu esse tipo de postura. "Não podemos deixar a imagem do nosso esporte associado a esse tipo de coisa. Nós vivemos do esporte, da saúde, respeitamos a lei e não vamos participar de confronto nenhum", afirmou.

Lutador afirma que protesta pacificamente

A participação de lutadores nas manifestações políticas das últimas semanas ganhou fôlego depois que o paranaense Wanderlei Silva capitaneou uma passeata em favor da bandeira brasileira, queimada no começo da semana em um protesto antifascista em Curitiba.

Chatuba - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Na esteira da ação, outros atletas das artes marciais, ideologicamente posicionados à direita, resolveram tomar partido. Muitos dizem ter se insurgido por identificarem atos de violência nas manifestações de esquerda.

O atleta de MMA André Chatuba foi um dos que admitiram publicamente a participação nos atos. Ele afirma que irá a um protesto de direita amanhã, em Copacabana, para defender os demais manifestantes de possíveis agressões. No Rio, o ato contra o racismo e fascismo está marcado para o centro da cidade, longe da praia na zona sul.

"Sempre tive minha posição política. Mas esta semana assisti diversos vídeos de pessoas que vinham fazendo manifestação pacífica semanalmente sendo chamadas injustamente de fascista e sendo agredidas covardemente. Esse grupo de agressores dizia estar fazendo aquilo por 'democracia'. Que democracia é essa onde se agride quem tem uma opinião política diferente da sua? Não só eu fiquei indignado com aquilo, mas diversos lutadores", disse Chatuba.

"Estaremos também nos manifestando domingo, e acredito que cada manifestante tem sua pauta. A minha é pela interferência e jogo político que não dá governabilidade ao presidente [Bolsonaro]. Além da defesa da pauta de manifestação, nós lutadores estaremos lá também para garantir que as pessoas se manifestem sem correr o risco de serem agredidas covardemente. A nossa manifestação será de forma pacífica, caso alguém venha nos agredir nós teremos que nos defender", completou.

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