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Em alta, Gabriel se lembra de Milan com Kaká e Robinho: "Não estava pronto"

Gabriel (à esquerda) jogou com Robinho e Kaká no Milan. Hoje, ele defende o Lecce - REUTERS/Alessandro Garofalo
Gabriel (à esquerda) jogou com Robinho e Kaká no Milan. Hoje, ele defende o Lecce Imagem: REUTERS/Alessandro Garofalo

Léo Burlá e Thiago Fernandes

Do UOL, em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro

07/05/2020 12h00

O torcedor do Cruzeiro talvez não se lembre, mas o clube foi responsável por formar um dos principais goleiros do futebol italiano na atualidade. Com passagens por Milan, Napoli e Cagliari, Gabriel se firmou no país europeu e, hoje, é titular absoluto do Lecce, que luta pela permanência na elite local.

Revelado na Toca da Raposa, o atleta de 27 anos jamais atuou entre os profissionais do time de Belo Horizonte. Figura frequente nas convocações das seleções de base, foi negociado com o Milan antes mesmo de defender os mineiros em campo. No time, atuou ao lado de grandes ídolos do esporte, como Kaká e Robinho.

Em um dos maiores clubes do mundo, não teve tantas oportunidades, mas aponta o motivo."Eu vim bem novo para a Europa. Eu tinha acabado de completar 19 anos, foi uma realização de um sonho. Sempre sonhei em vir para a Europa. Quando surgiu essa oportunidade, eu fiquei realizado. Foi tudo alegria, como uma criança que ganha um presente novo, foi tudo lindo. Quando cheguei à Europa, aqui na Itália, nos primeiros períodos, achei tudo lindo e maravilhoso, time e cidade. O aspecto mais difícil, talvez, tenha sido o priemiro inverno. Treinar em dia de neve é bastante complicado até você se adaptar", disse ao UOL Esporte.

"Olha, o Milan foi um período maravilhoso, sempre vou carregar com muito carinho no meu coração. Eu conheci pessoas maravilhosas, um clube vencedor e campeão. Porém, justamente por ser um clube vencedor e campeão, é necessário que você esteja pronto para jogar no Milan. E eu não estava pronto, nunca tinha jogado no profissional no Brasil. Eu precisava de experiência, de rodar e tudo mais. Acho que esse é o motivo principal para eu não ter uma grande sequência no Milan", acrescentou.

Goleiro Gabriel defendeu o Milan entre 2012 e 2018 - Lachlan Cunningham/Getty Images - Lachlan Cunningham/Getty Images
Goleiro Gabriel defendeu o Milan entre 2012 e 2018
Imagem: Lachlan Cunningham/Getty Images

Sem tantas oportunidades no clube do norte da Itália, passou a rodar por clubes do país. Entre 2014 e 2018, acumulou empréstimos, defendendo Carpi, Napoli, Cagliari e Empoli. Tudo isso aconteceu até a negociação em definitivo para o Peruggia.

"Período de empréstimos foi muito importante, porque foi onde eu consegui jogar, ter sequência de jogos, mostrar e tive a chance de ganhar dois campeonatos. Foi o que me proporcionou o que sempre precisei, sequência de jogos, bagagem, experiência. Eu pude crescer e amadurecer", comentou.

"A temporada no Peruggia foi muito bacana, um clube bem legal e uma das cidades mais legais da Itália, onde as pessoas comem bem, lugar bonito. A gente gostou muito, levo com muito carinho meu período no Peruggia", completou.

No início da temporada passada — em julho de 2019 —, Gabriel se transferiu para o Lecce. Na nova equipe, ele não tem dúvidas: vive o melhor momento da carreira.

"No Lecce, tem sido o melhor momento da minha carreira. Eu falo isso desde o início da temporada, porque é o primeiro lugar que tenho tido a sequência como titular aqui na Itália. Eu sonho em jogar em grandes clubes, mas sei que tenho degraus a serem escalados e estou muito feliz aqui no Lecce hoje", afirmou.

Gabriel defendeu a seleção brasileira durante os Jogos Olímpicos de 2012 - Moacyr Lopes Junior/Folhapress - Moacyr Lopes Junior/Folhapress
Gabriel defendeu a seleção brasileira durante os Jogos Olímpicos de 2012
Imagem: Moacyr Lopes Junior/Folhapress

Perto de obter a cidadania italiana e em alta no país, o jogador não cogita a possibilidade de defender a seleção local em detrimento do Brasil, equipe que atuou durante os Jogos Olímpicos de 2012 e em uma convocação profissional de Mano Menezes.

"Olha, já estou há oito anos na Itália e, com dez anos, você tem a cidadania italiana. Mas eu não cogito jogar na seleção italiana não. Meu sonho é jogar na seleção brasileira, um sonho desde criança e que tive a oportunidade de realizar. Joguei na seleção de base e fui convocado uma vez para a seleção principal. Eu tenho orgulho do meu país e das cores do meu país. Acho a Itália maravilhosa, um país fantástico, mas eu sou brasileiro", explicou Gabriel, que ainda relembra as convocações anteriores:

"A primeira convocação feita pelo Mano foi muito surpreendente. Eu não esperava de forma alguma. Eu estava convocado para um campeonato sub-19 com a seleção. A gente iria jogar um torneio no Japão. Aconteceu uma lesão do Gomes, e o Mano me convocou para o lugar dele. Eu estava subindo para o profissional do Cruzeiro, goleiro do júnior até então, e ser convocado para a seleção, sem nunca ter jogador pelo profissional, foi motivo de grande surpresa e alegria".

Confira, abaixo, outros trechos da entrevista com Gabriel:

Melhor fase na seleção brasileira

"É difícil escolher a participação mais relevante. Olimpíadas é um torneio inesquecível. Mas, na minha memória, tem a participação no Mundial Sub-20 da Colômbia. Fomos campeões. E quando você é campeão, tudo fica mais colorido. Levo com muito carinho esse título com a seleção sub-20".

Quarentena na Itália

"Estou aqui na Itália, já temos 45 dias em casa. Não tem sido um período fácil. Eu falo com a minha esposa que somos privilegiados, porque é um momento em que o mundo está sofrendo, pessoas estão passando dificuldades e, graças a Deus, nós estamos em casa. Estamos seguros, temos comida, segurança, espaço, a gente mora em uma casa com um jardim. Na medida do possível temos vivido muito bem dentro da situação negativa que o mundo tem enfrentado. Eu agradeço a Deus todos os dias por poder comer bem, estar em casa, ter espaço. Eu sei que é um momento em que as pessoas estão tendo que ficar em casa, infelizmente".

Redução salarial durante quarentena

"Sobre redução salarial, a diretoria é feita de pessoas muito corretas e muito boas para conversar. A gente está esperando a definição sobre quando o campeonato vai voltar, como será. A gente está esperando para sentar e definir algo bom para todas as partes. Nós entendemos que é um momento que o clube não está tendo arrecadações, porque não estamos jogando. O estádio não está podendo receber o público, nossa torcida. Eu vejo isso com naturalidade e tranquilidade, podemos sentar com a diretoria. É um momento que todos têm que se ajudar".

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