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Torcida do Grêmio frequentada por agressor de mulher chama ato de covarde

Vídeo mostra mulher sendo agredida por manifestante em ato contra o Congresso e pró-intervenção militar em Porto Alegre - Reprodução/Zero Hora
Vídeo mostra mulher sendo agredida por manifestante em ato contra o Congresso e pró-intervenção militar em Porto Alegre Imagem: Reprodução/Zero Hora

Do UOL, em São Paulo

20/04/2020 15h30

A diretoria da torcida organizada Super Raça Gremista lançou uma nota de esclarecimento sobre um homem que agrediu com socos e um chute uma mulher durante uma manifestação política ontem (19) em Porto Alegre. Em diversas fotos nas redes sociais, o homem identificado como o agressor aparece com o uniforme da organizada durante jogos do Grêmio e exibe uma carteirinha de filiação.

A organizada, porém, afirma que o agressor não é mais membro da torcida desde 2018, embora tenha frequentado a Arena do Grêmio junto com membros antigos da agremiação.

"O indivíduo [...] fez sim parte de nossa torcida cujo qual [sic] ele saiu já faz mais ou menos dois anos e [h]á muito tempo já não está no nosso quadro de sócios, muito raramente nos visitava em dias de jogos sem nenhuma responsabilidade conosco. Vale lembrar que ele já participou de outras torcidas do Grêmio e ultimamente frequentava os jogos no Setor Norte do estádio junto a [torcida] Banda e não conosco", escreveu a organizada.

"Nós nunca vamos aceitar COVARDIA e muito menos agressão a uma mulher. Não compactuamos com isso e nunca vamos compactuar. Lamentamos o ocorrido, mas ele e seus atos não nos dizem respeito algum. Temos membros e simpatizantes pelo Brasil todo, vendemos nossos materiais para qualquer gremista apaixonado, não fazemos uma filtragem de como a pessoa é em sua vida pessoal antes de vender o material."

Os torcedores se viram obrigados a vir a público depois que diversos internautas passaram a cobrar uma posição da organizada em relação ao militante, que foi flagrado agredindo uma mulher durante uma manifestação no centro da capital gaúcha.
Ontem, grupos conservadores se reuniram em diversas cidades do Brasil pedindo o fim do isolamento social contra a pandemia do novo coronavírus e proferindo ataques contra o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional.

Em imagens feitas pelo jornal "Zero Hora", o manifestante, enrolado em uma bandeira do Brasil, dá um soco e um chute na mulher, que protestava ao lado de um amigo, ambos vestidos com roupas vermelhas, cor associada à esquerda.

A fotógrafa Márcia Velasques, que também estava no local, afirmou depois ter sido agredida pelo mesmo homem. Com ferimentos nos lábios e na boca, ela acabou fazendo um boletim de ocorrência. Os jornalistas do grupo RBS, que filmavam a cena, também foram hostilizados. A polícia está investigando o caso.

"Em 2015 ele estava junto, mas não fez parte da diretoria", afirmou Laion Duarte, diretor de comunicação da Super Raça Gremista. "Eu até conheci ele nessa época, mas depois de 2018 não foi mais componente, virou só fã da torcida. Não compactuamos com briga política, a gente não quer nem saber. Se num protesto ele tivesse com camisa da Raça e feito alguma coisa, aí sim tomaríamos alguma atitude. Não concordamos com agressão a mulher, Deus o livre."

A reportagem não conseguiu contato com o suspeito.