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Joia do Santos hoje vive BBB na Tailândia com risco de denúncia e multa

Tiago Luís jogará a temporada 2020 pelo Rayong FC, da Tailândia - Divulgação
Tiago Luís jogará a temporada 2020 pelo Rayong FC, da Tailândia Imagem: Divulgação

Marcello De Vico

Do UOL, em Santos (SP)

29/03/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Tiago Luís está 'preso' em casa na Tailândia por conta do coronavírus
  • Atacante tem um rastreador no celular e toma multa se sair de casa
  • Ele ainda pode ser denunciado pelos locais; multa ultrapassa R$ 5 mil
  • Campeonato Tailandês, a princípio, volta apenas no dia 2 de maio

São 14 dias consecutivos sem colocar os pés para fora de casa e com o risco de ser denunciado e multado em mais de R$ 5 mil caso viole as regras de combate ao coronavírus. Esta é a nova rotina do atacante Tiago Luís, ex-joia do Santos que nos últimos dias viajou do Brasil para a Tailândia —onde nesta temporada defenderá o Rayong FC, time da primeira divisão do país.

Tiago Luís estava no Brasil se recuperando de uma lesão no menisco, tratada com o departamento médico da Chapecoense. Depois de ter o voo inicial cancelado e precisar comprar uma nova passagem, Tiago Luís deixou a América do Sul na terça-feira (24) e chegou à Tailândia no dia seguinte. Desde então, o jogador de 31 anos passou a viver uma vida que mais se assemelha ao confinamento do Big Brother Brasil.

Com 1.136 casos de coronavírus e uma morte confirmada, a Tailândia decretou estado de emergência na quinta-feira (26), o que, para Tiago Luís, significa não tirar os pés de casa, nem mesmo para ir ao mercado.

Para se ter ideia, um rastreador foi instalado no celular do jogador, através de um aplicativo, e qualquer escapada pode ser flagrada pelo sistema de monitoração do Governo. Além disso, ele pode ser denunciado por algum morador local, uma vez que, segundo novas determinações do país asiáticos, apenas quem vier de fora da Tailândia precisa seguir as regras mais rígidas.

Tiago Luís treina pelo Rayong FC - Divulgação
Tiago Luís treina pelo Rayong FC
Imagem: Divulgação

O 'esquema BBB' teve início assim que Tiago Luís pisou na Tailândia, ainda no aeroporto, onde uma série de burocracias e comprovações de que está saudável foram necessárias.

"Eles instalam um aplicativo em que você preenche todos os dados e, basicamente, é um rastreador, dizendo que, mesmo que você não tenha os sintomas, tem que ficar em casa por 14 dias, pelo fato de você ter vindo do Brasil ou de outro país", conta em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

"Desde ontem [quinta-feira, 26], ninguém mais entra nem sai do país. Foi um decreto de emergência", explica. "Logo passei no supermercado para comprar os mantimentos para os 14 dias, e está avisado. Não posso sair de casa. Se algum tailandês me denunciar, ou informar ao governo ou aos policiais, será cobrada uma multa de 40 mil bates [moeda usada na Tailândia], mais de R$ 5 mil aí no Brasil", acrescenta Tiago Luís.

Caso precise de alguma coisa da rua, o jogador precisará pedir através de algum aplicativo de celular ou contar com a boa vontade de funcionários do condomínio onde mora em Rayong.

"Logo que cheguei, as pessoas que trabalham aqui falaram: 'Olha, você precisa ficar de quarentena, por favor, não saia de casa. O que você precisar, liga, pede um delivery, ou liga para gente e peça que nós compramos para você'", afirma o atacante.

Por conta da lesão, Tiago Luís —que defendeu o Paysandu no ano passado— ainda não estreou com a camisa do Rayong. Segundo ele, o campeonato local foi adiado para o início de maio. Ainda assim, o prazo só será cumprido caso a situação no país esteja controlada.

"Aqui o campeonato começaria dia 18 de abril, mas estenderam para 2 de maio, até segunda ordem. Até quarta estavam abrindo os comércios, mas, com esse decreto, algumas coisas foram fechadas: bancos, shoppings ficaram só os mercados, farmácias, postos de gasolina... Restaurantes estão todos fechados também", completa.

Tiago Luís foi revelado na Vila Belmiro - Santos F.C (Divulgação)
Tiago Luís foi revelado na Vila Belmiro
Imagem: Santos F.C (Divulgação)

Confira outros tópicos da entrevista:

O que estava fazendo no Brasil?

Eu tive um problema no joelho, não muito grave, mas infelizmente tive que passar por um procedimento cirúrgico, no menisco, e acabei optando por operar no Brasil. Foi tudo bem com a cirurgia e, em uns 20, 25 dias com os fisioterapeutas da Chapecoense, já ficou tudo certo. Logo quando eu fui embora para o Brasil, dia 12 de fevereiro, estava começando aqui essa pandemia, que está afetando o mundo inteiro. Ainda não tinha chegado no Brasil, e fiz normalmente a cirurgia... Até quero agradecer o Dr. Mendonça e aos fisioterapeutas da Chapecoense que me recuperaram muito bem, praticamente em 25 dias.

Procedimento exigente para entrar na Tailândia

Em março começaram alguns casos da pandemia no Brasil, e até então ainda não tinha muita exigência. Eu já tinha mudado minha passagem, para me recuperar 100%, para o dia 25 dessa semana, que os casos começaram a aumentar e passou a ter cada vez mais exigências. Isso dificultou um pouco, mas fiz toda minha documentação e passei pelo teste do coronavírus no Brasil, peguei o certificado do Consulado Tailandês, que tinha uma assinatura do médico brasileiro comprovando que eu não tinha os sintomas e estava saudável para viajar. E também tive que levar o contrato de trabalho, pois quando eu voltei para a Tailândia, precisava passar por um procedimento de imigração.

Voo cancelado: "não estavam deixando entrar estrangeiros"

Quando eu fiquei sabendo, já tinha os documentos em mão, mas faltando três dias para a viagem recebi um comunicado de que a minha companhia aérea não ia viajar, e que o voo seria cancelado, porque nas escalas não estavam deixando entrar estrangeiros. Então tive que cancelar minha passagem e comprar outra às pressas, e só duas companhias estavam viajando para a Tailândia. Consegue embarcar, levando todos os documentos e contrato de trabalho e tudo mais... E logo na segunda-feira, quando embarquei, já tinha um comunicado do governo da Tailândia que na quinta-feira iriam fechar as estradas e teriam horários para sair de casa, das 5h da manhã às 8h da noite. Fora isso não pode sair de casa. Então foi muito rápido. Cheguei na quarta-feira, consegui um certificado, fui pela Etiópia Airlines, e lá deram outro certificado comprovando que não tenho os sintomas para entrar na Tailândia.

Voo vazio: "uns dez não conseguiram entrar"

Meu voo veio quase vazio, umas 50 pessoas, e dez não conseguiram entrar por causa dos procedimentos. Primeiro: quando você sai do avião, já fica um pessoal perguntando sobre os protocolos, e consegui passar. Aí fui para o segundo estágio: eles instalam um aplicativo em que você preenche todos os dados e, basicamente, é um rastreador, dizendo que, mesmo que você não tenha os sintomas, tem que ficar em casa por 14 dias, pelo fato de você ter vindo do Brasil ou de outro país. E aí tem a terceira etapa, em que você tem que apresentar a vacina internacional de febre amarela e também mostra o teste do covid-19, para comprovar que não está com o coronavírus. Eles ainda fazem uma checagem de temperatura, para saber se você está com febre ou não, e isso já leva até a imigração. Deu tudo certo e consegui passar.

Nova rotina de treinos: "dá pra dar aquela suada"

A gente tem que se virar como pode, né? Como todo mundo está postando, estou treinando em casa, temos que nos virar com o que tem. Mas dá pra fazer umas coisas, dar aquela 'suada', e estou treinando em dois períodos, de manhã e à tarde, para poder não perder tanto para quando voltar a treinar.

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