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Como Adilson Batista foi de demitido ao 'fico' em quatro horas no Cruzeiro

Técnico Adilson Batista, em treino do Cruzeiro na Toca da Raposa - Bruno Haddad/Cruzeiro
Técnico Adilson Batista, em treino do Cruzeiro na Toca da Raposa Imagem: Bruno Haddad/Cruzeiro

Enrico Bruno

Do UOL, em Belo Horizonte

12/03/2020 17h31

Um impasse tomou conta dos noticiários do Cruzeiro nesta quinta-feira (12). Desde o início da manhã, gestores entraram em reunião para discutir os resultados do clube e a situação de Adilson Batista. A primeira medida encontrada pela cúpula foi a demissão do técnico. No entanto, a saída de Adilson não chegou a ser oficializada porque a diretoria resolveu bancar o técnico e confirmar sua permanência cerca de quatro horas depois. Mas o que aconteceu para a mudança tão rápida de posicionamento dos principais administradores da Raposa?

A eventual saída de Adilson foi confirmada por fontes dentro do Cruzeiro ainda no final da manhã. Desta forma, seria apenas questão de tempo para que o clube oficializasse o desligamento. Adilson, porém, nunca chegou a ser informado sobre o assunto, e seguiu normalmente sua rotina de trabalho para a Toca da Raposa. Isso aconteceu porque a notícia sobre a saída já havia vazado e alguns membros importantes do Cruzeiro se manifestaram contra a demissão do técnico, deixando claro que a preferência pela demissão não era unânime no clube.

Além de Carlos Ferreira, interlocutor de futebol, a opinião de Pedro Lourenço pesou na manutenção de Adilson. Pedrinho, como é conhecido, é dono da rede Supermercados BH, patrocinador master do Cruzeiro. Conselheiro do clube, Pedrinho também é um parceiro financeiro importantíssimo dentro do Cruzeiro. Recentemente, foi com o seu auxílio que a Raposa conseguiu comprar o lateral Orejuela (hoje emprestado ao Grêmio) em definitivo, além de ajudar no pagamento dos salários do boliviano Marcelo Moreno.

Após uma conversa com o próprio Adilson Batista, o Cruzeiro assegurou que o técnico permanecerá no cargo. Em entrevista na sala de imprensa da Toca da Raposa, Carlos Ferreira não negou nem afirmou que o clube cogitou demiti-lo, se limitando a dizer que o técnico tem a confiança dos diretores para trazer melhores resultados ao time.

"Quero comunicar a vocês que o Adilson Batista é um homem trabalhador, de um caráter formidável. Todo mundo conhece o Adilson Batista, um homem íntegro e que merece todas as nossas considerações. O conselho gestor se reuniu desde as primeiras horas do dia. Algumas questões foram debatidas sobre o desempenho do time e sobre como nós definiríamos o futuro do Adilson Batista. Depois de muito debate, nós chegamos à conclusão pela permanência dele, e isso foi decidido devido às dificuldades que o Adilson está encontrando para desenvolver seu trabalho. Os resultados não são os esperados, mas nós confiamos no trabalho dele.

Infelizmente o resultado é o que move a permanência ou não de um técnico no futebol brasileiro. Existe algumas rejeições em relação ao trabalho do Adilson na torcida, a gente respeita, mas nós que acompanhamos o dia a dia estamos atento ao trabalho desempenhado por ele. E ele é merecedor do nosso apoio, esperamos vê-lo dando grandes resultados para o Cruzeiro", disse Carlos Ferreira.

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