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Futebol feminino


Corinthians fez a "maior" contratação do mercado, e não é quem você pensou

Andressinha é o principal reforço do Corinthians para a temporada 2020 do futebol feminino - Divulgação/SC Corinthians Paulista
Andressinha é o principal reforço do Corinthians para a temporada 2020 do futebol feminino Imagem: Divulgação/SC Corinthians Paulista

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

12/01/2020 04h00

A maior contratação do mercado da bola veio do Corinthians? Sim. E do futebol feminino. Se entre os homens, o Flamengo pagou R$ 34 milhões para levar Michael, a revelação do Campeonato Brasileiro, e o próprio time paulista gastou R$ 20 milhões para trazer Luan, o "Rei da América" de 2017, o departamento feminino fez algo que nenhuma equipe masculina fez: repatriou uma atleta de nível titular de seleção brasileira. Andressinha optou por deixar os Estados Unidos, mercado imponente da modalidade, para participar do projeto alvinegro.

Com duas Copas do Mundo, uma Olimpíada no currículo e considerada de classe mundial no futebol, Andressinha é o símbolo de um mercado da bola movimentado no futebol feminino. Desde o boom no Brasil com o sucesso midiático do Mundial da França e o crescimento da modalidade no país com os times populares, a modalidade apresentou uma revolução nesta pré-temporada para 2020.

São raros os casos como o de Andressinha no futebol brasileiro dos últimos 25 anos. O Corinthians superou a concorrência do grande mercado americano, que hoje tem a concorrência do europeu para dividir as melhores atletas profissionais de futebol.

Há de se lembrar que, no feminino, a volta ao Brasil no auge da carreira é mais comum. Em 2009, Marta defendeu o Santos por poucos meses enquanto estava sem jogos na liga dos Estados Unidos. Andressinha, por outro lado, deixou a disputa norte-americana para assinar definitivamente pelo clube alvinegro, o que ratifica a força do movimento corintiano no mercado da bola.

Além de trazer Andressinha, o Corinthians se reforçou com Poliana, ala também de seleção brasileira, e trouxe Pâmela do futebol chinês. De quebra, a diretoria manteve praticamente todo o elenco do histórico ano de 2019, que terminou com os títulos Paulista e da Libertadores, além de uma sequência ativa de 45 partidas de invencibilidade.

Corinthians foi campeão da Libertadores Feminina em 2019; time já havia conquistado o torneio em 2017 - Reprodução/Twitter/LibertadoresFEM
Corinthians foi campeão da Libertadores Feminina em 2019; time já havia conquistado o torneio em 2017
Imagem: Reprodução/Twitter/LibertadoresFEM

Das titulares, a grande baixa é a artilheira Millene. Eleita a melhor jogadora do Campeonato Brasileiro Feminino, a centroavante deixou o clube de Parque São Jorge após o ano vitorioso. Em contrapartida, Arthur Elias ganha os retornos de Gabi Nunes e Adriana, que perderam praticamente toda a temporada passada por questões físicas.

A qualificação do elenco, entretanto, vem acompanhada com a melhora dos outros dois rivais da capital. Tanto Palmeiras quanto São Paulo, que jogam neste ano a Série A-1 do Brasileirão, aumentaram o investimento e reforçaram o time para esta temporada.

Palmeiras se reforça com ex-rivais

Palmeiras trabalhou na Academia de Futebol, treina hoje (12) no Allianz e se reforçou para 2020 - Priscila Pedroso/Palmeiras
Palmeiras trabalhou na Academia de Futebol, treina hoje (12) no Allianz e se reforçou para 2020
Imagem: Priscila Pedroso/Palmeiras

Promovido ao Brasileirão depois de voltar ao futebol feminino em 2019, o Palmeiras se reforçou bem para o primeiro ano na elite. Ao todo foram oito atletas contratadas, com a experiente Rosana liderando nomes importantes que vestirão alviverde nesta temporada.

Para melhorar o nível da equipe, a diretoria do futebol feminino palmeirense tirou peças fundamentais dos rivais e ainda olhou para o mercado estrangeiro, trazendo a argentina Agustina, que representou o país sul-americano na Copa do Mundo do ano passado.

Em relação aos rivais, do Santos veio a meio-campista Angelina, capitã da seleção sub-20. Já do vice-campeão paulista São Paulo, o Palmeiras se reforçou com Ary Borges e Ottilia, que se viram no meio de uma polêmica com torcedores pela troca de rivais para 2020.

O Palmeiras ainda trouxe Stefany, campeã mundial de futsal para surdos e destaque já na apresentação na Academia do Futebol, e a goleira Kaká, ex-Osasco Audax.

A estreia deste projeto reforçado será justamente diante do arquirrival Corinthians, dia 9 de fevereiro, pela primeira rodada do Brasileirão.

São Paulo responde perdas com artilheira do Santos

Eleita a melhor atacante do Brasileirão de 2019, Gláucia acertou contrato com o São Paulo - Lucas Figueiredo/CBF
Eleita a melhor atacante do Brasileirão de 2019, Gláucia acertou contrato com o São Paulo
Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

Se o São Paulo perdeu Valéria para o futebol espanhol, Ary Borges e Ottilia para o Palmeiras e ainda corre o risco de testemunhar a saída da renomada atacante Cristiane, a diretoria trouxe a atacante Gláucia, vice-artilheira da Série A do ano passado pelo Santos, e mais 12 jogadoras para reforçar o elenco nesta reestreia na elite.

Ao lado de Gláucia, a diretoria do futebol feminino tricolor investiu em Duda, que estreou pela seleção em dezembro do ano passado e deixou o futebol da Noruega, tradicional país entre as mulheres, para retornar ao Brasil e vestir a camisa do tricolor do Morumbi.

Ao todo, o clube trouxe 13 novidades para o técnico - oito atletas contratadas (Gláucia, Duda, Thais Helena, Gislaine, Dani, Mirla, Kamilla e Ana Caroline) e cinco oriundas da categoria de base (Lauren, Miriam Cristina, Rafael, Giovaninha e Emily).

Entre as destaques do vice-campeonato paulista e do título da Série A-2 de 2019, a permanência da meio-campista Yayá chama a atenção. Convocada pela técnica Pia Sundhage, a jogadora de apenas 17 anos renovou para representar o São Paulo na elite do futebol nacional.

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