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Por retorno ao G6, Inter se apega a trunfo que fracassou na Copa do Brasil

Lucas Faraldo

Do UOL, em São Paulo

08/11/2019 04h00

"Em casa a gente resolve." A emblemática fala de Paolo Guerrero na saída de campo da Arena da Baixada, em Curitiba, após a derrota do Internacional para o Athletico-PR no jogo de ida das finais da Copa do Brasil carrega valor de aposta num trunfo que, no fim das contas, não evitaria novo revés para os rubro-negros em Porto Alegre. E que agora parece novamente abraçado pelo Colorado: o fator casa.

Sem vencer no Beira-Rio há um mês e meio, o Internacional joga suas últimas fichas por uma vaga na Libertadores de 2020 justamente nas quatro partidas agendadas para casa nas sete rodadas restantes do Campeonato Brasileiro. Foi esse o recado transmitido pelo técnico Zé Ricardo e pelo diretor executivo de futebol Rodrigo Caetano nas entrevistas concedidas pós-derrota para o Ceará na noite de ontem (7).

"A decepção é grande, mas temos de olhar para frente. São quatro jogos em casa, não tem nada perdido", disse Zé Ricardo. "Temos de nos fazer impor dentro de casa para que possamos ser abraçados pela torcida para conquistar os três pontos domingo [contra o Fluminense] (...) Chamar o torcedor nesse momento é difícil, mas gostaria de fazer uma força todos nós, os colorados envolvidos, para fazermos um jogo melhor", reforçou.

Pouco antes, citando "não existir mágica" para melhorar a situação do Internacional, Caetano mencionou a importância de apresentar um bom futebol diante da torcida colorada. O embate contra o Fluminense no Beira-Rio é o primeiro de uma sequência que também tem os seguintes adversários até o fim do Brasileirão: Corinthians (fora), Fortaleza (casa), Goiás (c), Botafogo (f), São Paulo (f) e Atlético (c).

"Não existe mágica. Você tem de conversar muito, preservar ao máximo os atletas na questão dos treinamentos, desgastes físico e mental. Mas é isso que temos de vencer para que tenhamos desempenho dentro de campo. É isso que tentaremos resgatar. O tempo urge e não podemos correr o risco de voltar a não vencer em casa", pontuou o dirigente.

Após a derrota para o Athletico que culminou no vice da Copa do Brasil, o Inter venceu o jogo seguinte que fez, também no Beira-Rio, contra a Chapecoense, então lanterna do Brasileirão, na abertura do returno. Desde aquele 22 de setembro, a equipe não vence mais em casa. Foram empates contra Palmeiras, Santos e o próprio Athletico, além de uma derrota para o Vasco. No primeiro turno, o Colorado havia vencido oito vezes e empatado duas nas dez partidas que disputou sob seu mando em Porto Alegre.

Paralelamente à queda brusca de desempenho em casa, os comandados de Zé Ricardo convivem com um jejum de vitórias independente de mando de campo. Após a vitória sobre o Bahia, em Salvador, na estreia do novo treinador, o time engatou sequência de empate e duas derrotas que custou a vaga no G6 — foi ultrapassado pelo Corinthians na classificação nessa última rodada.

"Temos aspirações ainda, temos que conseguir a vaga à Libertadores, temos de estar na parte de cima da tabela", cobrou Caetano. "Mesmo nessa fase negativa, não podemos ficar nos remoendo. Nos cobramos, os jogadores se cobram. Temos sete jogos ainda e precisamos vencer (...) Foi esse grupo que levou o Internacional à final da Copa do Brasil e é esse grupo que pode nos levar à Libertadores ano que vem", concluiu.

"Tive uma excelente impressão no primeiro jogo, contra o Bahia, os atletas querendo, realmente", disse Zé Ricardo. "Sabemos que a parte mental é fundamental para qualquer um na vida render em sua profissão. Vamos atacar nesse aspecto. Mas acho que nós, comissão, diretoria, somos os primeiros a estar amanhã (8) de cabeça de pé para dar exemplo, porque não tem mal que dure para sempre", finalizou.

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