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Felipão é o que mais resiste na era Mattos, mas repete script de demissões

Leandro Miranda

Do UOL, em São Paulo

03/09/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Felipão se tornou o sexto treinador demitido por Mattos no Palmeiras
  • Desde 2015, o time sempre trocou de técnico no meio do ano
  • Último treinador a completar uma temporada no Palmeiras foi Gilson Kleina, em 2013

A demissão do técnico Luiz Felipe Scolari, concretizada pelo Palmeiras no início da noite de ontem, manteve um padrão que aconteceu em todos os anos da gestão de Alexandre Mattos como diretor de futebol do clube. Desde 2015, sempre um treinador foi mandado embora no meio da temporada durante momento de oscilação ou má fase da equipe. Apesar de ter sido o que mais resistiu no cargo, ficando mais de um ano no comando do time, Felipão repetiu esse script.

A primeira "vítima" foi Oswaldo de Oliveira, que havia chegado no início de 2015 e foi demitido em junho, após começar o Brasileirão com uma vitória, três empates e duas derrotas. Chegou Marcelo Oliveira, que ganhou a Copa do Brasil daquele ano, mas foi mandado embora em março de 2016 depois de começo muito ruim na Libertadores.

Para o lugar de Marcelo, chegou Cuca, no único trabalho que não foi interrompido por decisão da diretoria. O técnico ficou até o fim do ano e foi campeão do Brasileiro de 2016, mas decidiu deixar o clube depois disso por questões pessoais. Veio Eduardo Baptista para iniciar 2017, mas ele não resistiu nem cinco meses. Foi demitido em maio, depois de derrota para o Jorge Wilstermann na Libertadores.

Cuca voltou, mas a passagem não foi nem de longe tão bem-sucedida quanto a primeira e também só durou cinco meses. Ele foi demitido em outubro após empate com o Bahia no Pacaembu. Alberto Valentim ficou como interino até o fim do ano, e Roger Machado foi a aposta da vez para 2018.

Apesar de bom aproveitamento e da melhor campanha na fase de grupos Libertadores, Roger foi demitido em julho após perder do Fluminense no Maracanã. Veio Felipão e comandou uma reação impressionante para conquistar o título brasileiro do ano passado. Mas a queda de rendimento após a Copa América deste ano, somada às eliminações na Copa do Brasil e na Libertadores e à postura totalmente apática do time na derrota por 3 a 0 para o Flamengo, selou a sexta demissão da era Mattos.

Vale frisar que a constante troca de treinadores no Palmeiras não é uma exclusividade da gestão de futebol atual. Neste século, somente cinco treinadores começaram e terminaram uma mesma temporada no clube: Jair Picerni (2003), Caio Júnior (2007), Vanderlei Luxemburgo (2008), Felipão (2011) e Gilson Kleina (2013).

A diferença principal é que, no período Mattos, que engloba gestões dos presidentes Paulo Nobre e Maurício Galiotte, o Palmeiras voltou a ser uma potência financeira, graças a fatores como o patrocínio da Crefisa, a reestruturação administrativa, o saneamento de dívidas passadas e o aporte do Allianz Parque.

O clube também foi campeão em quase todos os anos: foram dois Brasileiros (2016 e 2018) e uma Copa do Brasil (2015). Nem isso, porém, impediu a "dança dos técnicos" em momentos de pressão. O próximo nome a desafiar esse padrão será Mano Menezes, anunciado hoje pelo Palmeiras.

Os técnicos efetivos do Palmeiras desde 2015:

  • Oswaldo de Oliveira (demitido em junho de 2015)
  • Marcelo Oliveira (demitido em março de 2016)
  • Cuca (saiu por razões pessoais em novembro de 2016)
  • Eduardo Baptista (demitido em maio de 2017)
  • Cuca (demitido em outubro de 2017)
  • Roger Machado (demitido em julho de 2018)
  • Felipão (demitido em setembro de 2019)

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