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Pia, a nova estrela do Brasil: técnica estreia com goleada e gesticulação

Pia Sundhage, durante partida entre Brasil e Argentina - Marcello Zambrana/AGIF
Pia Sundhage, durante partida entre Brasil e Argentina Imagem: Marcello Zambrana/AGIF

Karla Torralba

Do UOL, em São Paulo

29/08/2019 23h25

O protagonismo no banco de reservas da seleção brasileira de futebol feminino nunca esteve tão evidente quanto agora. A sueca Pia Sundhage estreou como técnica do Brasil no Torneio Uber de Futebol Feminino hoje (29), no Estádio do Pacaembu, em São Paulo. Mais do que as jogadoras, foi ela a principal novidade no gramado e quem recebeu mais carinho da torcida. O resultado do jogo, goleada de 5 a 0 sobre a Argentina, só aumentou seu status de nova estrela do futebol brasileiro.

"Pia! Pia! Pia!". Foi assim que a torcida no Pacaembu de mais de 11 mil pessoas recebeu a sueca, que sorriu, acenando alegremente. Do lado de fora do gramado, o nome de Pia estava na boca do povo. Todos exaltavam a representatividade de ter uma mulher no comando da seleção feminina, mas também o quanto a "sueca é boa", como definiam torcedoras com quem o UOL conversou antes da partida.

Caroline Lima foi ao Pacaembu como a líder de uma família de nove pessoas. Era ela quem dava as coordenadas sobre a importância do time feminino e sobre quem é Pia Sundhage. "Foi a melhor coisa que poderia acontecer. Por ela ser mulher, claro, mas porque tem muita bagagem, muita experiência de Copa do Mundo", disse Carol sob os olhares atentos da mãe Márcia e das outras integrantes da família.

O outro grupo de amigos lamentou a ausência da estrela Marta, lesionada, mas também lembrou da treinadora sueca. "Ela é muito boa e isso vai melhorar o futebol feminino do Brasil. Ter uma mulher representando é ainda melhor", comentaram as amigas Vanessa Frutuoso e Annelise Streich.

Palmeiras e Corinthians se juntaram para ver a seleção feminina contra a argentina. Alana Takano, do Movimento Alvinegras, e Tainá Shimoda, do Verdonnas, foram convidadas ao estádio por uma ação na internet do Guaraná Antarctica, patrocinador da CBF, mas avisam logo que prestigiariam o Brasil mesmo sem o convite. "Eu sempre acompanho o feminino. Queria ser jogadora, mas agora como torcedora. Graças a Deus a Pia foi escolhida como treinadora. É o começo de uma renovação", analisou Tainá.

Alana concordou. "Eu sempre liguei o futebol feminino a ela e pensava em como essa mulher é boa. A CBF aproveitou o gancho a Copa para a mudança e foi ótimo".

Divulgação
Imagem: Divulgação
O jogo da estreante

Ainda sem falar português e precisando de tradução para ser entendida pelas jogadoras, a linguagem do futebol acabou entendida por todas as atletas. Pia apelou para gestos e pulos. Quando não era suficiente, quem gritava era a auxiliar Beatriz Vaz, fiel ouvinte da sueca que transmitia cada instrução. Na saída de bola brasileira, Pia apontava com a mão para indicar a melhor jogada a seguir. A sueca também levou em mãos um caderninho, onde fez anotações.

Muito superior à Argentina, o Brasil dominou e fez o que Pia queria ver no ataque: gols. O primeiro deles foi de Ludmila aos 17 minutos após boa jogada de Bia Zaneratto, um dos destaques do jogo. Ela tocou rasteiro pela esquerda para a atacante abrir o placar. A reação do banco de reservas foram pulos e abraços. Pia aplaudiu mais contida.

Mas nada que durasse muito. A cada bola perdida, mesmo sem perigo, Pia Sundhage, falava com Beatriz Vaz e uma instrução era repassada. O domínio brasileiro logo virou mais gols. Bolas cruzadas pelo lado esquerdo do ataque foram as principais armas para assustar a Argentina e ampliar o placar aos 33 minutos e 35 minutos do primeiro tempo.

Os gols foram de Formiga, de cabeça, depois de cobrança de falta de Andressa Alves; e Debinha, que aproveitou o cruzamento da esquerda de Tamires para fazer 3 a 0. No terceiro gol, Pia substituiu os aplausos e se soltou mais ainda com pulinhos de alegria.

Os pulos, aliás, foi uma marca da treinadora no jogo. Fosse no ataque ou na defesa, Pia pulava para ser notada e fazer mais gestos ou mesmo para comemorar a marcação de uma falta para a seleção brasileira antes da vitória virar goleada, aos 13 minutos do segundo tempo, com gol de Erika, de cabeça depois de cobrança de escanteio. O último gol foi contra, de Juncos, já no fim do segundo tempo.

A treinadora se fez presente a todo momento e pareceu mais próxima das jogadoras. Na substituição de Ludmila no segundo tempo, Pia falou com a jogadora rapidamente e terminou com um abraço.

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