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Seleção Brasileira

Sem Neymar, seleção volta a vencer Copa América com divisão de protagonismo

Danilo Lavieri, Marcel Rizzo e Pedro Lopes

Do UOL, no Rio de Janeiro

07/07/2019 19h03

Classificação e Jogos

Sem Neymar, cortado por lesão antes do início da competição, a seleção brasileira voltou a conquistar uma Copa América após 12 anos, ao bater o Peru por 3 a 1 no Maracanã. Na ausência de seu principal jogador, que costuma atrair para si os holofotes dentro e fora de campo, os comandados de Tite encontraram novos protagonistas e narrativas para voltar a vencer dentro de casa. O Brasil não vencia uma Copa América desde 2007, e um título com a equipe principal desde a Copa das Confederações de 2013.

O ambiente brasileiro sem o atacante do PSG foi bem diferente do da Copa do Mundo de 2018, quando Neymar foi centro das atenções durante boa parte da competição. Mesmo nos primeiros dias da preparação para a Copa América, até o corte na madrugada do dia 6 de junho, o jogador esteve em evidência, enfrentando uma acusação de estupro, perdendo alguns treinamentos com dores no joelho e transitando de helicóptero com companheiros durante as folgas na Granja Comary.

Com o corte após o amistoso diante do Qatar, as coisas mudaram. Em um Brasil que teve Everton como artilheiro com três gols, foram vários protagonistas. A defesa sólida, ancorada por Alisson, Thiago Silva e Marquinhos; a atuação de marcar a carreira de Dani Alves; a ascensão de Everton Cebolinha e Gabriel Jesus no decorrer da competição, este último formando uma parceria ofensiva com Roberto Firmino considerada improvável até o início da competição.

Alisson, Marquinhos, Thiago Silva e laterais formam defesa sólida na competição

Alisson Brasil Peru - Marcello Zambrana/AGIF - Marcello Zambrana/AGIF
Alisson sofreu apenas um gol em toda a competição
Imagem: Marcello Zambrana/AGIF

Consolidado como um dos principais goleiros do mundo, Alisson não foi muito exigido durante a Copa América. Quando foi, reagiu sempre com segurança, com defesas importantes, principalmente diante da Argentina. Atuações seguras de Thiago Silva e Marquinhos, este último um dos destaques da competição, com papel importante na saída de bola. Com ajuda dos laterais Dani Alves, na direita, ora Filipe Luís, ora Alex Sandro na esquerda, e do volante Casemiro, a defesa do Brasil passou pela competição sendo vazada apenas uma vez.

No caso de Dani Alves, a atuação defensiva vem acompanhada de uma demonstração de que o lateral de 36 anos ainda tem muito a contribuir com a seleção. Dani teve diante da Argentina, na semifinal, uma das maiores atuações da carreira. Firme e impecável na defesa, fundamental no ataque, descendo para o meio, construindo jogadas e desmontando a defesa rival no lance do primeiro gol. Na final, novamente em alto nível contra os peruanos, acabou consagrado com o prêmio de melhor do torneio.

O bom desempenho não vem sem problemas para Tite, que agora terá que planejar o futuro da seleção. Peças importantes como Thiago, Filipe e Dani tem mais de 33 anos - não há substitutos claros, e o processo de renovação visando o Qatar em 2022 é desafiador.

Casemiro, a segurança no meio e a missão de parar Messi

Casemiro seleção brasileira - Amanda Perobelli/Reuters - Amanda Perobelli/Reuters
Casemiro atuou bem e ainda marcou o primeiro gol com a camisa da seleção nesta Copa América
Imagem: Amanda Perobelli/Reuters

O volante do Real Madrid teve a mais ingrata das missões defensivas durante a Copa América: conter Lionel Messi no confronto contra a Argentina, nas semifinais. Para cumprí-la, contou com o plano de Tite de dobrar a marcação em cima do camisa 10, com ajuda principal de Alex Sandro, mais preso durante sua partida. Messi teve seus momentos, acertou a trave de Alisson, mas não encontrou o caminho das redes e saiu derrotado por 2 a 0.

Jesus conquista posição durante a competição e decide. Cebolinha vira xodó

Gabriel Jesus comemora - Pedro Vilela/Getty Images - Pedro Vilela/Getty Images
Gabriel Jesus comemora o gol anotado na final da Copa América
Imagem: Pedro Vilela/Getty Images

Na Copa de 2018, Gabriel Jesus foi muito criticado - torcedores cobraram de Tite a entrada de Roberto Firmino como centroavante. Na Copa América, o processo foi inverso: do ataque titular planejado inicialmente, com Richarlison, David Neres e Firmino, apenas o atacante do Liverpool permaneceu.

Everton entrou bem nos confrontos contra Bolívia e Venezuela, na fase de grupos, e ganhou a posição de forma definitiva contra o Peru, mesmo adversário da final. Com os dribles verticais, sempre partindo para cima do adversário, virou válvula de escape da seleção pelo lado esquerdo e xodó da torcida, que gritou seu nome com entusiasmo em todas as partidas.

Gabriel Jesus teve boas atuações nos amistosos, e também ganhou a posição. Tite, entretanto, surpreendeu ao não utilizar o atacante do Manchester City centralizado, mas sim aberto pelos lados, formando uma até então inédita parceria com Firmino. Jesus ainda sofreu pressão pelo jejum de gols com a camisa da seleção em competições oficiais. As críticas terminaram com a atuação decisiva diante da Argentina, com um gol e uma assistência.

Na decisão, mesmo cenário: gol e passe para Cebolinha balançar as redes diante dos peruanos. Nem a expulsão na segunda etapa tirou o papel fundamental de Gabriel Jesus na reta final da competição.

Neymar sofre com lesões e volta a ser envolvido em especulações sobre transferência

Neymar camarote - Juan MABROMATA / AFP - Juan MABROMATA / AFP
Neymar esteve em um camarote do Maracanã para acompanhar a final da Copa América
Imagem: Juan MABROMATA / AFP

Enquanto o Brasil conquistou a Copa América, Neymar tratou a lesão no tornozelo direito que o tirou da competição: a terceira no mesmo local, quinta no pé direito, que vem causando dor de cabeça ao atacante nos últimos anos. O brasileiro também voltou a estar no centro de uma potencial grande transferência, após ter dito a diversos amigos e pessoas próximas que deseja retornar ao Barcelona, onde viveu dias mais felizes.

Isso tudo enquanto ainda se defende das acusações de estupro modelo Najila Trindade. O bom funcionamento da seleção sem sua estrela, e o primeiro grande título da era Tite colocam em questão, de forma inédita, o status absoluto de Neymar na equação da seleção brasileira, na medida em que o atacante batalha questões pessoais, tenta reerguer sua imagem e espantar os fantasmas das lesões.

Até agora, o treinador brasileiro tem feito questão de defender o jogador, e ressaltar sua importância. "Tecnicamente, é imprescindível, sim. Quando a gente fala imprescindível, isso não quer dizer insubstituível. É imprescindível pela qualidade no grupo. Mas insubstituível ninguém é, em lugar nenhum, em nenhum posto''.

Os desdobramentos da conquista da Copa América e seu potencial impacto na trajetória de Neymar e da seleção começam a ser sentidos em setembro, quando o Brasil enfrentará Colômbia e Peru em amistosos nos EUA.

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