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Guerrero vira artilheiro em 10 jogos e coloca Inter em outro patamar

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

24/05/2019 09h18

Paolo Guerrero só precisou de 10 jogos para virar artilheiro do Inter na temporada. Ontem, na vitória por 3 a 1 sobre o Paysandu, em duelo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil, o peruano marcou duas vezes e as boas atuações catapultam a expectativa da equipe gaúcha.

"A nós não surpreende (o rendimento do Guerrero). Quando a gente fez o movimento que fez, foi com muita convicção, um movimento que sabíamos que poderíamos ter que aguardar um tempo, e foi o que aconteceu. Falar do passado é complicado, mas tenho certeza que, se ele tivesse conseguido jogar ano passado, a gente teria, quem sabe, mais ao menos umas três vitórias no campeonato, brigado até o final pelo título. Mas não foi possível. Neste ano está desempenhando o futebol que sabemos que ele tem. Se alguém não acreditava quando trouxemos, não era aqui dentro", disse.

"Nós tínhamos convicção. O que surpreende um pouco é que tão rápido ele consegue ter essa sequência. São muitos jogos, não dá tempo de treinar, mas ele mostra que além de um grande jogador é um grande atleta, profissional, se preparou para voltar a jogar, e certamente é um dos maiores centroavantes que apareceu nos últimos tempos no Internacional", disse o vice-presidente de futebol Roberto Melo.

Guerrero marcou em sua estreia, contra o Caxias, no início de abril, pelo Gauchão. Fez dois no jogo seguinte, pela Libertadores, contra o Palestino. Depois passou em branco contra o Grêmio duas vezes e o Alianza Lima, e voltou a marcar contra o Flamengo, pelo Brasileiro. Não marcou contra o Palmeiras, marcou contra o Cruzeiro, passou em branco diante do CSA, e fez dois contra o Paysandu, agora pela Copa do Brasil.

Para o técnico Odair Hellmann, o bom rendimento do peruano se deve, além da qualidade já conhecida, ao rendimento coletivo da equipe.

"O Paolo (Guerrero) é um grande jogador, de experiência internacional, de qualidade técnica, um exímio finalizador. Ele agrega, e agregaria a qualquer plantel. Mas eu acho que ele caiu no momento certo, na hora certa, no lugar certo. Para que ele se sinta à vontade, tem o grupo que o acolheu, a direção, a comissão técnica, a recepção que teve com os jogadores, e a equipe estar num patamar, numa consolidação, estruturada para que ele possa entrar e o coletivo respaldar ele individualmente. Se o grupo não estivesse nesta consolidação coletiva e ele entrasse, mesmo com a qualidade técnica que tem, talvez tivesse mais dificuldade. Todos têm méritos. Ele chegou no lugar certo, na hora certa", comentou o treinador.

Pré-convocado pela seleção peruana para disputa da Copa América, Guerrero tem 35 anos e três pela frente de vínculo com o Colorado. Até agora, o alto investimento para sua chegada tem sido totalmente justificado em campo.

"Estamos felizes que ele esteja bem, se sentindo à vontade, produzindo. Mas temos que ressaltar a direção que se esforçou, o grupo que o recebeu e estava estruturado para que ele também pudesse, com essa qualidade, dar uma boa resposta. Que bom que ele está fazendo os gols. Não podemos deixar de lembrar que quando ele não jogou, contra o River (Plate, pela Libertadores), o Sobis entrou e fez dois gols. Respondo individualmente, mas gosto de dar importância ao todo. Se o todo não funcionar, um jogador sozinho não ganha nada. Vamos conquistar títulos com o todo, como está sendo até agora. E daí a individualidade faz a diferença", completou o treinador.

O Inter volta a campo no domingo para encarar o Santos pelo Campeonato Brasileiro.