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Athletico assume culpa por doping: "jogadores foram absolutamente vítimas"

Mário Celso Petraglia, presidente do Conselho Deliberativo do Athletico - Geraldo Bubniak/AGB/Folhapress
Mário Celso Petraglia, presidente do Conselho Deliberativo do Athletico Imagem: Geraldo Bubniak/AGB/Folhapress

Do UOL, em Santos (SP)

13/05/2019 14h44

O presidente do Conselho Deliberativo do Athletico Paranaense, Mario Celso Petraglia, concedeu uma entrevista coletiva na tarde de hoje para dar esclarecimentos sobre os casos de doping dos jogadores Thiago Heleno e Camacho. Eles ingeriram um suplemento alimentar chamado Higenamina, substância que é proibida pela Agência Mundial Antidoping (WADA, sigla em inglês).

Antes de responder às perguntas da imprensa, ele fez um pronunciamento no qual colocou o clube como '100% responsável' pelo ocorrido, acrescentando ainda que os jogadores foram 'absolutamente vítimas'.

"Lamentavelmente, nós fomos surpreendidos na última sexta-feira pela Conmebol que o Thiago havia ingerido uma substância que é considerada doping. Foi uma surpresa enorme na sexta-feira à noite. O nosso atleta Camacho também nos avisou que havia tomado [o suplemento] e nós, no processo de defendê-los, assumimos a culpa. O clube assumiu a responsabilidade e não poderia ser diferente. Que isentem os atletas e não se perdoe quem tem culpa. O clube vai pagar pelo erro que cometeu", afirmou Mario Celso Petraglia.

"Queremos buscar a isenção dos atletas, eles foram absolutamente vítimas. Lamentavelmente, a legislação também nos penaliza em função deles terem ingerido um produto que está listado como impeditivo", acrescentou.

De acordo com o 'homem forte' do Athletico Paranaense, o clube agora tem como principal objetivo, além de minorar a pena, evitar que essa situação não afete a imagem dos jogadores, uma vez que 'o doping é uma coisa forte na vida do profissional do esporte'.

"Temos que buscar que essa situação não afete a imagem do atleta. O doping é uma coisa tão forte na vida do profissional do esporte que é um tabu e dessa vez eles não podem ficar com essa marca porque foram vítimas da instituição", disse.

"O clube já contratou advogado e o nosso objetivo é minorar a pena dos atletas, que estão muito tristes por essa situação. Vamos fazer tudo que estiver ao nosso alcance para fazer com que o Thiago Heleno e o Camacho tenham a menor pena possível", afirmou.

Petraglia classificou o caso como inadmissível e disse que foi aberta uma sindicância dentro do clube para investigar tudo que aconteceu e deixou de ser feito para que isso fosse evitado.

"Lamentavelmente, a vida nos proporciona situações difíceis e essa é uma das piores que vivi nessas duas décadas que estou no clube. Perfeição não existe, mas essa falha não poderia ter existido Fomos surpreendidos por uma falha interna de profissionais do clube que nós abrimos uma sindicância e processo administrativo interno para buscar todas as informações do ocorrido", declarou.

Depois do pronunciamento, Petraglia passou a responder perguntas da imprensa. Em uma delas, afirmou que não há possibilidade de o Athletico Paranaense ser punido no episódio. Ele ainda revelou que a substância encontrada no exame é a Higenamina, presente em vários suplementos alimentares, e negou que Bruno Guimarães e João Pedro tenham ingerido a mesma substância.

"[João Pedro] É a mesma especulação do Bruno Guimarães, que foi retirado do jogo em Buenos Aires e disseram que foi por causa do doping. O João Pedro disse que não tomou, mas poderia ter tomado. O presidente do Paraná me ligou e disse que o menino não poderia jogar pois estava com dores no tornozelo. Às vezes as induções são corretas, outras não", opinou.

Thiago Heleno foi apanhado pela Comissão Antidopagem da Conmebol no jogo de volta contra o Tolima, dia 9 de abril, pela fase de grupos da Copa Libertadores, e está suspenso preventivamente. Já Camacho realizou o exame na partida contra o Jorge Wilstermann, dia 24 de abril, e ainda aguarda contraprova.