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Mbappé mudou: bocudo e rebelde, atacante vira problema no PSG

PASCAL ROSSIGNOL/REUTERS
Imagem: PASCAL ROSSIGNOL/REUTERS

João Henrique Marques

Colaboração para o UOL, em Paris (França)

29/04/2019 04h00

Há algum tempo, Thomas Tuchel detectou um nervosismo excessivo no comportamento de Kylian Mbappé. Bateu de frente, discutiu e aplicou punições. As medidas do treinador alemão do Paris Saint-Germain não surtiram o efeito esperado e o lado furioso do francês ficou explícito com uma entrada desleal no zagueiro Da Silva, do Rennes, e a expulsão na final da Copa da França no sábado - PSG foi derrotado nos pênaltis para o Rennes, no sábado, no estádio Saint-Denis, em Paris, após empate por 2 a 2 nos 120 minutos.

Mbappé fez algo inimaginável ao erguer as travas da chuteira e procurar machucar o adversário em uma dura cena que, provavelmente, irá custar punições por parte da Federação Francesa. Contra o Rennes, o atacante teve atuação ruim, desperdiçando duas chances claras de gol, e foi eleito como o pior em campo de maneira unânime pela mídia francesa.

"Vocês não sabem, mas ele teve dores musculares ontem (sexta-feira), e teve que deixar o treino. Isso mexe com a cabeça de um jogador ainda mais jovem como ele", defendeu Tuchel.

Fama de bocudo

Aos 20 anos, o lado rebelde de Mbappé fica cada vez mais evidente. O UOL Esporte já ouviu do entorno dos brasileiros do PSG (Thiago Silva, Neymar, Marquinhos e Daniel Alves) que o atacante francês tem comportamento enérgico nos vestiários, tendo a fama de "bocudo" por exagerar em reclamações.

Por críticas ao time recentemente, Mbappé já foi repreendido por Tuchel nos vestiários. O francês disse que os jogadores do PSG se comportaram "como debutantes" na goleada sofrida para o Lille, por 5 a 1. No jogo seguinte, a derrota por 3 a 2 para o Nantes, ele ficou de fora da lista de relacionados, com o treinador alemão alegando que a decisão era por uma necessidade de descanso.

Mbappé já estava chateado com Tuchel por ter ficado no banco de reservas no empate por 2 a 2 contra o Strasburg, pelo Campeonato Francês. O atacante luta pela Chuteira de Ouro, o prêmio de maior goleador entre as grandes ligas europeias, e acredita que perdeu minutos preciosos na perseguição a Messi.

Problemas com Tuchel por atrasos

Os problemas com Tuchel na temporada não foram vividos apenas dentro de campo. Em novembro de 2018, o atacante francês, juntamente com o volante Rabiot, já havia levado punição do treinador com o banco de reservas na vitória por 3 a 1 em clássico contra o Olympique de Marseille por ser reincidente em atrasos na preleção do time. A ausência em questão foi justificada com o fato de que assistia ao clássico entre Barcelona x Real Madrid pela televisão.

"Me dói ter que o punir, mas será o melhor a ele", comentou Tuchel.

"A atitude já foi tomada, isso é uma coisa do treinador e deles. Têm, sim, que respeitar os horários, e eles acabaram falhando nessa parte. Eles sabem, são grandes jogadores, importantes para a nossa equipe, e a gente acaba sofrendo por causa disso. Mas isso é uma coisa interna. Depois o Kylian entrou e acabou resolvendo o jogo para a gente", afirmou Neymar à época.

Os problemas da ocasião demoraram a ser contornados, segundo apurou a reportagem. Mbappé seguiu por um bom tempo sem concordar com a punição e só se acalmou depois de conselhos do goleiro Buffon para que respeitasse qualquer decisão de Tuchel.

Neymar criticou jovens do PSG

Neymar PSG - Martin Bureau/AFP - Martin Bureau/AFP
Imagem: Martin Bureau/AFP

Após a derrota do Paris Saint-Germain na final da Copa da França, Neymar fez duras críticas aos jovens "respondões" do PSG. O brasileiro detalhou problemas de comportamento vivido nos vestiários.

"O balanço da temporada que faço é de ser mais homem dentro do vestiário, mais unido. Todo mundo tem de correr. Pelo que vejo, ali tem muito jovem que é um pouco, não digo perdido, mas faltam mais ouvidos do que a própria boca", criticou Neymar.

"Algum cara mais experiente fala e eles retrucam, ou o próprio treinador fala e eles retrucam. Isso não é um time que vai longe, ou que vai ter sorte no final. A gente peca nisso. Precisamos ter mais inteligência de administrar isso, e eles mais do que nós. A gente tem bagagem e eles precisam respeitar mais, da mesma forma que eu, que escutava bastante e respeitava quando comecei. Eles precisam seguir esse caminho também", complementou.

No elenco do PSG, os franceses Dagba, de 20 anos, e Diaby, de 19, são os jovens na primeira temporada no clube. Os dois atuaram na final diante do Rennes. Já Kimpembe, de 22, e Mbappée são os jovens jogadores presentes na maior parte dos jogos do time na temporada. Eles, no entanto, não figuram em quadro de inexperientes, tendo na bagagem o título da Copa do Mundo de 2018 com a França.

Em outro momento da entrevista, Neymar foi perguntado sobre a conversa realizada com Mbappé pela expulsão diante do Rennes. "Agora não é hora de conversar (com Mbappé). Claro que ele é muito jovem ainda, e tem muito o que aprender. Não só ele. Mas ele vai saber que ele está mais visado agora. Qualquer falta que ele fizer mais dura com ele será amarelo, vermelho. Infelizmente é assim", disse o camisa 10.

Errata: o texto foi atualizado
Ao contrário do que informado anteriormente, o PSG foi goleado pelo Lille. A goleada não foi sofrida pelo Lille. O erro foi corrigido.

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