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Baier recorda papel em queda do Corinthians e legado nos pontos corridos

Ex-jogador de Goiás, Athletico e Palmeiras é o segundo maior artilheiro dos pontos corridos: 106 gols - Almeida Rocha / Folha Imagem
Ex-jogador de Goiás, Athletico e Palmeiras é o segundo maior artilheiro dos pontos corridos: 106 gols Imagem: Almeida Rocha / Folha Imagem

Augusto Zaupa e Vanderlei Lima

Do UOL, em São Paulo

27/04/2019 04h00

Segundo maior goleador na era dos pontos corridos, com 106 gols, Paulo Baier tem grande identificação com o Brasileirão. Com mais de 21 anos de carreira como jogador, o agora treinador recordou, em entrevista ao UOL Esporte, de parte de seu legado na Série A: o jogo que sacramentou o rebaixamento do Corinthians, as dificuldades de superar Rogério Ceni, a parceria com Edmundo e o convívio com Tite.

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Apesar de ter defendido o Palmeiras na temporada de 2006, Baier nega que tenha um gosto especial por ter participado indiretamente na queda do arquirrival Corinthians. Em 2 de dezembro de 2007, o Goiás precisava vencer o Internacional para seguir na elite nacional. Quando a partida estava empatada por 1 a 1, o lateral Vítor foi derrubado na área pelo colorado Orozco.

Baier foi designado para cobrar as penalidades e errou duas vezes. O árbitro Djalma José Beltrami Teixeira, no entanto, mandou voltar a cobrança ao alegar que o goleiro Clemer havia se adiantando. No terceiro pênalti, o meia Élson, enfim, mandou a bola para rede. O resultado manteve o Goiás na Série A, ocasionando o rebaixamento do Corinthians - o time paulista apenas empatou com o Grêmio por 1 a 1, na última rodada daquele Brasileirão.

"Não teve nada demais. Se chegou na reta final e caiu, tem que ser cumprido. Independentemente de qualquer time, isso aí faz parte do futebol. Começa de novo. Trabalha de novo. Quantos clubes que caíram e agora estão muito bem no cenário? Mesmo o próprio Corinthians, o Grêmio e o Internacional. Todos os três caíram e estão melhores hoje", analisou o ex-jogador.

Exímio cobrador de faltas e com 106 gols anotados na era dos pontos corridos do Brasileirão - é superado apenas pelo atacante cruzeirense Fred, com 142 gols - Baier recordou que tinha dificuldades para superar o ex-goleiro Rogério Ceni nas partidas diante do São Paulo.

"Se eu não estiver enganado, foram dois ou três gols que eu fiz nele. Mas era muito difícil fazer gol no Rogério Ceni. Eu fiz um quando eu estava no Palmeiras, em Presidente Prudente, pelo Brasileiro de 2006 [Palmeiras 3x1 São Paulo], foi o segundo gol de pênalti. O outro gol foi na Arena da Baixada, que fiz de cabeça pelo Athletico Paranaense [vitória por 1x0, em 2009]", comentou o gaúcho de 44 anos, que chegou a brincar com o atual treinador do Fortaleza sobre o caso.

"Eu o encontrei uma vez em Criciúma. O Fortaleza iria jogar contra o Criciúma. Fui fazer uma visita para ele e falei: pô, era difícil fazer gol em você, hein! O Rogério era um baita goleiro e fez história no futebol brasileiro. Quando eu falei isso, ele só deu risada e não falou nada", brincou.

Parceria com Edmundo
Rubens Cavallari/Folhapress
Imagem: Rubens Cavallari/Folhapress

A passagem pelo Palmeiras durou pouco mais de um ano. Foram 64 jogos e 15 gols marcados. O curto período, no entanto, deixou boas lembranças ao ex-jogador. Ao lado de Edmundo, a dupla terminou o Brasileirão de 2006 com dez gols cada um.

"Fiquei muito feliz de ter trabalhado no Palmeiras, foi um time sensacional. Logicamente, as coisas não andaram do modo que gostaria. Mas fiquei muito satisfeito. Tanto que, junto com o Edmundo, fomos os artilheiros do Palmeiras. Eu penso que eu deixei um bom legado lá", analisou Baier, que já havia atuado ao do agora comentarista, em 1999.

"O Edmundo era o meu parceirão. Nós jogamos juntos no Vasco. Eu era o único que aguentava ficar no quarto com o Edmundo [risos] porque eu sei como ele é. Ele é meio de lua, tem dias que dá bom dia e tem dia que não. Ele é assim. Mas ele é um cara que eu aprendi muito e que eu tenho uma admiração muito grande", relembrou.

Convívio com Tite

Em 2006, pouquíssimos apostariam que Tite um dia comandaria a seleção brasileira numa Copa do Mundo. Antes de ser apontado como um dos melhores treinadores do mundo, o técnico gaúcho rodou por vários times, inclusive no Palmeiras, onde passou por apenas quatro meses. Mesmo como o pequeno período de convívio, Baier é só elogios ao treinador.

"Para mim, é um dos melhores treinadores que eu já trabalhei e tenho muito orgulho de ter já trabalhado com o nosso treinador da seleção brasileira", enalteceu o ex-jogador e recordou um caso de superação.

"Uma vez num jogo contra o Santos, na Vila Belmiro, eu errei um passe e dei curta a bola para o Diego Cavalieri, que era o nosso goleiro. O Wellington Paulista fez o gol e, logicamente, as críticas vieram [o Palmeiras foi goleado por 5 a 1, no Brasileiro de 2006]. Mas o Tite bateu no meu peito e disse que confiava em mim. Na partida seguinte, marquei um dos gols na vitória sobre o São Caetano [3x1]. São nessas coisinhas que o Tite é diferenciado", avaliou.

Centésimo gol sobre o clube onde é ídolo

A relação de Paulo Baier com o Brasileirão teve início em 1997, quando defendia o Criciúma. O time catarinense foi onde o ex-lateral/meia despontou como profissional e, por ironia do destino, o seu centésimo gol pelo torneio na fase dos pontos corridos foi justamente sobre o Tigre.

"Lógico que tem vários gols que me marcaram, mas tem um especial. Foi na vitória do Athletico Paranaense por 2 a 1, em 2013. Eu chutei de fora da área e a bola foi no ângulo, foi um belo gol, o meu centésimo. Isso marcou a história no futebol brasileiro. O torcedor do Criciúma me aplaudiu. É bacana esse reconhecimento", recordou.

Carreira de treinador
Albert Egon/Toledo EC
Imagem: Albert Egon/Toledo EC

Depois de 21 anos atuando como profissional, Paulo Baier anunciou a aposentadoria em junho de 2016. Mas a relação com o futebol não se encerrou ali. Poucos meses depois, veio a proposta de comandar o Toledo na disputa do Campeonato Paranaense de 2018.

"Eu joguei até os 41 anos e sei do que o jogador necessita. Eu consigo ter essa liderança. Então é questão de oportunidade, estão chegando novos treinadores. Tem muita gente no mercado, tudo é uma questão de encaixe. Não adianta ter os melhores jogadores porque às vezes não encaixa com o perfil do treinador", disse o agora treinador, que, após deixar o clube do Paraná, comandou o Próspera, onde foi campeão da Série C do Catarinense, e o Brusque, também de Santa Catarina.

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