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Justiça dos EUA determina que Marin devolva R$ 520 mil à Conmebol e à Fifa

Brendan McDermid/Reuters
Imagem: Brendan McDermid/Reuters

Do UOL, em São Paulo

21/11/2018 10h27

A juíza Pamela Chen, do Tribunal Federal do Brooklyn, determinou na última terça-feira que o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, devolva sozinho US$ 137.532,60 (cerca de R$ 520 mil) aos cofres da Conmebol e da Fifa em um desdobramento dos escândalos de corrupção conhecidos como Fifagate.

Este valor é correspondente a salários e benefícios que foram recebidos pelo dirigente entre 2012 e 2015, período em que ele ocupava cargos nas entidades Ao todo, Marin e outros condenados, como o ex-presidente da Conmebol Juan Angel Napout, terão que restituir US$ 2,1 milhões (cerca de R$ 7,8 milhões) para a Fifa e Conmebol.

A quantia, porém, é inferior ao pedido pelas entidades no caso de corrupção. A Conmebol estimava receber US$ 93,7 milhões (aproximadamente R$ 350 milhões), sendo que Marin seria responsável por US$ 7 milhões (cerca R$ 26 milhões) viriam de Marin. A Fifa solicitava US$ 28 milhões (cerca de R$ 105 milhões) dos condenados.

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Deste total que Marin sozinho terá que devolver, US$ 118 mil serão destinadas à Conmebol e US$ 19.532,60 para a Fifa. Ele ainda dividirá com Napout uma restituição de US$ 24 mil (cerca de R$ 90 mil) à Fifa Marin atualmente cumpre pena de quatro anos nos Estados Unidos.  Em dezembro de 2017, o cartola foi considerado culpado em seis acusações: conspiração para organização criminosa, fraude financeira nas Copas América, Libertadores e do Brasil e lavagem de dinheiro nas Copas América e Libertadores.

Entenda o caso

Marin foi um dos dirigentes da Fifa detidos no dia 27 de maio de 2015 em um hotel de luxo de Zurique pela polícia da Suíça, a pedido da justiça dos Estados Unidos.

Depois de passar cinco meses em uma prisão suíça e ser extraditado aos Estados Unidos, pagou uma fiança de US$ 15 milhões e passou dois anos em prisão domiciliar, em seu apartamento na Trump Tower na Quinta Avenida de Nova York, de onde saía apenas duas vezes por semana para assistir à missa.

Marin foi preso imediatamente em Nova York após sua condenação, anunciada em 22 de dezembro de 2017. Após sete semanas de julgamento no tribunal do Brooklyn, um júri popular o considerou culpado de seis das sete acusações de associação criminosa, lavagem de dinheiro e fraude bancária por aceitar subornos ligadas a contratos da Copa Libertadores e da Copa América.

Durante o julgamento, a defesa o apresentou como um idoso sem poderes, a quem a presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) caiu no colo de surpresa em 2012, para preencher o espaço deixado pela inesperada renúncia do até então poderoso Ricardo Teixeira.

E insistiu que, embora Marin fosse o presidente, não fazia nada sem Marco Polo Del Nero, com quem compartilhava os subornos.

Durante um jantar em 2014, Marin foi gravado falando sobre propinas por José Hawilla, empresário também acusado que colaborava com a justiça americana e que faleceu em maio deste ano.

No escândalo conhecido como Fifagate, a justiça americana acusou 42 pessoas e empresas de 92 crimes e de aceitação de mais de US$ 200 milhões em subornos.

Dos 42 acusados, três já morreram. Vinte e dois se declararam culpados e dois já foram sentenciados.

Quatorze permanecem em seus países, como Teixeira e Del Nero, este último banido pela Fifa de atividades relacionadas ao futebol. Del Nero nunca foi detido ou acusado no Brasil.

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