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Operação Cartola: MP denuncia dirigentes de Botafogo-PB e Campinense

Zezinho, presidente do Botafogo-PB, é um dos denunciados - Reprodução
Zezinho, presidente do Botafogo-PB, é um dos denunciados Imagem: Reprodução

Marcello De Vico

Do UOL, em Santos (SP)

04/09/2018 19h11

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) denunciou 11 dirigentes de Botafogo-PB e Campinense-PB envolvidos na Operação Cartola, deflagrada no início do ano pela Polícia Civil e que trouxe à tona um esquema de corrupção no futebol paraibano – incluindo a manipulação de resultados.

Entre os denunciados estão o presidente do Botafogo-PB e ex-vereador de João Pessoa (PB), conhecido como Zezinho do Botafogo, o vice-presidente do Botafogo-PB, Breno Morais, e o ex-presidente da Comissão de Arbitragem da Paraíba, José Renato.

Vale lembrar que Botafogo-PB e Campinense-PB foram, respectivamente, campeão e vice do Campeonato Paraibano 2018. O UOL Esporte mostrou, em reportagens anteriores, suspeitas de desvios de rendas de jogos, súmulas adulteradas e influência da Federação em julgamentos, entre outras práticas ilegais.

A primeira denúncia da ‘Operação Cartola’ foi realizada em junho deste ano contra 17 pessoas acusadas de constituir a Organização Criminosa (Ocrim) e praticar diversos crimes para manipular o resultado das partidas de futebol.

Quatro inquéritos policiais foram instaurados para checar a participação de clubes no esquema de manipulação: Treze, Botafogo, Sousa e Campinense. As investigações resultaram no oferecimento de mais duas denúncias, cada uma específica para um clube (Botafogo e Campinense). Já os inquéritos contra dirigentes de Sousa e Treze foram arquivados.

Documento de denúncia de dirigentes do futebol paraibano - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Os denunciados:

Botafogo-PB
1. José Freire da Costa (‘Zezinho Botafogo’, presidente do clube)
2. Guilherme Carvalho do Nascimento (‘Novinho’, vice-presidente)
3. Francisco de Sales Pinto Neto (diretor)
4. Alexandre Cavalcante Andrade Araújo (procurador do clube)
5. Breno Morais Almeida (dirigente do clube)
6. Alex Fabiano dos Santos (empresário)
7. José Renato Albuquerque Soares (Zé Renato, ex-presidente da Comissão de Arbitragem)
8. Tarcísio José de Souza (árbitro assistente)

Campinense
1. José William Simões Neto (William Simões, presidente)
2. Danilo Ramos da Silva (gerente)
3. Francisco Carlos do Nascimento (árbitro da decisão do Estadual 2018)

Como a Operação começou

As investigações da Operação Cartola tiveram origem em um inquérito instaurado pela Delegacia de Defraudações de João Pessoa sobre supostos desvios de valores nas prestações de contas da FPF.

De acordo com o Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), do MPPB, o controle e a manipulação de jogos e resultados se dava há pelo menos dez anos por parte de dirigentes da FPF, de integrantes da Comissão de Árbitros, além da participação da presidência e da procuradoria do TJDF. Nesse período, várias denúncias foram arquivadas, sem que tivessem sido apuradas. O objetivo principal da organização era obter vantagens econômica, política e associativa.

Os denunciados pelo MPPB incorreram nos crimes de organização criminosa, falsidade ideológica e crimes contra o futebol (Estatuto do Torcedor). As investigações apontam que a organização se dividiu em núcleos com atribuições distintas que, após praticar os crimes principais (a manipulação dos resultados das partidas de futebol), utilizavam-se de influência política e social, para praticar diversos outros delitos subsidiários, que eram imprescindíveis para o sucesso da empreitada criminosa, como a utilização de documentos falsos, a intimidação de testemunhas, a ocultação e destruição de provas, entre outros.

Os resultados dessas ações geravam elevados desvios econômicos, prejuízos financeiros e prejuízos que também atingiam a esfera moral da sociedade, com o descrédito no futebol paraibano. A manipulação dos resultados das partidas de futebol se dava através de fraudes nos sorteios dos árbitros escalados, direcionando os juízes que integravam a Orcrim para atuarem nas partidas cujos resultados interessavam ao grupo criminoso. As fraudes também ocorriam durante a arbitragem dos jogos para beneficiar algumas equipes.

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