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Novo Diego Costa? Promessa brilha no Real e pode trocar Brasil por EUA

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Marcus Alves

Colaboração para o UOL, em Lisboa (POR)

04/08/2018 04h00

No fim de abril, o Flamengo participava de uma competição de base na Itália, a Verona Soccer Cup. Ao fim de um dos jogos, a delegação rubro-negra se reuniu com a do Real Madrid, campeão, para posar juntas para uma foto.

Entre os espanhóis, estava o brasileiro André Costa, nascido em São Paulo, mas que, ainda novo, se mudou com a família para Weston, nos Estados Unidos. O meia de 16 anos não tem a fama de Casemiro e Marcelo, não é tão badalado quanto Vinícius Jr., não custou tanto quanto Rodrygo ou exigiu o mesmo esforço em sua contratação que Augusto Galván e Rodrigo ‘Farofa’, ex-São Paulo e Palmeiras, respectivamente.

Mesmo ainda sem o cartaz de seus compatriotas em Santiago Bernabéu, o canhoto habilidoso começa a se destacar e está no centro de uma disputa que se desenha em torno de seu futuro: Brasil contra Estados Unidos. Com o passaporte espanhol próximo de sair, ainda pode contar com mais uma alternativa para escolher entre as seleções.

A promessa, que morou no Brooklin, zona sul de São Paulo, até os cinco anos, foi abordada recentemente pelo diretor de scouting da federação americana, Tony Lepore, para participar de um período de treinos.

“A gente tem nacionalidade americana pelos anos que vivemos nos Estados Unidos”, conta o pai André Luiz Costa, que trabalha com comércio exterior, ao UOL Esporte.

“Eles iam convocar agora para um período de observação com outros atletas, não seria competição. Por enquanto, deixamos em stand-by. Um funcionário deles entrou em contato e a gente deixou em aberto, temos interesse, sim, e vamos ver quando for algo mais concreto”, completa.

Na região da Flórida, André Costa atuou pelo Weston, uma das mais tradicionais academias de futebol do país.

Em 2014, ele mudou mais uma vez de casa por causa da família e veio parar na Espanha. Passou rapidamente em teste no Leganés, mas, como era menor da idade, teve de aguardar quatro meses para que a Fifa autorizasse a assinatura do contrato. Foram três anos no clube, se sobressaindo especialmente no terceiro, quando foi chamado para atuar pela seleção regional de Madri.

A partir dali, chamou a atenção de ‘meia Espanha’. Recebeu diversas ofertas e ficou balançado por três delas: Real Madrid, Barcelona e Atlético de Madri. Descartou o Barça porque a proposta previa morar no alojamento da equipe, sem a família, e ficou entre Real e Atlético. Os merengues levaram a melhor na disputa.

Na base madridista, ele tem entre os seus concorrentes na briga por uma posição Theo Fernández, filho do ex-técnico do clube, Zinedine Zidane.

Com contrato até 2023, André Costa recebeu sondagens para se mudar para a Premier League. O pai, que cuida de sua carreira mais diretamente, viajou no último mês para conversar na Inglaterra. A falta da cidadania europeia ainda é um entrave, mas não está descartada a sua saída.

André Costa - Real Madrid - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
André Costa jogou recentemente torneio amistoso pelo Real que teve a participação do Flamengo
Imagem: Arquivo Pessoal

Novo Diego Costa?

Como saiu ainda muito novo do Brasil, a ligação do meio-campo com o seu país-natal se dá preponderantemente através de sua família. Ele passou muito rapidamente apenas pela escolinha do craque Roberto Rivellino, ex-Corinthians e Fluminense, em São Paulo, antes de arrumar as malas para os Estados Unidos.

O seu nome é conhecido pela CBF. Conforme apurado pelo UOL Esporte, ele foi recomendado pelo ex-coordenador de base da entidade, Erasmo Damiani, antes de deixar o cargo no início de 2017. Em sua gestão, foi realizado um trabalho de identificação e monitoramento de garotos no exterior para evitar novos ‘casos Diego Costa’, brasileiro naturalizado espanhol.

Não foi o suficiente, ainda assim, para que a CBF resolvesse agir e chamasse o jovem jogador do Real Madrid para observá-lo mais de perto.

“Ele tem a preferência pelo Brasil. No ano que vem, tem o Mundial Sub-17 (no Peru) e, muito provavelmente, estarão o Brasil, os Estados Unidos e a Espanha. Vamos ver se surge uma oportunidade, caso contrário, decidimos o que fazer”, explica André Luiz Costa.

A falta de iniciativa brasileira causa estranheza até mesmo no Real Madrid. A sua ida para a base dos espanhóis foi intermediada pelo diretor Juni Calafat, o mesmo responsável por fechar as contratações de Vinícius Jr, Rodrygo e dos demais brasileiros.

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