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Mano explica não ao Palmeiras e nega fama de retranqueiro: "Nada defensivo"

Mano Menezes, técnico do Cruzeiro, posa para o UOL Esporte após a entrevista - Thiago Fernandes/UOL Esporte
Mano Menezes, técnico do Cruzeiro, posa para o UOL Esporte após a entrevista Imagem: Thiago Fernandes/UOL Esporte

Thiago Fernandes

Do UOL, em Belo Horizonte

18/05/2018 04h00

Mano Menezes passa por um dos melhores momentos da carreira. Campeão mineiro e da Copa do Brasil pelo Cruzeiro, está de bem com a vida. Até quando é chamado de "retranqueiro" trata com bom humor, mas faz questão de refutar o rótulo.

"Eu sempre joguei com o meio de campo quase que na totalidade das vezes com um volante, um segundo volante e um meia. Quase sempre assim. Só olhar lá atrás na carreira. Nada de defensivo. Mas as pessoas gostam de rotular. No futebol brasileiro, as pessoas gostam de rotular. Eu vejo com naturalidade, porque a gente não tem preferência por se defender. Nem sabia defender bem", disse ao UOL Esporte.

"Na minha última passagem pelo Corinthians, o Corinthians foi campeão do segundo turno do Brasileiro com uma reação dentro do campeonato. Nós ganhamos o segundo turno do Cruzeiro, que foi campeão, pelo saldo de gols. Se o meu time teve saldo de gols melhor que o Cruzeiro, que foi campeão e era um time extremamente ofensivo, isso é sinal evidente de que a avaliação não é tão correta quanto as pessoas querem fazer", acrescentou.

Em um bate-papo que durou mais de 40 minutos com a equipe do UOL Esporte, Mano falou também outros pontos. O técnico, que é contrário à extinção da concentração no Brasil, destacou a longevidade na Toca da Raposa, explicou recusa ao Palmeiras e comentou uma pequena discussão que teve com um repórter em Belo Horizonte. Confira, abaixo, trechos da entrevista do treinador:

Mano não quis conversa com o Palmeiras em 2017 - Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação
Mano não quis conversa com o Palmeiras em 2017
Imagem: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação

Não ao Palmeiras

"Essa é uma questão que foi conduzida de um jeito que a imprensa gosta um pouco. Eu nunca abri negociação com o Palmeiras. Nunca abri negociação com o Palmeiras. Eu recebi um contato, uma manifestação de intenção. Mas eu sempre tive a mesma resposta para as pessoas que tiveram contato comigo. Primeiro, eu iria me reunir com a nova direção do Cruzeiro para tratar sobre a minha permanência ou não. Via isso como uma coisa natural. Estava trabalhando no Cruzeiro e tínhamos acabado de conquistar o título da Copa do Brasil. Tínhamos nos classificado para a Libertadores do ano seguinte. A sequência natural do trabalho era no Cruzeiro. Sempre deixei isso claro, fizemos o primeiro contato. Tratamos as coisas que eram importantes tratar, que eu julgava importante tratar. E houve um acerto para minha renovação de contrato com o Cruzeiro. Esta é a verdade cristalina dos fatos".

Concentração no Brasil

"Ainda sou a favor de concentração no Brasil. Porque acho que, para o nosso profissional, ainda é necessário. Não é concentração só para prender os jogadores, é para você recuperar. Nós temos jogos em uma frequência de tempo muito pequena. Então, você se alimentar bem, descansar e treinar é necessário para você produzir o que é exigido ao jogador de futebol em tão pouco tempo".

Segundo técnico mais longevo da Série A

"A sequência, ela é resultado de vários fatores, ideias de trabalho... Mas também de resultados de trabalho. Se não houver resultado, é impossível seguir o trabalho. E aí nem é uma questão de ideia da direção só. É da pressão externa toda, que torna o trabalho insustentável. Você não vai se submeter a um desgaste. E acho que um treinador experiente, maduro, também não vai se submeter o grupo dele a um desgaste desnecessário quando as coisas não andam. Então, ela é fruto de vários fatores. Talvez seja por isso, por causa de discussões preliminares que falei antes, que esse trabalho tem se perdurado mais. Estou entre os técnicos brasileiros, dentro do futebol brasileiro, que ainda não tenha sido demitido por um clube de futebol. A gente é transparente, correto com as coisas que julga serem sérias. E também entende que as direções tem papéis importantes no clube ao administrar clubes como o Cruzeiro por exemplo".

Suposta rixa com imprensa

"A minha reação em relação à pergunta [sobre possível eliminação na Libertadores] não é porque não gosto de perguntas contrárias, como as pessoas dizem às vezes. Eu respeito muito bem o trabalho de vocês [da imprensa]. Só acho que determinadas coisas têm horas para serem abordadas. E tem hora que não. O Cruzeiro estava saindo de um jogo bem jogado contra La U no Chile. Não venceu porque não deu para vencer, mas jogou bem. Jogou para, no mínimo, fazer um ponto, um ponto importante que nos trouxe para poder decidir contra a La U dentro do nosso estádio e, depois, contra o Vasco a nossa classificação. Temos uma convicção muito clara do que precisava ser feito. Tínhamos que ter feito quatro pontos contra La U no mínimo. Se não fizéssemos, não teríamos essa reação dentro da Libertadores. Então, você falar sobre eliminação ou possível eliminação depois de um jogo como aquele não era inteligente da minha parte. Tinha acabado de falar com os meus jogadores no vestiário que tínhamos feito um bom jogo. Falei que aquele ponto seria um ponto importante para nós conseguirmos a classificação. Não posso ir à coletiva para discutir a provável eliminação do Cruzeiro, um fato que não tinha acontecido. No dia que acontecer, tenho obrigação de ir à coletiva, abordar o assunto e explicar o torcedor do Cruzeiro porque não atingimos o objetivo, mas quando for a hora de tratar do assunto".

Fama de retranqueiro

"Eu sempre joguei com o meio de campo quase que na totalidade das vezes com um volante, um segundo volante e um meia. Quase sempre assim. Só olhar lá atrás na carreira. Meu meio-campo no Grêmio, a partir de 2006, era Lucas Leiva, Sandro Goiano, Tcheco e Diego Souza, Carlos Eduardo e Tuta. O Gavilán jogou no time da Libertadores, porque o Lucas estava machucado. Então, era Gavilán, Sandro Goiano, Tcheco, Diego Souza, Carlos Eduardo e Tuta. Não vejo nada de defensivo. O lateral esquerdo era o Lúcio, que apoiava como poucos laterais. Depois, no Corinthians, meu meio de campo era Cristian, Elias, que nunca tinha jogado de volante na vida. Ele era meia e segundo atacante, eu que coloquei de segundo volante. E tinha o Douglas, Jorge Henrique, Ronaldo e Dentinho. Não tinha nada de defensivo. O lateral esquerdo o André Santos, que apoiava como poucos laterais. Fez 20 e poucos gols no Corinthians jogando como lateral esquerdo. Nada de defensivo. Mas as pessoas gostam de rotular. No futebol brasileiro, as pessoas gostam de rotular. Eu vejo com naturalidade, porque a gente não tem preferência por se defender. Nem sabia se defender bem. Hoje, vejo que a nova evolução do futebol exige que você saiba se defender bem. A diferença entre se defender mais e se defender menos está diretamente ligada à competência que sua equipe tem.

Se você tiver a bola, tiver competência para ter a bola e se você conseguir ser mais ofensivo em função disso, você vai se defender menos. Se seu time não tiver essa competência, você vai se defender mais. Porque a posse da bola é o que determina se você vai se defender ou vai atacar. Não tenho nem um tipo de mágoa com isso também, levo bem na brincadeira em determinadas situações, embora eu ache que a análise simplista sempre prejudica o futebol como um todo. Ela não é boa para o futebol brasileiro, temos que aprofundar mais as coisas exatamente para não errar na avaliação, porque o erro de avaliação sempre traz um prejuízo para quem quer que seja.Ou para um profissional individualmente ou mais no futebol como um todo. O Grêmio de 2006 foi um dos principais ataques do Campeonato Brasileiro. Foi o terceiro do Brasileiro e um dos principais ataques. Na minha última passagem pelo Corinthians, o Corinthians foi campeão do segundo turno do Brasileiro, com uma reação dentro do campeonato. Nós ganhamos o segundo turno do Cruzeiro, que foi campeão, pelo saldo de gols. Se o meu time teve saldo de gols melhor que o Cruzeiro, que foi campeão e era um time extremamente ofensivo, isso é sinal evidente de que a avaliação não é tão correta quanto as pessoas querem fazer".

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