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Ex-SP foi para o PSG e agora tenta renascer em "filial tricolor" europeia

Gustavo Hebling (à direita) ao lado de Boschilia ainda no São Paulo  - Arquivo Folha
Gustavo Hebling (à direita) ao lado de Boschilia ainda no São Paulo Imagem: Arquivo Folha

Marcus Alves

Colaboração para o UOL, em Lisboa (Portugal)

29/10/2017 04h00

Na última segunda-feira (23), o Portimonense visitou o Vitória de Guimarães e abriu 3 a 0 logo nos 30 primeiros minutos. O time da região de Algarve não conseguiu, no entanto, segurar a vitória e permitiu o empate dos donos da casa em 3 a 3 ao fim do segundo tempo.

O clube promovido da segunda divisão tem chamado a atenção pelo futebol mostrado e possui como principal acionista o empresário brasileiro Teodoro Fonseca, que trabalhou com o atacante Hulk e outros nomes conhecidos.

Entre seus reservas contra o Guimarães, estava o volante Gustavo Hebling, que desembarcou nesta temporada após rescindir contrato com o Paris Saint-Germain. O jovem jogador de 21 anos é revelado pelo São Paulo, sempre foi um de seus nomes mais badalados e, em uma de suas convocações para as seleções de base, chegou a pôr a nova aposta de Tite, Arthur, do Grêmio, no banco.

Ele deixou a equipe tricolor, mas é como se ela não tivesse ficado para trás.

Com forte presença brasileira em sua estrutura, o Portimonense abriga praticamente uma ‘filial’ de Cotia. Ao todo, são sete atletas com passagem pelo clube – além de Hebling, Léo, Lucas Possignolo, Inácio, Marcel, Dener e Alfredo, atualmente cedido ao Luverdense.

Ao contrário de todos eles, Gustavo Hebling ainda mantém laços com o PSG.

O time de Neymar e companhia é o responsável por pagar os seus salários em Portugal.

“(Quando deixei o São Paulo, em 2015) Assinei com o PSG por cinco anos, sendo que ficaria emprestado ao PEC Zwolle, da Holanda, nos dois primeiros. Em minha temporada de estreia, sabia que seria difícil estourar, tudo diferente, a língua. Só voltaria (a Paris) se fosse muito bem. No segundo, me machuquei, comecei a me desentender com o treinador e, então, perguntei ao PSG se podia retornar e fazer a pré-temporada”, conta Hebling, em entrevista ao UOL Esporte.

“Me disseram que seria difícil jogar por ter ficado parado no Zwolle. Então, surgiu o Portimonense, o Antero (Henrique, diretor dos franceses) é parceiro do presidente aqui e sugeriu para pegar ritmo. Quem paga meu salário é o PSG. Foi um acordo deles para não ocupar vaga de estrangeiro e manter uma cláusula de recompra”, prossegue.

O responsável por cuidar de seu dia a dia no Portimonense, segundo o volante, é hoje o ex-lateral Maxwell, atual membro da direção dos parisienses.

O interesse do PSG em seu futebol surgiu após investidas de Inter de Milão, Benfica e Porto e veio através do empresário Mino Raiola, que comanda as carreiras de Ibrahimovic, Pogba, Lukaku, Donnarumma e outros.

Em 2015, Gustavo Hebling e seu padrasto e representante, Danilo Arantes, negociavam um novo contrato com o São Paulo, mas não conseguiam bater o martelo.

Para piorar a situação, segundo el, a cúpula tricolor se negava a liberá-lo para a disputa do Mundial Sub-20 naquela temporada. Ele entrou na pré-lista de 35 nomes e foi incluído na relação final do grupo então comandado por Alexandre Gallo, substituído antes da competição por Rogério Micale. No fim das contas, sem acordo no Morumbi, acabou sendo preterido entre os convocados por Alef, da Ponte Preta.

Foi o estopim para a sua saída do clube e também a chance que Raiola aguardava para entrar em cena.

“Cheguei no São Paulo ainda em 2006, na categoria sub-12 ou sub-13, fui titular em uma viagem no Japão e fiquei. Não tenho do que reclamar, foi uma experiência muito boa, não deixam faltar nada. É o melhor lugar para aprender na base. Tive oferta do Palmeiras, mas minha mãe descartou, inclusive. No final é que tudo não saiu como gostaria”, relembra Hebling.

“Eles enrolaram demais com a renovação. As conversas começaram com o Geraldo (Oliveira, ex-diretor), ele saiu, entrou uma diretoria nova e não andava. Queria ir para o profissional, mas falaram em transição. Foi mais ou menos na época do Mundial Sub-20, meu nome estava na pré-convocação e ninguém me disse nada. O Gallo até chegou a perguntar: “por que o ‘Pira’ (ele é natural de Piracicaba, interior de São Paulo) não foi liberado?”. Essa novela continuou com o Gustavo Oliveira (ex-gerente), me diziam que, se renovasse, seria liberado”, continua.

“Comecei a ficar chateado e, então, veio a proposta nos valores que a gente queria. Só que foi incrível: no mesmo dia, o Mino (Raiola) trouxe a oferta do PSG e fui embora. Fiquei triste por ter perdido o Mundial, é duro na minha idade, sempre prometiam que iam me subir. Estava de saco cheio”, completa.

O sonho europeu propiciou a Hebling, mesmo tendo sido emprestado logo de cara, linha direta com o presidente do PSG, Nasser Al-Khelaifi.

“Fiquei poucos dias em Paris, assinei e fui direto para a Holanda. Teve até uma vez que o Mino e a Rafaela (Pimenta, advogada brasileira que trabalha com o agente) estavam com o xeque, me ligaram e nos colocaram para falar pelo Facetime. O meu inglês não é muito bom, mas deu para dar uma enrolada (risos). Foi num período em que me machuquei na Holanda”, afirma.

Foram duas temporadas na Holanda, poucos jogos, uma lesão nao segunda e, no fim dela, parceria com o também ex-tricolor David Neres, recém-chegado ao Ajax, para superar a distância da família.

Com o PSG arcando com os seus salários, ainda novo e com um novo desafio, Gustavo Hebling quer aproveitar a chance no futebol português.

“Fiquei praticamente três anos sem jogar, mas tenho a motivação de estar vinculado ao maior clube do mundo, converso com o Maxwell e com o Antero, tudo isso ajuda bastante a continuar”, explica.

“Gostaria de ter feito uma carreira como profissional no Brasil, conquistar títulos, sentia que a torcida do São Paulo gostava de mim, via na Copa São Paulo (que disputamos em 2015), sempre fui são-paulino, mas Deus quis assim. Agora estou num lugar mais tranquilo para trabalhar, voltando à forma que tinha e mais à vontade por aqui”, conclui.

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