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Sucesso da mulher faz campeão mundial pelo SP se dar bem no ramo gospel

Luiza Oliveira

Do UOL, em São Paulo

18/01/2016 06h00

Gilmar Santos brilhou nos campos pelo mundo como zagueiro. Foi campeão mundial pelo São Paulo em 1992 e 1993 e também conquistou títulos em outros clubes como Palmeiras e Flamengo. Hoje, continua tendo sucesso na vida profissional, mas em um ramo bem diferente. Ele é empresário musical e agencia a carreira da mulher, a estrela gospel Aline Barros.

Quase quinze anos depois de pendurar as chuteiras, Gilmar não tem mais compromissos com concentrações, viagens, treinos e jogos. Mas suas atribulações são ainda maiores. Hoje, ele é pastor e administra a empresa de eventos AB Produções. A empresa se divide em três braços para abranger tudo o que envolve a carreira de Aline, que é vencedora de seis Grammys Latinos e já vendeu milhões de cópias tendo conquistado discos de ouro, platina e diamante.

Entre as atribuições de Gilmar estão organizar a logística da cantora, planejar agenda de shows, cuidar de redes sociais, patrocínios, licenciamentos. “Temos o escritório e tenho que estar muito perto de tudo. Fazemos muitas reuniões, fazemos o planejamento do mês, organizamos turnês, gravação de DVD, ver onde a turnê vai passar, por onde vamos ficar, pegar os parceiros locais. Envolve muitas coisas, a carreira dela exige muito”.

Quando começou a trabalhar no ramo, Gilmar ainda jogava e não conhecia nada da área. Aprendeu muito com o sogro. “Nessa época eu não era pastor ainda, não conhecia nada, comecei a ficar atrás nos bastidores e ver o quanto poderia ser útil na produção. A Aline começou a ser muito requisitada, nessa hora eu entrei junto com a família. Nos unimos muito e fiquei completamente envolvido, fazendo de tudo, aprendendo, crescendo, ajudando. Meu sogro foi músico do Tim Maia, conhecia muito de música e ele foi me orientando. E fomos crescendo, conquistamos discos de ouro, diamante, foi realmente as mãos de Deus nos respaldando”.

Gilmar entrou de cabeça nos negócios depois que se aposentou em 2002 depois de defender o Botafogo. Quando eles começaram a namorar, ele jogava no Cruzeiro e logo foi para o futebol espanhol, onde atuou no Real Zaragoza e no Rayo Vallecano. Quando voltou ao Brasil, ainda jogou no Palmeiras e no Flamengo, antes de chegar ao Botafogo.

Ele lembra que decidiu parar depois de sofrer um baque. Gilmar e Aline foram vítimas de um sequestro relâmpago. Na época, o episódio foi traumático e fez o atleta abrir os olhos sobre a importância de se dedicar mais à família.

“Eles ficaram mais de 20 minutos rodando com a gente, depois eles levaram tudo, tiraram tudo da gente. Nos deixaram em um lugar muito simples, humilde, e nesse lugar encontrei uma mulher em uma barraquinha de cachorro quente. Ela nos reconheceu e prestou socorro. Ela era evangélica e quando eu estava indo embora, ele me abraçou e disse: ‘olha, queria te dizer uma coisa da parte de Deus. Tudo o que você queria ele te deu, todos os seus sonhos ele realizou. Está na hora de você viver o sonho de Deus, de você cuidar melhor da sua esposa’. Isso foi muito importante, tomei a decisão de parar e de me dedicar 100% à minha família”.

Hoje, Gilmar se dedica integralmente à Aline e aos filhos Nicolas, de doze anos, e Maria Catherine, de quatro. E também valoriza todas as conquistas depois de ter uma infância muito humilde na periferia de São Paulo e de chegar a catar papelão e latinha para ajudar em casa. Quando começou no futebol, dividia pão com banana, a única refeição que tinha, com o amigo Cafu.

Já no São Paulo, virou discípulo de Telê Santana e até hoje usa os ensinamentos do mestre. Foi nessa época, bem no início da carreira, que ele iniciou sua formação cristã. Gilmar passou a fazer parte dos Atletas de Cristo por influência de Silas e foi um dos primeiros evangélicos do futebol brasileiro.

O apego à religião se tornou até um problema no início por causa do preconceito sofrido.  “Tive um encontro com Deus muito jovem na época dos juniores, eu via os amigos indo para a balada e eu ia para a Igreja ou para a reunião dos Atletas de Cristo. Tive muitas dificuldades, os colegas falavam que eu estava perdendo tempo, que era bobão, que não gostava de mulher, que era o ‘Bíblia, o padre, o pastor’. Eu me sentia um peixe fora d’água. Me sentia diferente, até um pouco constrangido. Eu pensava: ‘será que esse é o caminho?’. Você começa a fazer vários questionamentos”.

Gilmar viu que estava certo ao se deparar com um dos momentos mais difíceis da sua vida ao perder o seu melhor amigo Dener, que na época jogava no Vasco, e Alexandre, goleiro do São Paulo, ambos em um acidente que carro. “Quando vi que perdi o Dener, um dos meus melhores amigos vi que estava no caminho certo. Foi muito difícil assimilar, a gente estudava juntos, jogamos juntos no colégio, éramos muito próximos. Ele despontou muito rápido, era o Neymar da época, só que mais completo. O Dener era acima da média e não tinha Twitter, Facebook, Instagram. Ele era um gênio. A perda do Alexandre também foi muito difícil. Depois daquilo, o Telê nunca mais foi o mesmo”, relembra ele com a certeza de que teve muito mais momentos bons que ruins.

Uma prova disso é que no fim do ano, ele participou da despedida de Rogério Ceni no Morumbi e pôde rever os amigos e ainda relembrar como é jogar no Morumbi lotado. “Foi uma emoção única, escutar a torcida gritar teu nome e rever os amigos, alguns eu não via havia 15 anos. É muito alegre relembrar as cobranças do Telê, os títulos, as glórias e o mais legal de tudo é que, mesmo com os anos se passando, quando nos encontramos, vemos a mesma amizade e a mesma alegria, uma coisa ímpar”.

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