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"Acho que sou afrodescendente, gosto de apanhar", diz Dunga sobre críticas

Técnico Dunga rebateu críticas à geração atual com frase infeliz  - Leo Correa/Mowa Press
Técnico Dunga rebateu críticas à geração atual com frase infeliz Imagem: Leo Correa/Mowa Press

Pedro Ivo Almeida

Do UOL, em Concepción (Chile)

26/06/2015 17h11Atualizada em 26/06/2015 20h22

Um dia antes do duelo contra o Paraguai, que decidirá o futuro do Brasil na Copa América, Dunga concedeu uma entrevista coletiva polêmica, em que teve de responder a muitas críticas da imprensa. Em uma das perguntas, foi feita uma comparação entre a pressão sofrida pela geração de 1994 e a atual. Na resposta, o treinador emitiu uma frase de cunho racista. Três horas depois, o treinador pediu desculpas por meio de uma nota publicada no site da CBF.

“Simples. Nós éramos ruins com sorte, os outros eram bons com azar. Aquela seleção tinha uma cobrança de 40 anos sem Copa América e 24 anos sem uma Copa do Mundo. Eu até acho que eu sou afrodescendente de tanto que apanhei e gosto de apanhar. Os caras olham para mim: 'Vamos bater nesse aí'. E começam a me bater, sem noção, sem nada. 'Não gosto dele' e começam a me bater", disse Dunga.

Há dois dias, Taffarel e Mauro Silva já haviam falado sobre a dificuldade que viveram nos anos 1990, quando a sua geração era cobrada por um longo jejum de títulos. Nesta sexta, Dunga fez coro ao discurso de seus companheiros de comissão técnica e usou a própria história para defender o atual elenco.

“A opinião é livre e cada um diz o que bem entende. Uma coisa que gostaria de ressaltar. O Brasil ficou 40 anos sem ganhar uma Copa América tendo jogadores excepcionais. Jogadores genais, elencos muito bons. E nós também vamos enfrentar as mesmas dificuldades da época. É algo muito pegado, disputado. Não é fácil”, disse Dunga.

O jejum em questão aconteceu de 1949 a 1989, período em que o Brasil nunca levantou uma Copa América. Além da abstinência continental, a seleção também passou 24 anos sem ganhar a Copa do Mundo até fazê-lo justamente em 1994, com a questionada equipe de Dunga, Mauro Silva e Taffarel.

Se a geração atual não tem um jejum de títulos tão longo, pesa muito o reflexo do 7 a 1, maior vexame da história do futebol brasileiro. Sem Neymar, então, o grupo de jogadores passou a ter a sua qualidade ainda mais questionada. Neste sábado, às 18h30, o time pode começar a dar a volta por cima contra o Paraguai, nas quartas da Copa América. Será o primeiro mata-mata da atual era Dunga. 

Veja os principais trechos da entrevista de Dunga:
Nível técnico da seleção é ruim?

“Opinião é livre e cada um diz o que bem entende. Só uma coisa que eu gostaria de ressaltar... O Brasil ficou 40 anos sem ganhar uma Copa América tendo jogadores excepcionais. Jogadores geniais, elencos muito bons. E nós também vamos enfrentar as mesmas dificuldades da época. É algo muito pegado, disputado. Não é fácil”

Saída de Neymar
“Nós conversamos e tomamos a decisão sobre o que é melhor para a seleção brasileira. Esse é um capítulo à parte, já superado e agora temos que pensar somente no Paraguai”

Mudanças na escalação
“Em todas as partidas no futebol é importante ter uma boa estatura e isso acaba dando uma vantagem ou outra. É uma soma de vários elementos. Fizemos os treinamentos pensando principalmente em como a seleção joga. E depois respeitando os adversários”

Treino fechado
“Não é questão de esconder, é só ter mais privacidade, não ter tanta confusão em campo. Nós tentamos evoluir e não repetir os erros que vocês mesmo nos alertaram em outras ocasiões”

Dunga mudou desde 2010?
“Creio que a gente tem uma evolução a cada dia. Passando quatro anos, é lógico que mudei muito. Menos mal. Vi certas coisas você não vai mudar na pessoa. É inútil debater argumentos. Você tem de focar mais em trabalho. As outras coisas à parte não me importam muito”

Comparação da pressão em 1994 com agora
“Simples. Nós éramos ruins com sorte, os outros eram bons com azar. Aquela seleção tinha uma cobrança de 40 anos sem Copa América e 24 anos sem uma Copa do Mundo. Eu até acho que eu sou afrodescendente de tanto que apanhei e gosto de apanhar. Os caras olham para mim: 'Vamos bater nesse aí'. E começam a me bater, sem noção, sem nada. 'Não gosto dele' e começam a me bater"
 

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