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Pelé diz que Aranha se precipitou ao querer brigar com torcedores racistas

Do UOL, em São Paulo

10/09/2014 18h27

Pelé não concordou com a postura de Aranha, que se levantou e protestou contra o racismo que sofreu na Arena Grêmio, há duas semanas, durante um jogo da Copa do Brasil. Ao ser questionado sobre o tema polêmico, o Rei do Futebol citou Daniel Alves e o seu próprio exemplo para discordar do goleiro santista. 

“Vocês se lembram que Daniel Alves descascou uma banana, comeu e bateu escanteio. Ninguém falou mais nada sobre racismo. Se ele tivesse jogado banana no público, até hoje falaríamos disso. Acho que o Aranha se precipitou um pouco ao querer brigar. Se eu fosse parar o jogo ou gritar toda vez que me chamassem de macaco ou crioulo, todo jogo ia parar. O torcedor, dentro da sua [hesitação] animação, animosidade, ele grita”, disse Pelé ao Sportv.

O ídolo santista falou durante um evento de um patrocinador no Rio de Janeiro, uma de suas primeiras aparições públicas após a Copa do Mundo. Embora tenha ressaltado que é contra o racismo (“Acho que tem de combater”), Pelé foi no caminho contrário da maioria dos ativistas da causa, que defendem um posicionamento firme contra o preconceito.

“A gente jogava na Bahia, no interior, mas xingavam a gente de tudo quanto é nome. Mas vocês ouviram alguma coisa de racismo nessa época? Não, porque a gente não dava atenção”, disse Pelé.

Aranha foi xingado durante o primeiro jogo entre Santos e Grêmio, pela Copa do Brasil, em Porto Alegre. O clube da Vila Belmiro vencia por 2 a 0 quando a torcida gaúcha começou a imitar os sons de um macaco e xingou o goleiro rival. Uma imagem da ESPN Brasil, por exemplo, flagrou uma torcedora gremista, Patrícia Moreira, gritando “macaco” a plenos pulmões.

A cena chocou e teve repercussão imediata. O caso foi ao STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), que excluiu o Grêmio da Copa do Brasil. O clube gaúcho, tentando colaborar com a solução do problema, forneceu imagens do estádio à polícia e identificou alguns torcedores racistas, que tiveram de prestar depoimento e ainda podem responder processo. 

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