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Presidente da Portuguesa diz que time saiu de campo contra sua vontade

Felipe Pereira

Do UOL, em São Paulo

18/04/2014 20h01

O presidente da Portuguesa, Ilídio Lico, disse que a Portuguesa saiu de campo contra a vontade dele. Por telefone depois que a partida foi interrompida, ele afirmou ao UOL Esporte que foi obrigado a atender um ordem da Justiça e acrescentou que foi ameaçado de sanções caso não obedecesse. A saída do gramado ocorreu aos 17 minutos do primeiro tempo da partida contra o Joinville, em Santa Catarina.

De acordo com o presidente da Portuguesa, há sim medo de perder a partida por WO e também por futuras punições. Mas Lico defende que não pode deixar de cumprir uma decisão da Justiça e enquanto a liminar que a impede de entrar em campo estiver vigente a equipe não vai voltar a campo. Ele admitiu que o clube pode deixar de entrar em campo na próximas rodadas.

Lico falou ainda que foi ameaçado por membros da Justiça, sem querer mencionar se Justiça Federal ou de algum estado. O presidente da Portuguesa explicou que a ordem para sair de campo não chegou a delegação antes do time entrar em campo porque seu telefone estava desligado devido a inúmeras ligações que vinha recebendo.

O advogado do time, Daniel Neves, disse que não sabe o que pode acontecer de agora em diante. "Não faço ideia do que pode acontecer. A Portuguesa tentou ajudar, entrando em campo por decisão da diretoria, mesmo contra a orientação do departamento jurídico do clube. A CBF tem ciência da liminar desde o dia 10 (de abril). Por causa disso, não creio em uma punição para a Portuguesa, afirmou. 

Blogueiros opinam sobre situação da Lusa

  • Reprodução

    Blog do Juca

    Parabéns, CBF! Parabéns, STJD!

  • Divulgação

    Blog do PVC

    CBF confia em liminar do Rio para que confusão se repita

Com a chegada da decisão dos tribunais às mãos do quarto árbitro, o jogo desta sexta-feira foi interrompido aos 17min do primeiro tempo. Com a situação, o árbitro Marcos André Gomes da Penha encerrou o confronto após mais de 30 minutos de paralisação.

O juiz entregou a súmula em branco e afirmou que a CBF será responsável por decidir se a partida será disputada novamente ou se a Lusa perderá o jogo por WO.

"Fomos ameaçados pela Justiça. Fui obrigado a retirar o time de campo, mesmo contra a minha vontade. Enquanto a liminar não cair, o time não pode entrar em campo. Acatamos o que a Justiça determinou. Temos medo de um WO, mas não temos o que fazer", disse Ilídio Lico, presidente da Portuguesa, em conversa por telefone com o UOL Esporte.

A postura da Portuguesa já havia causado uma cisão interna no clube. Orlando Cordeiro de Barros, que ocupava a vice-presidência jurídica, não concordou com a decisão de entrar em campo e entregou o cargo nesta sexta-feira. Ele não estava sequer assistindo à estreia da equipe na Série B.

A liminar foi concedida no dia 10 de abril pela juíza Adaísa Bernardi Isaac Halpern, da 3ª Vara Cível do Foro Regional da Penha, em São Paulo. A decisão é fruto de uma ação movida pelo torcedor Renato de Britto Azevedo, que contesta punição que a Portuguesa recebeu no STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva).

"Em face do exposto, concedo a antecipação de tutela e o faço para suspender os efeitos da decisão proferida pelo STJD em relação à Associação Portuguesa de Desportos, com o restabelecimento dos quatro pontos que lhe foram retirados", escreveu a juíza na decisão.

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) chegou a pedir reconsideração, mas a juíza negou. Por causa disso, a Portuguesa enviou à entidade nacional na quinta-feira um pedido para adiar o jogo contra o Joinville.

Até o início do duelo, a CBF não havia respondido (em parte, o silêncio deve-se ao recesso do feriado da Páscoa). Portanto, para evitar uma punição no âmbito esportivo, a Portuguesa decidiu ir a campo.

O pedido de interromper o jogo foi entregue ao delegado da partida por um oficial de Justiça. O quarto árbitro chegou a pedir que o confronto fosse retomado, mas a Portuguesa se recusou a voltar para o gramado e alegou que não podia descumprir a liminar.

Às 20h22, o jogo foi oficialmente encerrado. "Eu sou funcionário do clube, sou treinador, e é uma decisão do presidente. Não fui eu que pediu para sair do campo, mas eu tenho de acatar. Sou funcionário e me resguardo de fazer qualquer outro comentário", disse Argel Fucks, técnico da Portuguesa, depois da decisão ter sido anunciada.

Entenda o caso Portuguesa

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