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Um jovem atacante virou queridinho da Argentina. E não é Dybala

Pavón e Messi, durante treino da Argentina - AP Photo/Ricardo Mazalan
Pavón e Messi, durante treino da Argentina Imagem: AP Photo/Ricardo Mazalan

Marcel Rizzo

Do UOL, em Kazan (Rússia)

29/06/2018 14h44

Classificação e Jogos

Se esperava que Jorge Sampaoli e, claro, seus novos auxiliares (parte do elenco que opina na formação da Argentina na Copa da Rússia) mantivessem contra a França, neste sábado, o time que iniciou o jogo contra a Nigéria. O treinador, porém, preferiu testar um outro atacante no treino. E, outra vez, não foi Paulo Dybala.

Cristian Pavón, 22, ao lado de Lo Celso o mais jovem da delegação, apareceu entre os titulares no lugar de Higuaín - o técnico não confirmou a formação que usará, mas elogiou muito Pavón. Seria uma nova formação que liberaria ainda mais Messi para perto do gol.

Pavón é um jogador de velocidade, como salientou o técnico da Argentina na coletiva, e está em ascensão no Boca Juniors. Seria sua estrea como titular, mas sua presença já foi vista nos três jogos iniciais da Argentina quando, em desvantagem, Sampaoli precisou de um atacante.

Dybala, por sua vez, só entrou nos 22 minutos finais da derrota de 3 a 0 para a Croácia, quando seu time já perdia por 1 a 0. A situação era complicadíssima e o técnico, claramente, não sabia o que fazer. Mas por que o já consolidado astro da Juventus da Itália é tão mal aproveitado por Sampaoli?

A versão oficial do técnico é de que vê Dybala como reserva de Messi. Que seria complicado em seu esquema (ou esquemas) escalar os dois juntos. Ou seja, o camisa 21 só jogaria se o 10 se machucasse, fosse suspenso ou, claro, em caso de desespero absoluto como contra os croatas.

Há, porém, outras versões. A mais consistente delas fala em conflito de gerações. Dybala é, provavelmente, o principal rosto dos jogadores mais jovens. Ele deve ser o líder da Argentina no Mundial de 2022, ao lado do próprio Pavón e Lo Celso, os mais jovens deste elenco. Curiosamente, Lo Celso, que joga no PSG, foi um dos três jogadores de linha que não tiveram um minuto na Copa, junto com Ansaldi e Fazio.

Lo Celso foi titular durante boa parte da preparação argentina para a Copa, mas antes da estreia acabou no banco e nunca entrou. Para as duas primeiras partidas, a escalação foi 100% obra de Sampaoli, mas as ausências de Dybala e Lo Celso já dá a impressão de que o técnico procurava agradar aos "históricos", como os argentinos se referem aos mais experientes.

Não que Messi, Mascherano ou Higuaín não gostem de Lo Celso ou Dybala. Mas esta era uma Copa deles, a última provavelmente, e dela queriam desfrutar. Então como Pavón está conseguindo "driblar" os mais velhos por um lugar no time? Simples: trabalha calado.

Muito introvertido, o atacante do Boca Juniors sussurra para falar e acabou adotado pelos mais velhos. Sua presença no Mundial foi, de certa forma, uma surpresa, já que se esperava que Icardi estivesse na Rússia. Pavón foi chamado, se mostrou tímido, passou incólume pelos tradicionais batismos de delegações e tem aproveitado sua chance.

Outro momento em que Pavón foi abraçado pelo elenco foi quando, após a derrota para a Croácia, uma onda de boatos surgiu na imprensa argentina, falando em problemas de relacionamento entre o grupo. Em um deles, dizia-se que Pavón, irritado no vestiário, dera um soco em Mascherano. Justo Pavón, que mal fala.

No dia seguinte Mascherano publicou uma foto em redes sociais cumprimentando Pavón e ironizando o fato. O irmão do atacante do Boca Juniors também se manifestou pela internet, negando o caso. O boato deixou o jovem ainda mais próximo dos "históricos". Para azar de Dybala.

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