Rodrigo Mattos

Rodrigo Mattos

Siga nas redes
Só para assinantesAssine UOL
ReportagemEsporte

Como é o plano de Fla e Flu para investir R$ 392 milhões no Maracanã

O consórcio de Flamengo e Fluminense ficou muito perto de ser o vencedor da licitação para concessão do Maracanã por 20 anos, após o resultado da proposta técnica. Na prática, o grupo não tem mais como ser superado pelo Vasco, a não ser em caso de impugnações ou ações na Justiça.

A tendência é que o resultado definitivo, após a proposta financeira, saia ainda neste semestre.

Diante da provável vitória, é interessante entender qual a proposta feita por Fla e Flu para o futuro do Maracanã.

Investimentos

Há uma previsão de um total de R$ 392 milhões em investimentos no complexo do Maracanã no período de 20 anos de concessão. Uma parte desse dinheiro é para gastos obrigatórios previstos na concessão e outros de adicionais para gerar receita.

No total, o Maracanã terá um investimento de R$ 316 milhões previsto, e o Maracanãzinho, de R$ 76 milhões. Boa parte dos gastos é com obras civis e eletromecânicas para reparos e atualização do estádio, inclusive dos sistemas eletrônicos. Os placares, por exemplo, já apresentam falhas.

A maior inovação é a construção do novo museu do Maracanã, com custo de R$ 44 milhões. No setor sul do estádio, tem previsão de ter um formato digital, com experiências para os visitantes até da simulação de fazer um gol. Com isso, espera-se turbinar as receitas de visitação.

Os maiores investimentos são nos três primeiros anos de concessão: há um gasto previsto de R$ 174 milhões nesse período.

Divisórias

Há uma obrigação de troca de divisórias das torcidas por questões de segurança e visibilidade. Mas, por enquanto, não se prevê nenhuma modificação na setorização do estádio, que será mantida como a atual.

Continua após a publicidade

Também não há nenhum plano de retirar cadeiras de setores mais populares. Os setores foram feitos com essa previsão de capacidade, levando-se em conta banheiros, acesso e bares, e não daria para aumentar o público.

Receitas

O Maracanã teve uma receita entre R$ 80 milhões e R$ 100 milhões em 2023. Na licitação, Flamengo e Fluminense informaram que a receita foi de R$ 82 milhões até outubro do ano passado, o que dá para projetar o restante do ano.

A principal receita é com camarotes, que representa quase metade do total. O foco em empresas para gerar oportunidades de negócio será enfatizado no novo Maracanã para aumentar a arrecadação.

Outras receitas importantes são as extraordinárias — patrocínio e mídia —, alugueis para jogos e estacionamento.

Há a intenção de expandir projetos de lojas e restaurantes terceirizados para ocupação de espaços do estádio. Pela proposta, os modelos de negócios seriam flexíveis, ou com pagamento de royalties ou aluguéis. A intenção é gerar diversidade de cardápios. Serão buscados parceiros.

Continua após a publicidade

"A concessão, em comparação ao atual contrato, possibilita acessar investidores e operadores a longo prazo, proporcionando maior horizonte para os investimentos", diz a proposta.

Gramado e shows

A proposta do consórcio deixa claro a prioridade para o futebol. Tanto que só está previsto a realização de shows na segunda quinzena de dezembro, quando há férias do futebol. Portanto, essa não será uma receita significativa.

Em relação ao gramado, há a promessa de duas trocas de gramado por ano para manutenção da qualidade do gramado. O plano é cultivar área de grama equivalente a quatro campos do Maracanã, em uma área de até 100 km do estádio.

A questão é que o Maracanã é o estádio com mais jogos no mundo comparado com outras arenas pelo mundo. Foram 55 em 2023 até outubro.

Acesso ao estádio para outros clubes

A licitação obriga todo vencedor a ceder o estádio em igualdade de condições para outros clubes. O consórcio Flamengo e Fluminense, obviamente, fez esse compromisso de que não "fará gestão não discriminatória em relação aos principais clubes do Rio de Janeiro e suas respectivas torcidas".

Continua após a publicidade

Mas há uma ressalva de que vai se respeitar a capacidade operacional do estádio. O consórcio tem alegado desgaste no gramado para negar jogos ao Vasco.

Pela concessão, o Vasco terá acesso ao estádio. Mas não há uma regra para um cronograma de jogos. Ou seja, é provável que ocorram novas disputas nesse campo.

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Deixe seu comentário

Só para assinantes