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Rodrigo Mattos

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Liga tem uma dilema: quando discutir a divisão do bolo do Brasileiro?

Rodolfo Landim e Guilherme Bellintani, presidentes de Flamengo e Bahia, falam sobre criação da Liga de clubes - Igor Siqueira/UOL Esporte
Rodolfo Landim e Guilherme Bellintani, presidentes de Flamengo e Bahia, falam sobre criação da Liga de clubes Imagem: Igor Siqueira/UOL Esporte
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

17/07/2021 04h00

Em suas primeiras reuniões, os clubes das Séries A e B têm mostrado uma união inédita nos primeiros passos da fundação da Liga. Um dos motivos foi adiamento de pautas que possam causar divergência. Por isso, há uma questão que tem sido discutida pelos dirigentes: quando debater a divisão do bolo do Brasileiro para depois de 2025?

Esse tema tem um potencial de causar discordâncias e rachas entre os clubes. Alguns times têm atualmente mecanismos contratuais que tornam seus bolos maiores, como Flamengo e Corinthians, com garantias mínimas para pay-per-view até 2024. Esse ponto contraria outros times que defendem uma divisão mais igual deste bolo em futuros contratos.

Três dirigentes de clubes ouvidos pelo blog defenderam que a discussão da divisão de todo dinheiro deveria se dar ainda neste segundo semestre de 2021. Segundo eles, isso deveria ser tocado logo após se estabelecer as regras de funcionamento da Liga, isto é, que tipo de associação ou sociedade anônima será formada, como será a participação societária de clubes, votação, etc.

O entendimento desses clubes é de que a divisão do dinheiro influencia como será feita a negociação dos direitos de TV. Por exemplo, como seria feito o empacotamento dos jogos, seria por tipo de mídia, por um número de jogos. Neste sentido, pode valer a pena ter um pay-per-view ou não. O Premiere da Globo, atualmente, está em queda de assinantes.

Entre esses clubes, há diferentes opiniões sobre como seria feita uma divisão. Uma sugestão é uma regra de transição em que os clubes com maior torcida ainda tenham alguma vantagem e, paulatinamente, a distribuição seja mais igualitária. E há quem pense que deve se aplicar os critérios de divisão da TV Aberta e Fechada, com repasses por posição, igualitário e por exposição.

Por outro lado, há pessoas envolvidas na estruturação da Liga que entendem que isso pode causar uma cisão agora quando a entidade ainda está em formação. Há um temor, inclusive, de que a CBF usaria esse tipo de fator para rachar os clubes. Isso só não ocorre porque a confederação nacional está com seu poder desarticulado em uma disputa de poder entre o presidente Rogério Caboclo, vices e o ex-presidente Marco Polo Del Nero.

A Lei do Mandante é apontada como uma ajuda para a Liga porque pode mante-la mesmo no caso de alguma dissidência. Ao mesmo tempo, permitirá que um clube insatisfeito pule fora e negocie seus direitos individualmente.

Rodrigo Mattos