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Rodrigo Mattos

REPORTAGEM

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Flamengo mira namoro com Amazon além de patrocínio e vê Globo concorrente

Alexandre Vidal / Flamengo - Flamengo com a marca Primevide em sua camisa
Alexandre Vidal / Flamengo Imagem: Flamengo com a marca Primevide em sua camisa
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

14/04/2021 04h00

A diretoria do Flamengo tem o plano de estender a relação com a Amazon além do patrocínio pontual na final da Supercopa. Já existe em conversa uma outra ação relacionada à promoção de produto da empresa. Ao mesmo tempo, incomodou a uma parte dos dirigentes que a Globo também tenha recebido anúncio da empresa por impacto na sua própria receita de patrocínio. O departamento de marketing do clube não viu essa interferência.

A relação do Flamengo com a Amazon começou no ano passado. A gigante norte-americana negociou com o clube o patrocínio master da camisa. O negócio estava praticamente fechado quando, diante da pandemia, a empresa reduziu a proposta.

Esse cenário deixou descontente os dirigentes rubro-negros. Recusaram a nova proposta e, em seguida, fecharam com o BRB o patrocínio master. A partir daí, a relação entre as partes esfriou.

Mas, no final do no passado, houve uma reaproximação com uma ação conjunta para promoção de uma série de Amazon. Foram usados jogadores rubro-negros em um material produzido pela FlaTV.

Antes da Supercopa, o Flamengo procurou novamente a empresa para discutir um patrocínio pontual para as costas do uniforme no jogo diante do Palmeiras. Houve uma negociação entre as partes até se chegar a um valor de consenso que incluía uma ação nas redes sociais. O retorno em termos de exposição e engajamento foi considerado muito positivo pelos cartolas rubro-negros.

Ao assistir ao jogo, um membro da cúpula do Flamengo percebeu que a Amazon também anunciou na própria rede que transmitia a Supercopa. Houve certa surpresa já que a Amazon é vista como concorrente da Globo em produtos de streaming - uma das principais apostas da empresa atualmente é o Globoplay. Na avaliação deste dirigente rubro-negro, o patrocínio na Globo pode ter reduzido o valor pago ao Flamengo.

Mas, dentro do marketing do clube, houve o entendimento de que os anúncios da Amazon na Globo eram independentes do acordo com o Flamengo. Assim, não haveria interferência entre os dois negócios.

Questionada, a Globo informou que foi um anuncio pontual da Amazon no intervalo, fora do pacote futebol da emissora. E diz que não há restrição a empresas de streaming em sua publicidade: "Amazon Prime é um cliente de publicidade da Globo, assim como outras plataformas de streaming", informou a comunicação da Globo.

E a Globo pode não ser concorrente apenas neste quesito. A diretoria rubro-negra pretende estreitar as relações com a Amazon. Primeiro, há uma conversa sobre uma nova ação pontual para promover um produto da Amazon que pode utilizar ativos do clube, jogadores, marcas, etc.

Além disso, o Flamengo tem investido forte na construção de novas plataformas para transmissão dos seus jogos com a FlaTV e a FlaTV+, que funciona por meio de assinantes. A FlaTV+ vende o pacote de pay-per-view do Carioca. Neste contexto, dirigentes rubro-negros veem a Amazon como uma potencial parceira para negócios relacionados a uso de plataformas, já que tem o Amazon Prime Video.

A Amazon, que já investe em competições lá fora, tem sondado o mercado de direitos esportivos no Brasil. No ano passado, enquanto tinha validade a MP do Mandante, chegou a fazer proposta para o Red Bull Bragantino pelos direitos de jogos do Brasileiro. Também avaliou direitos como a Copa América e Carioca, mas não se convenceu a investir até agora.

Rodrigo Mattos