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Rodrigo Mattos

Queda do Flamengo na Libertadores é maior porque clube exagerou na ambição

Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

02/12/2020 05h00

Quando planejou sua temporada financeiramente, o Flamengo previu que chegaria às semifinais da Copa do Brasil e da Libertadores. Baseava-se em um investimento sem sem igual no futebol brasileiro. O plano tratava isso como natural pelos feitos de 2019.

Saiu Jorge Jesus, o técnico substituto Domenec não encaixou e se foi, a temporada capengava. Como consequência, veio uma campanha vacilante no Brasileiro e uma queda precoce na Copa do Brasil. A eliminação na Libertadores gera um tombo considerado de um clube que achava que tudo podia, e perdeu o chão.

Não dá para colocar tudo na conta do jogo do Racing. Na realidade, o Flamengo teve uma boa atuação, dominante sobre o time argentino o tempo inteiro, inclusive quando tinha um jogador a menos. A questão é que o time atual rubro-negro comete um excesso de erros capitais.

Vitinho, que se movimentou bem no jogo, perdeu dois gols à frente do goleiro no primeiro tempo. Rodrigo Caio foi expulso após duas entradas duras longe do gol. Gustavo Henrique deu espaço no gol? Repetiu-se a série de falhas cometidas em jogos decisivos na temporada, seja na frente, seja atrás.

É fruto de um time que carrega esse fardo de ter de ganhar tudo para no máximo igualar as conquistas do ano passado. Como se fosse normal repetir os triunfos em Libertadores e Brasileiro, antes inéditos, em suas temporadas.

É certo que o técnico Rogerio Ceni cometeu seus erros de estratégia com as saídas de Everton e Arrascaeta ao mesmo tempo, manobra em que abriu mão de seu diferencial no time. Mas está longe de ser o principal ponto. Mesmo a reação heroica e desorganizada do time que levou ao empate de Arão nos acréscimos foi seguida de uma falha na penalidade do mesmo jogador. Antes disso, o Flamengo tinha perdido três pênaltis seguidos no tempo normal em jogos.

O tom do protesto da torcida era de pedir cabeças porque parece inadmissível para eles que esse time não chegue à glória. É preciso punições e culpados.

De saldo, o Flamengo terá R$ 18 milhões a menos do que previsto no seu planejamento financeiro, prejuízo que se soma a outros R$ 7 milhões da vaga que contava obter na Copa do Brasil. Terá de cortar despesas e se adaptar. O clube terá de recuar um pouco para se manter equilibrado. Talvez reconhecer que planejou passos que não eram tão seguros assim quando pareciam.

Rodrigo Mattos