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Rodrigo Mattos

Plano do São Paulo de investir como Flamengo fracassou e gerou recuo

Everton Ribeiro e Daniel Alves disputam lance em Flamengo x São Paulo - Alexandre Vidal/Flamengo
Everton Ribeiro e Daniel Alves disputam lance em Flamengo x São Paulo Imagem: Alexandre Vidal/Flamengo
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

31/10/2020 04h00

Ao entrarem em campo pelo Brasileiro, no Maracanã, São Paulo e Flamengo terão realidades distintas: o time carioca será recheado de jogadores valorizados, e a equipe paulista terá uma estrela e atletas que são apostas. É um reflexo de como a política são-paulina de acelerar investimentos no futebol como os rubro-negros não deu certo e o obrigou a recuar.

Obviamente, dentro de campo, é possível que o time mais modesto do São Paulo supere o Flamengo. Mas é inegável que há um oceano de distância entre o que construíram os dois clubes nos últimos anos apesar de ambos disputarem a Série A próximo da ponta da tabela. E essa diferença tem relação não apenas com o volume de dinheiro envolvido em cada time, mas também com a forma como ele é gerido.

Até o final de 2019, o Flamengo investiu R$ 526 milhões em contratações nos últimos cinco anos. No mesmo período, o São Paulo gastou R$ 416 milhões para levar jogadores ao Morumbi. Estão portanto na 2a e na 3a posição entre os clubes que mais investiram em atletas nesta época, atrás do Palmeiras. Os números são do levantamento do Itaú/BBA em cima das finanças dos times nacionais e não consideram a atual temporada.

Mas há uma diferença entre os clubes. Neste período de cinco anos, o Flamengo teve R$ 3 bilhões em receitas. Enquanto isso, o São Paulo acumulou R$ 2 bilhões em rendas. Todos os números são do Itaú/BBA.

Ora, então, temos que o São Paulo gastou praticamente 80% do que o Flamengo em formação em elenco, mas só tinha dois terços de sua renda. Obviamente, a conta não fechava. E não fechou.

No ano passado, o São Paulo, de novo, acelerou com investimentos de R$ 130 milhões em seu elenco, com jogadores como Pablo, Pato, Hernanes. Seu custo com pessoal atingiu R$ 234 milhões. Era uma acréscimo de R$ 66 milhões em relação ao ano anterior. Nesta conta, entram atletas como Daniel Alves. Resultado: um aumento da dívida para R$ 503 milhões, quase dobrando.

Qual foi a compensação? O São Paulo tem na sua melhor formação atual um ataque com Brenner e Luciano, jogadores sem custo de contratação para o clube. Os caros Hernanes, Pablo e Pato foram ficando para trás, inclusive o último deixou o clube.

Do outro lado, no ano passado, o Flamengo gastou R$ 223 milhões em contratações de jogadores. Entre eles, estão Gerson, Bruno Henrique e Arrascaeta, todos jogadores fundamentais para o clube.

O clube também teve aumento de dívida que chegou ao mesmo patamar de R$ 500 milhões. Só que a receita cresceu junto, o que permite pagar pelas contratações parceladas e por uma folha salarial maior do que a são-paulina. O clube teve custo de pessoal de R$ 358 milhões.

Com isso, o São Paulo entrou na atual temporada tendo que desacelerar seus investimentos. Reduziu contratações, teve de vender atletas e rescindiu jogadores como Pato. O Flamengo entrou em 2020 mantendo investimento em alta, como foi o caso de Gabigol, Michael e Léo Pereira (este joga, mas o retorno ainda não é o esperado). Independentemente do resultado do Maracanã, a comparação entre os clubes mostra quem nem sempre gastar é suficiente para se construir um grupo consistente e vitorioso.

Rodrigo Mattos