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Blog do Rodrigo Mattos

Por que corte de contrato de TV não afeta cotas de clubes na Libertadores

Troféu da Copa Libertadores é erguido após o Flamengo vencer o River Plate e conquistar a edição de 2019 - Manuel Velasquez/Getty Images
Troféu da Copa Libertadores é erguido após o Flamengo vencer o River Plate e conquistar a edição de 2019 Imagem: Manuel Velasquez/Getty Images
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

15/08/2020 04h00

A rescisão dos contratos de direitos da Globo e DAZN de contratos da Libertadores e Sul-Americana não vai afetar as cotas e premiações dos clubes nas competições. Explica-se: a Conmebol tem uma situação financeira estável e manterá compromissos firmados com os times. Além disso, há um acordo que garante um valor mínimo à entidade independente de quanto às competições gerarem de renda.

Por conta da epidemia de coronavírus e da crise econômica, a Conmebol viu seus parceiros passarem a questionar os valores dos contratos. Primeiro, a DAZN anunciou a rescisão do contrato da Sul-Americana. Depois, foi a vez de a Globo pedir redução do montante pago e depois romper o acordo pela Libertadores.

No total, o acordo da Globo para a Libertadores pagava US$ 65 milhões por ano pelos direitos de TV Aberta e parte dos jogos de TV Fechada, no SporTV. A emissora carioca mantém o interesse na competição desde que a Conmebol aceite uma redução. Ainda não está claro se haverá uma renegociação. Para se ter ideia do impacto, a renda total da Libertadores foi US$ 300 milhões em 2019.

Já a DAZN cortou a principal renda da Sul-Americana que já era uma competição deficitária, isto é, gerava menos receita do que as despesas em 2019.

A Conmebol, no entanto, manterá todas as premiações para clubes, segundo apurou o blog. No caso da Libertadores, a competição distribui US$ 168 milhões, sendo US$ 15 milhões para o campeão. Só na primeira fase os clubes levam US$ 1 milhão por jogo em casa. A entidade até adiantou 60% dessas cotas durante a paralisação pela epidemia de coronavírus.

Na Sul-Americana, a premiação é de R$ 47,2 milhões, sendo US$ 2 milhões para o campeão.

Há duas explicações: a Conmebol tem um contrato com a Perform e IMG que lhe dá uma garantia de receber US$ 350 milhões por ano todos os direitos de TV e marketing das duas competições. Esse acordo é válido de 2019 a 2022. A partir desse montante, as receitas entram a maior parte para a empresa. No ano passado, os dois campeonatos geraram pouco mais do que esse valor.

Além disso, a Conmebol entende que tem um compromisso com os clubes em relação à premiação. E a entidade tem uma boa situação financeira com os novos acordos a partir de 2019. O balanço da confederação sul-americana registrou US$ 190 milhões em caixa, entre valores nas contas correntes e investimentos. Suas dívidas são em montantes bem mais baixos.

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