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Após turbulência, Fla melhora no campo, na TV e até gera otimismo por Jesus

Thiago Ribeiro/AGIF
Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

16/07/2020 04h00

Não foi o Flamengo incrível da Libertadores que amassava rivais. Mas, após uma turbulência na semana passada, a maré parece ter virado a favor do rubro-negro: o time melhorou e conquistou o título Carioca contra o Fluminense, a parceria com o SBT para transmissão deu certo e até surgiu um otimismo em relação à permanência do técnico Jorge Jesus.

É preciso ressaltar o "parece" porque Jesus ainda não se pronunciou de fato dizendo que fica. Quem garantiu que ele treina o time na próxima semana foi o presidente rubro-negro, Rodolfo Landim. O entorno do futebol do clube também se mostrava mais otimista sobre manter o treinador português evitando uma saída para o Benfica.

Jesus esteve diferente em campo em relação aos Fla-Flus anteriores. Trocou um certo silêncio por seus esporros e orientações ao lado da linha do campo. Mandava uma hora um acertar a linha, outra hora gritava por um movimento ou passe errado. Teve até tempo, título ganho, para abraçar Michael e lhe dar uns conselhos ao pé do ouvido após o drible que gerou revolta em Hudson.

Campeão, levantou taça, foi abraçado como filho por Gabigol, teve o nome gritado, foi jogado para o alto por jogadores. Foi tratado com carinho para ficar. Se atenderá pedidos, veremos.

Fato é que conquistou seu quinto título em pouco mais de um ano no Flamengo, um Carioca. E sua postura mais assertiva ao lado do campo refletiu-se no time do primeiro tempo que abandonou a insegurança dos últimos dois jogos contra o Fluminense.

Durante 45min, foi um time que foi ligado em uma ignição depois do motor parado: marcava lá na frente para incomodar o Fluminense, dominava a bola e tinha Gerson e Éverton Ribeiro em boas atuações. Um sinal foi quando Pedro foi à linha de fundo para pressionar uma bola perdida e obteve um escanteio. Era a equipe que lutava por cada centímetro como em 2019.

Não saiu o gol e o Flamengo caiu de rotação na segunda etapa. O Fluminense até ameaçou equilibrar o jogo, mas lhe faltaram recursos. O técnico Odair Hellmann, "aquele que havia parado o Flamengo", teve dificuldade para agredir o rival quando precisava da vitória. Suas substituições transformaram o time em destroços inofensivos que acabaram sob os pés de Vitinho. Até um Flamengo meia bomba era bem superior ao time tricolor.

Enquanto o jogo rolava, fora dele, o SBT registrava no Rio de Janeiro a primeira vitória em audiência sobre a Globo no horário do Jornal Nacional desde 2015 quando uma novela da Record obteve o feito. Em São Paulo, obteve o segundo lugar. Foi uma demonstração de força do futebol mesmo em um episódio pontual.

E a diretoria do Flamengo, que tinha errado na guerra de liminares antes do Fla-Flu da Taça Rio, acertou na sua estratégia de fechar com múltiplas mídias, SBT na TV Aberta, FlaTV no streaming, Facebook no exterior. A negociação de cotas no SBT foi bem-sucedida, e aliada a outras plataformas, vai gerar uma receita significativa para o clube, além de experimentar formatos.

Era a chance já que o Flamengo voltará ao futebol no modelo padrão, com Globo, pay-per-view, etc. Até lá o clube entrará em recesso e ficará por conta da palavra de Jesus. Se ele confirmar que fica, o mar se abrirá novamente para os rubro-negros e a semana passada terá sido só uma marolinha.

Blog do Rodrigo Mattos