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Renato Mauricio Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Fla de Paulo Sousa já tem um padrão: irritar sempre a torcida

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Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

02/05/2022 00h07Atualizada em 02/05/2022 10h29

Uma coisa não se pode negar: Paulo Sousa está conseguindo dar um padrão ao Flamengo! Seja contra adversários da Série A, B ou C, seja com os titulares ou times mistos quentes ou frios, a equipe rubro-negra irrita e muito os seus torcedores. Exatamente como aconteceu na vitória suada e sofrida contra o fraquíssimo Altos, do Piauí, penúltimo colocado da terceira divisão do futebol brasileiro.

Nos primeiros 45 minutos, a atuação rubro-negra foi tão sofrível, tão ruim, que até a apaixonada torcida piauiense, que fez uma festa gigantesca, linda e comovente, na chegada dos cariocas à cidade, e lotou o estádio Albertão, perdeu a paciência e vaiou, com vontade, o Flamengo na saída para o vestiário, no intervalo.

Na etapa final, só depois de levar um belo gol de bicicleta, de Manoel, a equipe de Paulo Sousa passou a demonstrar um mínimo de disposição em campo. Foi assim que chegou à virada e a vitória, com gols de Pedro e João Gomes, que entrou no segundo tempo. Bom resultado? Até pode ser visto assim. Bom desempenho? Não passou nem perto.

É óbvio que a formação que começou a partida era muito mexida, com jovens promissores como Daniel Cabral e Igor Jesus formando, pela primeira vez, a dupla de volantes titular. Mas dá pra dizer que é fraca uma equipe que escala o ataque com Marinho, Pedro e Bruno Henrique?

Ayrton Lucas, enfim, estreou, teve atuação discreta e saiu contundido. No tornozelo esquerdo. O mesmo que tratava, com a equipe do doutor Tanure, desde que chegou. Pouca sorte ou foi liberado antes da hora, pela pressão do grande número de jogadores entregues ao controverso departamento médico do Fla? Mais uma daquelas perguntas que não querem calar, mas jamais serão respondidas.

No próximo jogo, contra o Talleres, em Córdoba, pela Libertadores, Paulo Sousa deve ter à disposição praticamente todos os titulares. É possível imaginar uma escalação com Santos, Pablo, David Luiz e Felipe Luís; Matheusinho (ou Isla), João Gomes, Thiago Maia e Bruno Henrique; Éverton Ribeiro, Arrascaeta e Gabigol.

No papel, é um timaço. No campo, ao menos até agora, na maioria das vezes, um timinho. Décimo primeiro colocado no Brasileiro, após quatro rodadas, e vice-campeão no Carioquinha. Sim, na Libertadores, ao menos, está com 100% de aproveitamento. Mas encheu os olhos em algumas das três vitórias, num grupo reconhecidamente fraco? Pois é...

Somente a cada vez mais reduzida turma da "Flanelinha" ainda acredita nos "processos" de Sousa. Até quando?

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que foi publicado, o Flamengo jogou no Piauí, e não em Sergipe. O erro foi corrigido.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL