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Renato Maurício Prado

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Da medíocre seleção de Tite à troca de Ceni por Renato

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Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

11/07/2021 01h57Atualizada em 11/07/2021 02h00

A seleção de Tite é medíocre. Incapaz de derrotar uma das mais fracas equipes argentinas das últimas décadas, numa noite em que Lionel Messi teve atuação irreconhecível, a ponto de perder um gol cara a cara com Ederson, simplesmente porque tropeçou diante da bola.

Pois nem assim, jogando em casa, o Brasil foi capaz de vencer esse torneio mequetrefe, que nem deveria ter sido realizado, em meio à feroz pandemia que assola o continente. Bem-feito para a irresponsável CBF, que se meteu a sediar essa Cova América e, ao final, teve que engolir a festa dos "hermanos" em pleno Maracanã.

Isso posto, vamos ao assunto que mais movimentou as redes sociais e a maior torcida do país: a demissão de Rogério Ceni do Flamengo e a contratação de Renato Gaúcho para substituí-lo. O treinador defenestrado, convenhamos, já foi tarde. Não tinha mais ambiente no clube, indisposto que estava com o elenco e com vários integrantes do departamento de futebol - vide o áudio vazado de um dos membros do centro de análise de desempenho que o classificava, sem rodeios, como "uma pessoa ruim".

Vamos falar francamente? O Flamengo de Ceni foi campeão três vezes não por causa dele, mas apesar dele. Nunca vi um técnico errar tanto. Escalava mal, substituía pior e se mostrava incapaz de ver o que acontecia no gramado, bem à sua frente. A escolha por Bruno Viana, na sua última partida, contra o Atlético Mineiro, é um clássico de sua incompetência. Nada justifica tal escolha. A ponto de ele próprio reconhecer o erro piramidal e substitui-lo no intervalo.

Rogério é um treinador inexperiente, mas sua arrogância continua a mesma dos tempos em que era um dos melhores goleiros do país. Não reconhece as próprias limitações e falhas e, consequentemente, continua a cometer erros atrás de erros. Qual será seu futuro na profissão? Não sei. Ou muda o modo de agir e pensar, ou não irá a lugar algum.

Renato Gaúcho, seu substituto, também está longe de ser um exemplo de modéstia. Ao contrário. Mas é um treinador muito mais experiente e malandro, no bom sentido do termo. Duvido que não consiga ganhar a simpatia do grupo, logo no primeiro treino.

Isso será o suficiente para brigar pelos títulos que a torcida espera? Só o tempo dirá. Mas o que posso adiantar, pelo que conheço dele, é que com sua chegada acabará o malfadado tempo das improvisações, ou "mexidas autorais", como gostam de dizer alguns dos eternos fãs do ex-goleiro. William Arão, aposto, voltará a ser volante, Diego, quando se recuperar, jogará novamente como armador, ou no máximo, como segundo volante, e a defesa terá outra vez dois zagueiros de ofício.

Os melhores times de Renato eram ofensivos e bonitos de se ver jogar. Mas nenhum foi inovador, revolucionário. No Flamengo de hoje, isso pode ser o bastante e até o mais indicado. Mesmo com a saída de Gerson, ainda há grandes jogadores para formar uma equipe poderosa: Arrascaeta, Gabigol, Éverton Ribeiro, Bruno Henrique, Filipe Luís, Rodrigo Caio, Diego Alves e Pedro que o digam.

Alguns estão rendendo menos do que já renderam? Bem, essa é uma das especialidades do meu xará gaúcho. Recuperar atletas que atravessam fases ruins. Será ele capaz de devolver a confiança e o bom futebol a Gustavo Henrique e Léo Pereira? Está aí um belo desafio pela frente.

Renato estreará contra o Defensa y Justicia, na Argentina, já pela Libertadores, na próxima quarta-feira. Evidentemente, não terá tempo para nada. O que pode fazer, e aposto que fará, é levantar o moral da tropa, procurar saber dos próprios jogadores qual a maneira de jogar em que se sentem mais à vontade e, dentro dela, mandará o time a campo.

A partir daí, sem alarde, vai tratar de fazer o seu feijão com arroz caseiro e bem temperado - que já o levou às conquistas da Libertadores e da Copa do Brasil. É disso que o Flamengo precisa depois de tantas invenções dos nada saudosos Domènec e Ceni, que se acham mestres da cozinha internacional, mas não sabem nem fazer um ovo mexido.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado