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Corinthians pagou apenas parte de parcela de dezembro para Caixa Econômica

A administração comandada por Duilio Monteiro Alves pagou apenas uma parte da parcela de dezembro referente ao acordo do Corinthians com a Caixa Econômica Federal. A prestação era de R$ 25 milhões, porém foram pagos cerca de R$ 12 milhões no último mês do ano.

Em janeiro, a nova gestão, liderada por Augusto Melo, pagou por volta de R$ 5 milhões ao banco. O clube se comprometeu a acertar os aproximadamente R$ 8 milhões restantes em fevereiro. O Alvinegro está sujeito à aplicação de multa pelo atraso.

Durante 2023, o clube pagou outras três parcelas de R$ 25 milhões cada previstas no acordo que interrompeu cobrança do banco na Justiça por causa de atrasos anteriores.

O que o Corinthians diz

Procurado por meio de seu departamento de comunicação, o Corinthians confirmou o atraso. "A gestão anterior solicitou à Caixa que adiasse o pagamento porque estavam na iminência de negociar a quitação [total da dívida]. Mas a Caixa negou o pedido. Por isso foi pago com atraso", respondeu o clube à coluna.

Procurado, Wesley Melo, diretor financeiro do Corinthians na diretoria anterior, não deu declarações sobre o assunto.

O que Duilio diz

Indagado se pagou apenas uma parte da parcela de dezembro, Duilio respondeu à coluna com a seguinte mensagem:

"Pergunta ao presidente Augusto Melo porque ele pediu à Brax para não pagar as luvas do contrato que eu assinei e vencia no mês de dezembro de 2023."

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A Brax assinou contrato com o Corinthians para a exploração de publicidade estática na Neo Química Arena. Em entrevista para a Band, em janeiro, Augusto disse que ele assinou contrato de R$ 240 milhões com a empresa.

Segundo fonte ligada à antiga diretoria, a administração anterior avisou para a Caixa que não pagaria a parcela de dezembro para que os R$ 25 milhões fizessem parte do montante a ser quitado. Porém, havia um crédito do clube à disposição do banco. A quantia foi retida para o pagamento de parte da parcela.

O discurso na antiga diretoria é de que a intenção não era deixar parte da dívida para o sucessor de Augusto, mas colocar o valor de dezembro na negociação para zerar o débito.

Desde novembro, antes da eleição presidencial, os integrantes do grupo de Duilio falavam em conseguir a quitação, que ainda não ocorreu.

O que a Caixa diz

A coluna perguntou para a Caixa se o Corinthians quitou apenas uma parte da parcela de dezembro, mas o banco respondeu que não se manifesta sobre operações específicas de crédito e de reestruturação de dívidas.

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Leia a nota, enviada pela assessoria de imprensa da instituição no último dia 30:

"A Caixa informa que, conforme Comunicado ao Mercado em 17 de novembro de 2023, o Corinthians apresentou proposta formal para quitação do saldo devedor da dívida do contrato de financiamento e o banco está realizando a avaliação técnica da proposta apresentada pelo clube.

O banco ressalta que, como instituição financeira, busca continuamente a eficiência, a sustentabilidade e a rentabilidade em suas operações comerciais, seguindo os ritos de governança e prezando por soluções que atendam aos interesses da Caixa e de seus clientes.

Por fim, reforçamos que a Caixa a não se manifesta sobre operações de crédito e estruturação de dívidas específicas, em razão do sigilo bancário previsto na LC (Lei Complementar) 105/2001."

Quitação

No final do mandato de Duilio, o Corinthians apresentou proposta para quitar a dívida do fundo criado para viabilizar a construção da Neo Química Arena com a Caixa.

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Em novembro, o débito era de cerca de R$ 700 milhões. A dívida se refere ao empréstimo de R$ 400 milhões feito no BNDES por intermédio da Caixa para as obras da arena.

A proposta para zerar a dívida inclui a compra por parte do Corinthians de uma carteira de títulos semelhantes a precatórios (documentos que indicam dívidas públicas para determinadas pessoas ou empresas que tiveram o crédito reconhecido pela Justiça).

Os papéis seriam repassados ao banco como forma de pagamento. O clube pagaria menos, ainda que precise fazer um novo empréstimo, porque esses títulos são vendidos por valores inferiores ao de face.

Resposta para Duilio

A coluna encaminhou para a assessoria de imprensa do Corinthians a pergunta feita por Duilio para Augusto sobre as luvas do contrato com a Brax. A nota encaminhada como resposta, no entanto, não responde à indagação do ex-presidente. Também foi indagado se o acordo com a Brax foi assinado por Duilio. Confira a nota enviada pelo departamento de comunicação do Alvinegro.

"A direção do Sport Club Corinthians Paulista esclarece que, em momento algum, negou-se a pagar compromissos com fornecedores, parceiros e/ou prestadores de serviço.
O que há é um processo de análise criteriosa dos contratos feitos pela gestão anterior.
Por exemplo: o Corinthians negociou sozinho suas placas de publicidade nos últimos anos. Para que precisou de um intermediário no final da última gestão?
A direção do Corinthians entende que esse processo possa criar descontentamento em alguns, mas reforça que se reunirá com seus credores para buscar o melhor modelo de negociação para o clube.
Sempre!"

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Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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