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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Perrone: Punição branda ao Boca Juniors estimula racismo na Libertadores

Torcedores do Boca Juniors durante partida disputada no estádio La Bombonera - Marcelo Endelli/Getty Images
Torcedores do Boca Juniors durante partida disputada no estádio La Bombonera Imagem: Marcelo Endelli/Getty Images
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Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

26/06/2022 12h57

A multa de US$ 100 mil (R$ 523.280) aplicada pela Conmebol ao Boca Juniors pelos atos racistas de seus torcedores em jogo contra o Corinthians na Bombonera é um incentivo a racistas na Libertadores.

Na opinião deste colunista, a pena é branda e serve como estímulo para quem quiser praticar algo semelhante. Castigo tão leve para o clube não tem efeito inibidor.

Como mostrou o colunista do UOL Marcel Rizzo, essa foi a primeira punição por racismo do Tribunal de Disciplina da Conmebol depois da mudança do regulamento, que prevê também jogar sem torcida ou com a arquibancada parcialmente fechada.

No próximo dia 5, o Corinthians retornará ao estádio do Boca para a disputa das oitavas de final da Libertadores.

Não será surpresa se novos atos racistas acontecerem dada a falta de rigor na recente punição. O mesmo se aplica ao confronto da próxima terça (28) em Itaquera. Vale lembrar que no último jogo entre as duas equipes na Neo Química Arena um torcedor do Boca chegou a ser preso após praticar ato racista, mas pagou fiança e foi solto.

Racismo não precisa de reincidência para ser combatido rigorosamente. Porém, ainda que tenha sido o primeiro julgamento com a regra atual, torcedores do Boca já tinham feito o mesmo nos dois jogos contra o Corinthians pela fase de grupos.

Ou seja, o episódio julgado não representa um problema caso isolado. O racismo tem corroído a Libertadores. Os ataques acontecem em partidas disputadas em vários países. E a Conmebol demonstra se importar apenas de maneira protocolar com o assunto. A punição financeira ao Boca confirma isso.

Assista às lives do Corinthians após os jogos no canal do UOL Esporte no YouTube.