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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Perrone: Ceni erra ao transferir para direção decisão sobre poupar atletas

Rogério Ceni, técnico do São Paulo, durante a partida contra o Palmeiras - Miguel SCHINCARIOL/São Paulo FC
Rogério Ceni, técnico do São Paulo, durante a partida contra o Palmeiras Imagem: Miguel SCHINCARIOL/São Paulo FC
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Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

21/06/2022 10h12

Rogério Ceni transferiu para a diretoria do São Paulo uma responsabilidade que é sua: a de decidir se poupa jogadores contra o Palmeiras na próxima quinta (23), pela Copa do Brasil.
Em sua entrevista coletiva após a derrota por 2 a 1 para o Alviverde, na segunda (20), pelo Brasileirão, Ceni afirmou:
"Ninguém ficou fora do jogo, jogadores de linha. Não tem ninguém para voltar. É uma escolha. A direção tem que escolher. Quer arriscar tudo contra o Palmeiras na quinta-feira? Arriscamos tudo contra o Palmeiras. Pode perder alguém por lesão, vai estar cansado pro jogo contra o Juventude no "domingo".
Com esse discurso, o treinador entregou para os cartolas um papel que é seu. Ele é pago para escalar a equipe, entre outras missões. Cabe à comissão técnica avaliar eventuais riscos de lesões de jogadores. A palavra final sobre quem joga é, ou deveria ser, do técnico.
Ao repassar a responsabilidade para os dirigentes, Ceni se coloca numa posição confortável. Se algo sair errado, seja nova derrota para o rival ou alguma contusão de atleta, a responsabilidade será no mínimo divida com os cartolas.
Além disso, quando se fala da saúde dos jogadores, a avaliação tem que ser dos profissionais capacitados para isso. Não de dirigentes.
A atitude de Ceni, depois de uma derrota traumática para o Palmeiras pega mal porque parece que ele busca um escudo no caso de novo fracasso.
O momento exige o contrário. É o comandante quem mais precisa demonstrar confiança na recuperação.
Até porque o São Paulo estava vencendo o melhor time da América do Sul até os acréscimos. Os últimos minutos foram desastrosos para o Tricolor, mas isso não paga o que foi feito antes do jogo.
Não há motivo para desespero. E abrir mão do direito de escalar a equipe está longe de ser uma decisão equilibrada.