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REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Entenda a postura do Corinthians no caso da acusação contra Rafael Ramos

Imagens captaram momento em que Rafael Ramos teria chamado Edenílson de "macaco" em Inter x Corinthians - Reprodução/Premiere
Imagens captaram momento em que Rafael Ramos teria chamado Edenílson de "macaco" em Inter x Corinthians Imagem: Reprodução/Premiere
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Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

16/05/2022 08h56

Internamente o Corinthians avaliou que deve acompanhar a conclusão das investigações da polícia sobre a acusação de injúria racial contra Rafael Ramos sem adotar sanções contra o jogador português.

O entendimento é de que nem os policiais têm certeza de que ele chamou Edenilson, do Inter, de macaco, e, por isso, deve seguir trabalhando normalmente pelo clube. Não há neste momento orientação do departamento jurídico para que ele não seja utilizado pelo técnico Vítor Pereira.

O atleta português nega que tenha usado expressão racista e diz ter havido um mal-entendido.

Ele foi preso e autuado em flagrante por injúria racial, mas acabou liberado após pagamento de fiança, o que não significa admissão de culpa.

A postura é diferente da adotada em relação a Danilo Avelar, que praticou injúria racial durante um jogo online, em junho do ano passado, e não atuou mais pelo Alvinegro.

Na ocasião, o clube chegou a divulgar nota afirmando que estava em "contato com o atleta Danilo Avelar e seus representantes a fim de discutir e formalizar as medidas cabíveis para o encerramento do vínculo".

Em abril, ele foi emprestado ao América-MG até o final de 2022, quando termina seu contrato com o Corinthians.

A reação distinta adotada pela agremiação se dá porque, diferentemente de Ramos, Avelar confessou o ato racista, pedindo desculpas e afirmando que errou.

No caso do lateral português, o clube vai esperar o desfecho nas esferas policial e judicial.

Em Porto Alegre, o jogador foi representado pelo advogado do escritório contratado pelo Corinthians para representar a instituição em caso de necessidade.

Isso tem sido feito pelo atual departamento jurídico nas cidades em que a equipe joga para agilizar o atendimento em caso de emergência. O mesmo acontecerá em Buenos Aires, onde o time enfrenta o Boca Juniors nesta terça, pela Libertadores. Ramos viajou com o time, apesar de não estar inscrito. O clube afirma que sua presença na delegação já estava planejada antes da acusação feita por Edenilson.

Passado o atendimento emergencial, Ramos decide se contrata outro advogado ou se segue com o atual, mas pagando a defesa do próprio bolso.

O clube emitiu nota na qual diz reafirmar que repudia e não compactua com racismo. E explica que ouviu do jogador que ele não cometeu injúria racial.