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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Perrone: É preciso fazer mais barulho pela vacina do que Djoko fez contra

Novak Djokovic chegou no Aeroporto de Dubai após toda a polêmica e ser deportado da Austrália - LOREN ELLIOTT/REUTERS
Novak Djokovic chegou no Aeroporto de Dubai após toda a polêmica e ser deportado da Austrália Imagem: LOREN ELLIOTT/REUTERS
Perrone

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

17/01/2022 10h46

Ao tentar, em vão, jogar o Aberto da Austrália sem ter se vacinado contra covid, Novak Djokovic, querendo ou não, se transformou em garoto-propaganda do movimento antivacina. Ele fez barulho pela causa e deu a senha para negacionistas se manifestarem.

Um exemplo é a postagem de Eduardo Bolsonaro sobre o tema nas redes sociais. "Se vencesse o Grand Slam de Melbourne, o sérvio Djokovic bateria Roger Federer e se tornaria o maior campeão de Grand Slam de todos os tempos. Optou pela liberdade e hoje torna-se um líder mundial nesta área, enquanto vídeos bizarros da Austrália inundam a internet", escreveu o deputado federal e filho do presidente Jair Bolsonaro.
Manifestações como essa mostram que criticar o gesto de Djokovic não basta. É preciso alardear a importância da vacinação. Não só contra covid, mas de todo tipo.
O poder de alcance de um ídolo como o tenista sérvio é gigantesco. Seu gesto espalhou desinformação, inimiga feroz da saúde pública e aliada eficiente do coronavírus.
É importante combater esse bombardeio negacionista com informação. A ação dos antivacinas nos obriga a falar o óbvio. A repetir que se vacinar ou não é uma decisão que não afeta só a sua saúde. Não é uma questão de "meu corpo, minhas regras". O problema é coletivo, como nos mostrou a pandemia desde o começo.
É cansativo falar obviedades, mas Djoko nos força a fazer mais barulho pela vacina do que ele fez contra ela.