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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Perrone: Brasil sofreu para vencer Venezuela por ser previsível no 1° tempo

Everton Ribeiro tenta jogada em Venezuela x Brasil pelas Eliminatórias - Lucas Figueiredo/CBF
Everton Ribeiro tenta jogada em Venezuela x Brasil pelas Eliminatórias Imagem: Lucas Figueiredo/CBF
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Perrone

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

07/10/2021 22h39

A Seleção Brasileira foi irritantemente previsível e estática no primeiro tempo da vitória por 3 a 1 sobre a Venezuela, nesta quinta (7), pelas eliminatórias da Copa do Mundo. A pior notícia para o torcedor do Brasil é que isso não aconteceu por uma falha pontual. É resultado da ideia de jogo de Tite em seu estado mais bruto.

Verdade que a Venezuela abriu o placar num acidente de percurso de Marquinhos e Fabinho, que escorregaram após cruzamento de Soteldo. Ramírez aproveitou a queda dos adversários e balançou a rede, aos 10 minutos do primeiro tempo.

Sofrer o gol no início não deveria ser um problema tão grande para um time com jogadores de qualidade folgadamente superior em relação ao adversário.

Mas foi. Principalmente porque a Seleção Brasileira não teve capacidade de surpreender o oponente na maior parte do jogo.

Fiéis ao jogo posicional, abraçado por Tite em seu modelo mais radical, os jogadores brasileiros pouco se movimentaram no primeiro tempo.

Mesmo dentro dessa ideia de jogo, é importante que quem está com a bola conte com a aproximação de pelo menos um companheiro para ter opção de passe.

Por muitas vezes os brasileiros ficaram presos às suas áreas de atuação, determinadas pelo treinador, deixando quem conduzia a bola sem ter uma boa opção de passe "vertical". Parecia existirem paredes invisíveis bloqueando os jogadores brasileiros.

A falta de movimentação ajudou a Venezuela a segurar a vitória parcial até os 25 minutos do segundo tempo, quando Marquinhos fez o gol brasileiro de cabeça, após cobrança de escanteio.

Sem abandonar a ideia de jogo de Tite, a movimentação do Brasil e, ainda mais, a velocidade melhoraram no segundo tempo. Raphinha, que voltou do intervalo no lugar de Everton Ribeiro, foi peça central nessa evolução.

A virada veio aos 39 minutos da etapa final com Gabigol cobrando pênalti. Nos acréscimos, Antony fez o terceiro. Apesar das dificuldades, o Brasil venceu e se manteve invicto nas eliminatórias.

Há quem possa argumentar que toda essa dificuldade foi provocada pela ausência de Neymar, suspenso. Se foi isso, a situação é mais grave. Passou da hora de a Seleção Brasileira saber se virar sem ele.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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