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Blog do Perrone

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Como as receitas com sócio-torcedor dos grandes de SP definharam em 2020

Allianz Parque decorado para a finalíssima da Copa do Brasil 2020 - Palmeiras/Divulgação
Allianz Parque decorado para a finalíssima da Copa do Brasil 2020 Imagem: Palmeiras/Divulgação
Perrone

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

08/05/2021 04h00

Em 2020, as receitas dos clubes com seus programas de sócio-torcedor ficaram entre as mais atingidas. Os quatro principais times de São Paulo refletem em seus balanços relativos ao ano passado esse problema, que é nacional. Com o público vetado nos jogos, os sócios-torcedores tendem a deixar de pagar suas taxas ou a não renovar seus planos.

Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo estão entre os atingidos. O estrago foi milionário.

O Alvinegro do Parque São Jorge previa em seu orçamento obter receita de R$ 14,3 milhões com o Fiel Torcedor em 2020. Porém, o programa definhou por causa da pandemia e a arrecadação foi de R$ 5,6 milhões (aproximadamente 39% do valor previsto). Os dados foram fornecidos ao blog pelo departamento de comunicação do Corinthians. No balanço, o clube apresenta as receitas do Fiel Torcedor somadas às verbas obtidas com premiações, loterias e "outras".

O documento, no entanto, cita os reflexos da pandemia na arrecadação do programa. O balanço aponta que "os impactos financeiros e econômicos para o clube foram muito severos, pois as receitas de patrocínios, explorações comerciais e programa de Fiel Torcedor tiveram redução significativa no período, além da postergação de parte (cerca de 20%) das receitas de direitos de transmissão (TV) para o exercício de 2021".

Apesar da incerteza sobre quando os jogos poderão voltar a ter público, o orçamento corintiano para 2021 prevê receita de R$ 9,8 milhões com o Fiel Torcedor.

O Palmeiras relata em seu balanço perda de receita de R$ 28.603.000.000 no Avanti, seu programa de sócio-torcedor.

Esse é o valor a menos que o Alviverde arrecadou em 2020 em relação ao que estava previsto em seu orçamento para o ano passado.

"O Avanti gera diversos benefícios aos seus sócios, porém, existe uma forte ligação com o público que frequenta os estádios. Dessa forma, com a proibição de público nos estádios, a receita bruta de Sócio-Torcedor Avanti teve uma redução de 51% em relação ao ano anterior, sendo a segunda receita que mais sofreu com a pandemia", diz trecho do balanço palmeirense.

Em 2020, o Avanti arrecadou R$ 22.356.000. Em 2019, a receita do Alviverde com o programa havia sido de R$ 46.086.000. Ou seja, queda de R$ 23.730.000.

A redução ocorreu apesar das medidas tomadas pela direção palmeirense para tentar evitar a "fuga" dos sócios-torcedores.

"Aos sócios-torcedores que se mantiveram adimplentes nas mensalidades do Programa Avanti durante o período de restrição de público nos jogos (a partir do mês de abril de 2020), a SEP permitiu que as mensalidades se transformassem em créditos que podem ser trocados por ingressos adicionais assim que o retorno de torcedores for autorizado. Além deste benefício, o sócio Avanti também teve a opção de utilizar parte do valor acumulado em créditos durante o período para a compra de produtos selecionados na Palmeiras Store. A SEP expandiu também os benefícios do programa de sócio-torcedor para além do estádio, permitindo que os sócios-torcedores passassem a indicar estabelecimentos de qualquer local do Brasil para firmar parcerias com o Avanti e conseguir descontos em supermercados, lojas de materiais de construção, lojas de bairro, entre outros", diz o balanço do Palmeiras.

Já o São Paulo, em 2020, arrecadou com seu programa de sócio-torcedor R$ 7.203.000. A previsão era de receita de R$ 15 milhões. Em 2019, a arrecadação tricolor com o projeto sócio-torcedor foi de R$ 9.505.000. A redução entre um ano e outro foi de R$ 2.302.000.

"Também limitaram a obtenção de melhores receitas a vedação governamental à presença de espectadores nos jogos da temporada, a perda das receitas do programa sócio-torcedor, licenciamento de marca e patrocínios, bem como a retração nas receitas com contribuições sociais, entre outras", registra o balanço são-paulino.

O Santos também viu uma queda de receitas em seu programa, o Sócio Rei. A arrecadação foi de R$ 9.644.000 em 2020. No ano anterior, ela havia sido de R$ 10.905.000. A diminuição foi de R$ 1.261.000. Os números foram obtidos pelo blog junto à assessoria de imprensa do Santos.

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