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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Menosprezado pelos grandes, Paulistão paga o preço de não se modernizar

Jogadores do Mirassol comemoram gol diante do Palmeiras pelo campeonato Paulista - Divulgação/Mirassol
Jogadores do Mirassol comemoram gol diante do Palmeiras pelo campeonato Paulista Imagem: Divulgação/Mirassol
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Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

26/04/2021 09h53

Sou do tempo em que jogar o Paulistão era coisa séria. Poupar time no Estadual era algo que o torcedor repudiaria.

Até porque, os times do interior eram fortes. Entrar com uma equipe de garotos contra o Guarani de 1978, diante da Ponte Preta ou do Botafogo de Ribeirão Preto de 1977 poderia representar um vexame histórico para Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos.

Os tempos mudaram, mas o Paulistão não se modernizou como deveria para não perder o bonde.

Outras competições ganharam mais importância, como o Brasileirão e a Libertadores. Aos poucos os estaduais tiveram sua relevância diminuída.

E aí veio o golpe da pandemia de covid-19. Os cartolas tiveram um ano para pensar num campeonato mais seguro e atraente. Uma bolha de verdade com um formato mais enxuto.

Mas não. Os dirigentes preferiram espremer a temporada. Encararam o risco de ver o campeonato ser suspenso por conta da piora da crise sanitária, o que acabou acontecendo.

Um modelo diferente para encarar a pandemia serviria como teste para a necessária repaginação do Estadual.

No lugar disso, temos jogos desinteressantes e clubes desinteressados. O que antes era prazeroso, virou uma chatice para o torcedor e um estorvo para os times.

Maior exemplo é o fato de o Palmeiras, dono do melhor elenco no estado, na opinião deste blogueiro, enfrentar dificuldades para se classificar para a próxima fase. E, pelo menos aparentemente, sem dar muita bola para isso. Afinal, o alviverde tem taças mais cobiçadas para tentar conquistar na temporada.

Ao não transformar o Paulistão dos tempos de pandemia numa competição atraente, a FPF corre o risco de ver o desdém com que seu campeonato é tratado pelos grandes neste ano virar padrão para quando a crise sanitária passar.

Se continuar assim, o Paulistão será cada vez mais Paulistinha. E os dirigentes sentirão no bolso. Quem vai pagar muita grana para transmitir jogos nos quais os principais times de São Paulo parecem só cumprir tabela?

Nos tempos em que o Campeonato Paulista empolgava, a oferta de partidas de competições europeias era reduzida na TV.

Hoje, há fartura de jogos dos melhores times do mundo em diversas plataformas.

A Federação Paulista precisa pensar também nessa concorrência para entender a necessidade de revitalizar seu produto.

Não se trata de tentar oferecer jogos com a mesma qualidade dos principais torneios europeus. Mas de reencontrar seu espaço no calendário e no coração do torcedor.

Os dirigentes precisam enxergar o óbvio: menos jogos de maior qualidade valem mais do que muitos disputados por times B ou C.

Um campeonato mais curto com jogadores menos cansados e de melhor qualidade cativam mais o público e têm maior valor de mercado.

Modernizar o Paulistão também é necessário para conquistar os torcedores mais jovens. Quem está começando a acompanhar futebol agora não tem um bom motivo para ficar diante da TV domingo à noite vendo reservas de times grandes contra equipes do interior.

A desculpa de que uma competição mais curta levaria à falência as equipes menores é preguiçosa. Cabe a dirigentes da FPF, da CBF e das próprias agremiações trabalharem num sistema sustentável para todos.

Ou rola uma transformação radical ou o Paulistão não passará de um fardo para jogadores, técnicos e torcedores.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL