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Mauro Cezar Pereira

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Pirotecnia de Textor não basta para colocar o Botafogo no mais alto patamar

John Textor, investidor na SAF do Botafogo - Vítor Silva/Botafogo/Flickr
John Textor, investidor na SAF do Botafogo Imagem: Vítor Silva/Botafogo/Flickr
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Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

01/07/2022 11h01

Na chegada, recepção calorosa de torcedores, um deles acenando com uma surrada nota de R$ 20. Nas entrevistas e pronunciamentos, falando e via rede social, sempre em inglês, uma espécie de porta-voz da esperança botafoguense.

Assim John Textor descobriu o Brasil. Arrojado, mandou embora o técnico campeão da Série B porque não aprovava o estilo de jogo, disse assistir mais de 250 partidas por ano, foi buscar vários jogadores em diversos clubes e refez o elenco.

Disse após a vitória sobre o Fortaleza que ninguém torce como o fanático pelo Botafogo, depois agitou bandeira diante da torcida. Depois criticou a existência de uma pista de atletismo no Nilton Santos/Engenhão (alguém lhe disse que o estádio erguido com dinheiro público para os Jogos Pan-americanos?).

Com o zagueiro argentino Carli e o goleiro paraguaio Gatito Fernandez, que estavam há tempos no clube quando ele chegou, Textor foi homenageado com o título de cidadão carioca. Deixou os botafoguenses eufóricos rindo ao ver lance de jogo antigo contra o Flamengo

Com o americano, o Botafogo sonhou com Zahavi e até James Rodriguez foi especulado. Ambos não virão, pelo menos no momento. Para completar, o CEO Jorge Braga, que encaminhou todo o processo da SAF, distribuiu nota na noite de quarta-feira, enquanto o time sofria em Minas Gerais.

"Recebi com surpresa a informação de que Thairo Arruda irá me substituir na representação da Botafogo SAF junto à CBF e à Ferj, funções que exercia com muita honra. De toda forma, desejo sempre melhor para o Botafogo. Quero aproveitar as inúmeras mensagens e esclarecer também que me encontro totalmente recuperado do problema de saúde que tive recentemente e que, mesmo internado, jamais me desliguei do trabalho em prol Glorioso."

Entre declarações e aparições polêmicas ou não, o pirotécnico americano que comprou o futebol do clube virou personagem e ídolo instantâneo de muitos alvinegros. Mas a profunda reformulação de um time não é simples como imaginavam.

Depois da derrota categórica, apesar de por apenas 1 a 0, para o Fluminense, o Botafogo perdeu para o América, em Belo Horizonte, ficando com um pé e meio fora da Copa do Brasil. Placar de 3 a 0 imposto por um dos piores times da Série A neste momento da temporada.

Nas redes sociais onde Textor era apenas saudado já há revolta. A realidade não se apresenta tão afável como os botafoguenses esperavam que fosse. E o investidor americano já pode perceber que há um enorme atalho para quem percorre o trajeto de herói a vilão. Hora de refazer o caminho.

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