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Mauro Cezar Pereira

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Cartolas, "Flamimimi', Renato Gaúcho e efeitos colaterais do pedantismo

Renato Gaúcho e William Arão lamentam derrota do Flamengo contra o Palmeiras na final da Libertadores - AFP
Renato Gaúcho e William Arão lamentam derrota do Flamengo contra o Palmeiras na final da Libertadores Imagem: AFP
Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

28/11/2021 04h00

Rogério Ceni tinha problemas, sim. Nem tanto com o elenco, mas com pessoas que trabalham no Centro de Treinamentos, gente que atua no futebol do Flamengo, clube de discurso moderno e que mantém estranhas (e antigas) características, como a promoção do chefe do departamento que "escalou" a zaga do Grêmio no time do Sport.

Os problemas que envolviam Ceni tinham solução? Alguns dirão que sim, outros que não, mas ninguém terá o monopólio da razão. Certo é que o time por ele foi consertado durante o Brasileiro de 2020, saindo de quatro pontos atrás do líder e levantando o título com sete vitórias e um empate nos dez últimos jogos, 73% de aproveitamento.

A partir dessa conquista importantíssima, parte da torcida rubro-negra tratou de desfazer o feito, com argumentos patéticos, como "não gostei da forma como fomos campeões", perdendo para o São Paulo. E ainda, "seria melhor perder o campeonato, assim teríamos um técnico melhor". Pedante, essa é a Flamimimi, ala fez o trabalho sujo nas redes sociais.

E o que era esse trabalho sujo? Críticas incondicionais a Ceni, algo turbinado por quem fala/escreve aquilo que uma galera deseja, em busca de engajamento. Rogério tinha problemas, mas sua saída jamais poderia ser decidida sem que o clube tivesse um bom técnico para substituí-lo. Havia um livre, mas era alguém bem longe de ser o nome adequado.

Aí entra a postura pedante da direção, que mandou o atual treinador do São Paulo embora no meio da madrugada após derrota para o Atlético, em Minas Gerais. Ela acreditou que o então disponível Renato Gaúcho Portaluppi, seu futevôlei, frases feitas e o velho DVD (será que alguém ainda usa além dele?) seria capaz de levar o Flamengo a títulos.

Óbvio que não. Em torneios eliminatórios. Depois dos títulos pelo Grêmio em 2016 e 2017, o treinador caiu na Libertadores eliminado pelo River Plate em 2018, humilhado pelo Flamengo em 2019 e goleado pelo Santos em 2020. Na Copa do Brasil, em 2018 saiu diante do Flamengo, em 2019 no duelo com o Athletico e em 2020 foi facilmente batido pelo Palmeiras.

Sim, o Palmeiras de Abel Ferreira, que ganhou três títulos pelo clube paulista, dois em finais contra Renato Gaúcho Portaluppi. A contratação desse treinador pelo Flamengo foi tão absurda e sem noção como se tivesse sido feita por um cartola de clube rival. Inacreditável que pessoas responsáveis por um clube que tanto arrecada e investe tenham acreditado nisso.

A derrota para o Palmeiras em Montevidéu foi um justo castigo para dirigente, Renato e a Flamimimi.

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