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Mauro Cezar Pereira

REPORTAGEM

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Ex-líder de aliados de palmeirenses chefia segurança de estádios uruguaios

Pablo Santos, ex-chefe de torcida que hoje comanda segurança em estádios uruguaios - Reprodução Twitter
Pablo Santos, ex-chefe de torcida que hoje comanda segurança em estádios uruguaios Imagem: Reprodução Twitter
Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

24/11/2021 04h00

As torcidas de Flamengo e Palmeiras contam com o apoio de aliados uruguaios e até argentinos em possíveis confrontos na cidade de Montevidéu durante o período que envolverá a final da Copa Libertadores. Alianças já existentes e novas, costuradas especialmente para esse jogo, serão importantes para as organizadas dos dois clubes brasileiros, que pegarão a longa estrada para o sul do continente na noite desta quarta-feira.

Os palmeirenses terão o apoio dos hinchas do Nacional, um dos dois maiores clubes uruguaios, parceria que cresceu após os confrontos dos paulistas com o pessoal do Peñarol, maior rival do tricolor de Montevidéu. Foi em 2017, quando se enfrentaram pela Libertadores e Felipe Mello esteve envolvido em uma briga no campo. Essa diferença surgida há quatro anos apimenta o clima.

Os rubro-negros, por sua vez, tiveram aproximação com torcidas de times menores da capital uruguaia a partir da hinchada de um clube argentino próximo de organizadas do Flamengo. Como detestam Nacional e Peñarol, esses torcedores locais pretendem se juntar aos cariocas nos prováveis embates que só não acontecerão se a polícia de Montevidéu e a medidas prometidas pela Conmebol forem muito eficazes nos próximos dias.

O curioso é que no Uruguai a segurança dentro dos estádios é feita por uma empresa privada, a Keeper, de Pablo Santos, que apareceu há semanas em fotos nas redes sociais recepcionando integrantes de torcida do Palmeiras que chegaram bem antes a Montevidéu para preparar o que envolve a decisão. Ocorre que nos anos 1990 ele era líder de "La Banda del Parque", maior Barra Brava (organizada) do Nacional.

Em 2004, Santos deu longa entrevista ainda falando como torcedor do Nacional e criticando o policiamento quando de um conflito na Tribuna Amsterdam, onde se posiciona no Estádio Centenário a torcida do Peñarol - clique aqui e leia. Em 2016, ou seja 12 anos depois, ele se transformaria em responsável pela segurança nos estádios de futebol.

No dia 6 de novembro, a principal organizada do Palmeiras publicou em rede social que sua diretoria se reuniu em Montevidéu com o Embaixador do Brasil, o delegado federal adido da embaixada, oficiais e chefes da polícia do Uruguai e com "o dono da empresa de segurança do estádio - Pablo" (veja abaixo entrevista do chefe de segurança à TV local). O intuito, registrou, foi "estabelecer diálogo junto às autoridades (...) visando a segurança de todos".

Os rubro-negros deverão contar com apoio de torcedores dos clubes como Defensor, Danúbio, Montevideo Wanderers, Cerro... Este último, por sinal, está na segunda divisão e é o que tem maior histórico de confrontos com os hinchas dos dois maiores times do país. Argentinos também deverão atravessar o Rio da Prata para se juntar aos flamenguistas e seus aliados.

Fica clara a maior estrutura das organizadas do Palmeiras em comparação com as do Flamengo nesses preparativos. Outra diferença está no apoio que a diretoria do clube paulista, agora com a presidente Leila Pereira (acima), dá às torcidas do clube, algo que não vem acontecendo com os rubro-negros.

Os relatos de quem já está em Montevidéu são de tranquilidade até então. Mas a partir de quinta-feira, trabalho não deverá faltar às autoridades policiais do país vizinho, ao pessoal da Conmebol e, sábado, à empresa particular que é responsável pela segurança nos estádios de futebol do Uruguai.

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