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Mauro Cezar Pereira

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Polícias do Brasil e do Uruguai em contato para evitar brigas de torcedores

Torcedores do Peñarol detidos no Rio de Janeiro, em 2019: um rubro-negros morreu - Silvia Ribeiro/UOL
Torcedores do Peñarol detidos no Rio de Janeiro, em 2019: um rubro-negros morreu Imagem: Silvia Ribeiro/UOL
Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

08/10/2021 18h41

A Polícia Civil de São Paulo, por intermédio da Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (DRADE), entrou em contato com a área de inteligência da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e com as autoridades de segurança uruguaia para tratar da final da Libertadores. Como o blog informou nesta quinta-feira, torcedores de Flamengo e Palmeiras organizam caravanas com motivações além da partida e há perspectivas de confrontos no caminho e no local da decisão, inclusive com uruguaios do Peñarol.

O intuito dos policiais é registrar um responsável por ônibus que deixar São Paulo rumo a Montevidéu carregando torcedores do Palmeiras. Assim, de cara, haveria um CPF associado a cada coletivo que pegar a estrada. Além disso, a intenção é, trabalhando em conjunto com a PRF, acompanhar os deslocamentos e minimizar a possibilidade de encontros marcados por conflitos. Ocupantes de carros de torcidas organizadas que costumam seguir os comboios, como escolta, também deverão ser "fichados" antes da viagem.

As autoridades uruguaias foram alertadas pela DRADE para os riscos envolvidos na partida, e perceberam que o problema pode ser maior. Torcedores do Palmeiras e do Peñarol brigaram quando do jogo entre os dois times pela Copa Libertadores de 2017. Na ocasião, Felipe Melo agrediu Matias Mier e a briga no campo se estendeu às arquibancadas. "Recebemos bem eles no jogo aqui em São Paulo, mas na volta aconteceu tudo aquilo no Uruguai", conta ao blog um integrante de organizada palmeirense.

Mas não é só. Os rubro-negros também têm motivos para uma espécie de acerto de contas com os hinchas carboneros. Em fevereiro de 2020, morreu Roberto Vieira de Almeida, então com 54 anos, após permanecer internado no Hospital Miguel Couto por 10 meses. Ele era do Espírito Santo e viajou ao Rio de Janeiro para torcer pelo Flamengo, mas foi agredido na orla por torcedores do Peñarol horas antes do jogo, no Maracanã. O cotejo, pela fase de grupos da Libertadores 2019, foi vencido pelo time uruguaio por 1 a 0.

Ao todo, 151 torcedores do clube de Montevidéu ficaram detidos após a confusão, que não envolveu torcidas organizadas rubro-negras, mas pessoas que estavam na praia e integrantes da excursão, organizada pelo próprio Roberto. Os hinchas do Peñarol ficaram presos por meses no Rio, três por crime de lesão corporal com risco de morte. Flamengo e Palmeiras decidirão a Libertadores em 27 de novembro, no estádio Centenário.

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