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Vencida "pelo cansaço", família de garoto do Ninho aceita acordo com o Fla

Bernardo Pisetta era goleiro do Flamengo  - Reprodução/Instagram
Bernardo Pisetta era goleiro do Flamengo Imagem: Reprodução/Instagram
Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

09/06/2020 08h31Atualizada em 18/06/2020 17h22

O blog informou há 29 dias que mais uma família de um dos 10 de meninos mortos no incêndio do Ninho do Urubu estava perto de aceitar a proposta do Flamengo. Na segunda-feira, quando a tragédia completou 16 meses, o acordo foi formalizado com os pais de Bernardo Pisetta. Há muito tempo não havia qualquer avanço nas negociações, com a proposta do clube colocada e os familiares aguardando decisão judicial que poderia levar anos. Cansados pelo desgaste, os pais do goleiro morto aos 14 anos cederam, aceitando o que os dirigentes rubro-negros ofereciam como indenização.

"O esgotamento era visível. De fato, estavam (os familiares de Bernardo) cansados de todas as tratativas", Thiago Divanenko, advogado.

"A postura (do Flamengo) sempre foi alvo de críticas, pela forma distante com a qual o tema foi tratado. Não é a celebração de acordo que apaga a mágoa da família neste aspecto. Com certeza, a variável emocional foi determinante para que Darlei (pai de Bernardo) e seus familiares decidissem por um desfecho da parte indenizatória. Não há lado positivo nessa história", resume Thiago Divanenko, advogado da família, que vive em Indaial, município de 70 mil habitantes no interior de Santa Catarina.

Bernardo Pisetta, goleiro do Flamengo morto aos 14 anos em incêndio no Ninho do Urubu - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Bernardo Pisetta, goleiro do Flamengo morto aos 14 anos em incêndio no Ninho do Urubu
Imagem: Arquivo pessoal

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Cansada, família de garoto do Ninho está perto de aceitar acordo com o Fla

O advogado confirma que os dirigentes ganharam no cansaço, fazendo prevalecer o que havia sido proposto: "A decisão da família foi segura e convicta, mas o esgotamento era visível. De fato, estavam cansados de todas as tratativas", conta Divanenko. "As manifestações posteriores foram em tom confortador e talvez possam representar uma tentativa de aproximação. Não sei se há tempo, mas pretendê-la é o que sempre se esperou do clube e de seus dirigentes. Cabe à família assimilar a conveniência disso, mas os vejo abertos como sempre estiveram", assegura o advogado.

Em sua conta no Twitter, o vice-presidente geral e jurídico do Flamengo, Rodrigo Dunshee de Abranches, escreveu: "O legado do Bernardo é de força, dedicação, talento e alegria. Vamos nos recordar dele desse modo. Obrigado família..."E em seguida tuitou: "Quero agradecer a gentileza, educação e respeito que sempre recebi por parte do Danrlei Pisetta, pai do nosso atleta Bernardo. Tudo que passou foi terrível e Bernardo jamais será esquecido."

Em contato com o blog, Rodrigo Dunshee acrescentou: "Eu acabei me envolvendo mais nesse caso, porque o Danrlei me deu essa oportunidade e o doutor Thiago Divanenko, advogado dele, permitiu. É uma situação muito dura para a família e, para mim, foi muito emocionante poder acompanhar mais de perto, porque não há como não se envolver. Mas, tenho certeza que esse acordo, muito mais de qualquer aspecto financeiro, servirá para levar um pouco de paz à família do Bernardo. Fazer que eles guardem suas energias para se lembrar dos bons momentos com o filho amado. Agradeço à família Pisetta pela educação e respeito que me destinaram. Tenho certeza que esse é o caminho para que possamos fechar novos ciclos".

Mauro Cezar Pereira